Segunda, 20 de Novembro de 2017

Arce Correia se lança sozinho no palco

24 ABR 2010Por 06h:14
OSCAR ROCHA

Um dos maiores sucessos do teatro brasileiro da década de 1970, “Apareceu a Margarida”, ganha nova versão por meio do Teatral Grupo de Risco, coletivo cênico de Campo Grande que abarca várias propostas estéticas de seus integrantes. A ideia da montagem partiu do ator, bailarino e diretor Arce Correia – há 10 anos no coletivo –, conhecido pela criação e interpretação do personagem Maria Quitéria, que se apresenta com regularidade em eventos públicos, boates, festas particulares, entre outros
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“A primeira vez que assisti ‘Apareceu...’ foi aqui, em Campo Grande, em 1999, com a atriz Pamela Duncan. Depois, em 2002, tive oportunidade de acompanhar no Teatro Glória, Rio de Janeiro, a leitura dramática do texto, com vários atores globais. Desde aquela época penso em montá-lo”, lembra Arce. O estímulo maior para a realização foi o projeto ter ganho o Prêmio Míriam Muniz, da Fundação Nacional de Artes (Funarte), que possibilitará à montagem circular por cidades de Mato Grosso, Goiás, Distrito Federal e Mato Grosso do Sul.

“Apareceu a Margarida” foi uma peça emblemática durante o regime militar, por mostrar a opressão que o País vivia, por meio de uma professora do ensino fundamental. “A temática ainda continua forte. A peça fala dessa opressão que está em volta das pessoas e elas nem percebem. Hoje, distante da ditadura militar, outras formas de ditadura estão presentes mas são veladas, como a da moda, do comportamento”, compara Arce.

Mesmo com outras leituras, ele diz que a estrutura da peça não foi alterada, apenas alguns trechos foram suprimidos. A comunicação direta do texto fez com que, ao longo dos anos, várias montagens fossem feitas em pontos diferentes do planeta, como França, Grécia, Argentina, Estados Unidos, entre outros.
Roberto Athayde estreou na dramaturgia com esse texto – na época tinha 22 anos. A primeira montagem contou com Marília Pêra atuando e Aderbal Freire-Filho dirigindo.

Para dirigir a atual versão, Arce Correia contou com a participação do baiano João Lima, que tem participação ativa na cena teatral de Salvador. Esta será a primeira atuação solo de Arce num espetáculo. “Já fiz muitas coisas em teatro, seja atuando, dirigindo, mas sozinho será a primeira vez que atuo”. Depois de Campo Grande, o espetáculo será encenado no dia 29 de maio, em Corumbá. Na sequência, Dourados aparece no roteiro, mas sem data exata, provavelmente em junho. Em julho, estão confirmados os dias 12 e 13, em  Brasília. Também acontecerão apresentações em Goiânia e Cuiabá, mas sem datas definidas. “Depois queremos levar a peça para festivais e outros eventos”, planeja Arce.
As sessões, hoje e amanhã, serão acompanhadas pelo autor do texto que, depois das apresentações, participará de bate-papo com o público.

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