Sexta, 24 de Novembro de 2017

Bichos

Araras migram para a cidade em busca de alimento

4 FEV 2010Por MICHELLE ROSSI23h:05
Os poetas não se cansam em referenciar o céu de Campo Grande como um dos mais bonitos do mundo, mas agora, além da beleza do nascer ou pôr do sol, e da lua que ilumina as noites da Capital, também ilustres moradoras da cidade, as exuberantes araras, ajudam a embelezar o nosso céu com seus voos cada vez mais perceptíveis. Poucas pesquisas foram real izadas sobre a espécie na cidade. O que se sabe, por enquanto, é que existem araras-canindé e vermelhas em Campo Grande, e que elas migraram para cá há pelo menos 10 anos, sendo o fator principal desta migração a pouca oferta de alimentos no meio rural e, consequentemente, mais opções no meio urbano. Atraídas pelo alimento, se estabeleceram aqui e até se reproduzem na cidade. Um trabalho recentemente defendido como monografia de graduação teve como objetivo investigar que tipo de alimentos as araras estão ingerindo na cidade. O foco da pesquisa foi apenas nas araras canindé e assinado pela bióloga Angelita Montaño, que se formou em dezembro do ano passado na Universidade Anhanguera- Uniderp. De acordo com Angelita, o levantamento foi realizado por meio de dados, vestígios, e observação direta nos locais de alimentação. “Identifiquei e registrei em planilha de monitoramento e fotografia digital as espécies vegetais que foram consumidas pelas araras-cánindé; em seguida, demarquei os locais de alimentação encontrados com GPS e coloquei os dados em um mapa”, conta a bióloga, que realizou a pesquisa entre os meses de fevereiro e outubro do ano passado. Foram reg i st rados 46 pontos de a l imentação e ident i ficadas 15 espécies vegeta is. As ma is consumidas foram os frutos de bocaiuva, buriti, manga e sete-copas. “Os resultados deste estudo indicam que as araras estão consumindo tanto plantas nativas do cerrado quanto exóticas ou introduzidas”. Na pesquisa foi percebido, ainda, que as araras-canindé comem tanto as sementes quanto a polpa dos frutos, sendo a semente o item mais consumido. “Essas aves, pertencentes à família Psittacidae, normalmente desprezam a casca”, diz. Angelita acredita que a arborização de Campo Grande, com áreas relativamente conservadas e com diferentes espécies frutíferas, tem mantido grupos de araras-canindé durante o ano inteiro, inclusive nos períodos de reprodução. “Desejo que esta pesquisa contribua não só com o conhecimento da biologia desta espécie, mas também para a sua conservação”. Ela ressaltou a importância de se propor alternativas sustentáveis de aproveitamento dos recursos naturais, como os itens ofertados por estas árvores frutíferas, associados ao au x í l io da conservação e fauna remanescente relativa ao plano de arborização da cidade. “Algumas árvores exploradas pelas araras-canindé que identifiquei já foram cortadas”, alerta.

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