Terça, 21 de Novembro de 2017

Após embargo, frigorífico demite 180

11 SET 2010Por 09h:13
VERA HALFEN

O frigorífico JBS-Bertin, de Campo Grande, demitiu ontem 180 funcionários da área industrial. A notícia chega logo após o comunicado da Rússia, feito na última quarta-feira, da suspensão da compra de carne do Brasil, incluindo a unidade do grupo na Capital. A demissão atinge 9% dos 2 mil funcionários da empresa nos dois abatedouros situados no município.
Para o presidente da Associação de Matadouros, Frigoríficos e Distribuidores de Carne do Estado de MS (Assocarnes), João Alberto Dias, as demissões culminam com uma série de fatores que já vem ocorrendo: a seca prolongada, a falta de gado para abate e a suspensão da compra de carne pela Rússia.
Esse quadro abala a funcionalidade das plantas e a estrutura da companhia, segundo Dias.
A companhia JBS não se manifestou, nesta sexta-feira, sobre as demissões. No entanto, o grupo, segundo fontes não oficiais, está trabalhando para reverter o quadro e voltar a ser habilitado para vender carne bovina aos russos.
Em Cáceres (MT) – a 250 quilômetros de Cuiabá – pelo menos 300 dos 700 funcionários foram demitidos. O frigorífico começa a assinar as rescisões na próxima semana. A concretização das demissões passa a ser um indicativo de que a anunciada paralisação, por 90 dias, deverá se estender por prazo maior.
O presidente do sindicato, João Neto, conta que entre os motivos estaria a falta de retorno financeiro no mercado interno, já que a unidade não tem habilitação para exportação. A desativação deve ser revista pelo JBS no início do próximo ano. A planta de Cáceres é uma das nove unidades do grupo no Mato Grosso e tem capacidade para abate de até 600 animais/dia.
Político
Já para o presidente do Sindicato dos Trabalhadores nas Indústrias de Carnes e Derivados de Campo Grande - STICCG, Vilson Gimenes Gregório, a causa das demissões na Capital foi política. O grupo estaria adotando retaliações para evitar a paralisação dos trabalhadores. Já a planta localizada em Naviraí – que emprega mais de 1.800 funcionários – não registrou demissões, segundo o sindicato.

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