Cidades

Brasil/Mundo

Após 3 anos, Lei Seca não reduz o nº de mortes no trânsito

Após 3 anos, Lei Seca não reduz o nº de mortes no trânsito

terra

20/06/2011 - 06h00
Continue lendo...

Apesar do número de apreensões e atuações ter aumentado com a implantação da Lei Seca há exatos três anos, no dia 19 de junho de 2008, o número de mortes e acidentes não seguiu a mesma tendência em oito das maiores capitais brasileiras, segundo levantamento.

O Brasil ocupa o quinto lugar no ranking mundial de países recordistas em acidentes de trânsito, com 38 mil mortes por ano, atrás de nações como a Índia, China, EUA e Rússia.

Foram solicitadas informações sobre o número de mortos e apreensões feitas nos três anos de implantação pelos órgãos responsáveis pela fiscalização nas cidades de São Paulo, Rio de Janeiro, Salvador (BA), Curitiba (PR), Manaus (AM), Fortaleza (CE), Recife (PE), Porto Alegre (RS), Belo Horizonte (MG) e Distrito Federal.

Apesar das cidades de São Paulo e Manaus não terem respondido às solicitações sobre os dados feitas pelo Terra, e algumas não terem dados atualizados disponíveis, é possível constatar que até em locais onde a fiscalização é contínua, o número de mortos em alguns casos chegou aos mesmos patamares de antes da lei seca.

Além disso, em São Paulo, Rio de Janeiro e Distrito Federal, o Twitter é usado como arma contra a fiscalização, e os motoristas usam a rede para anunciar onde estão ocorrendo as blitze.

Rio de Janeiro
No Rio de Janeiro, a campanha chamada Operação Lei Seca foi lançada em março de 2009. Em 2007, morreram 983 pessoas em acidentes ocorridos na capital fluminense. Esse número caiu para 874 em 2008, e seguiu a tendência de queda em 2009, com 676 (2009), mas subiu em 2010 com 679 mortes, segundo dados da ONG Rio Como Vamos. Em 2011, esse número já chegou a 147 nos três primeiros meses do ano.

A Operação Lei Seca é realizada na capital e região metropolitana desde março de 2009. Deste então, 501.696 motoristas foram abordados, 87.264 foram multados, 22.849 veículos foram rebocados e 37.495 motoristas tiveram a carteira de habilitação apreendida. Dos 470.260 testes com o bafômetro realizados, 4.435 condutores sofreram sanções administrativas e 1.610, criminais.

Salvador
Segundo dados da Transalvador, no ano de implantação da lei seca o número de mortos em acidentes de trânsito na capital baiana foi de 224 pessoas, oito vidas a menos que em 2007. No entanto, já no ano seguinte à implantação da lei, as mortes subiram para 234 (2009) e 266 (2010). Até março de 2011, 33 pessoas já haviam morrido.

Fortaleza
Os dados mais recentes do número de mortos na cidade de Fortaleza disponíveis datam de janeiro a junho de 2010, quando 151 pessoas morreram. Nesse mesmo período, o total de mortos no Estado foi de 779. Nos anos anteriores, o total de vítimas fatais baixou de 1.437 (2007), para 1.405 (2008) e 1.153 (2009).

Sobre a fiscalização, os dados mais recentes são de dezembro de 2010, quando foram apreendidas 4.434 habilitações de motoristas que dirigiam sob efeito de bebida alcoólica. As fiscalizações são feitas pelo Detran-CE em parceria com a Polícia Militar, mas não existe campanha específica de repressão. A direção sob influência de álcool representa 10,26% das autuações feitas pela polícia. No ano de 2009, 11.244 motoristas foram flagrados sob influência de bebidas alcoólicas ao volante.

Curitiba
De acordo com informações do Batalhão de Polícia de Trânsito, o número de condutores envolvidos em acidentes de trânsito que apresentavam sinais de embriaguez foi de 637, em 2007, subiu para 646, em 2008, e apresentou queda nos anos seguintes, com 582 ocorrências, em 2009, e 477, em 2010.

No entanto, o número de mortes não sofreu a mesma queda. Em 2010, 91 pessoas morreram em acidentes de trânsito, o mesmo número registrado antes da lei seca, em 2007. O pico das mortes foi registrado em 2008, com 98 mortes, mas baixou para 72 vítimas fatais em 2009.

Apesar do número de mortes ter sido menor em 2009, neste ano ocorreram 416 mais acidentes do que em 2010. Em 2008, ocorreram 10.949 acidentes e, em 2007, esse número foi de 11.656.

Recife
No Recife, as operações são realizadas diariamente, com exceção das segundas-feiras. Desde 2008, 1.884 motoristas foram autuados após serem flagrados no bafômetro, número que foi crescendo no decorrer dos anos: 273 (2008), 713 (2009), 714 (2010), 976 (2011). Nesse período, foram recolhidas 10.676 CNHs - 859 (2008), 4.051 (2009), 4.861 (2010) e 905 (2011). Os dados referem até o mês de março deste ano.

Porto Alegre
Na cidade de Porto Alegre, o número de mortos em acidentes de trânsito foi de 157 em 2010, segundo dados no Detran-RS. Em 2009, as mortes somavam 193, e, até maio de 2011, 57 pessoa já haviam morrido. Segundo a Polícia Militar, de janeiro a junho de 2011, 64 pessoas foram autuadas por dirigirem embriagadas, e outras 145 foram autuadas por embriaguez.

Belo Horizonte
Segundo a Secretaria de Defesa Social, nos dois primeiros anos de aplicação da Lei Seca, ocorreram mais de 4 mil apreensões de motoristas suspeitos de embriaguez ao volante. Em 2008, foram 1.132 apreensões de motoristas. No ano seguinte, foram registradas 2.252 ocorrências que resultaram em detenção. Em 2010, 28 motoristas tiveram a carteira cassada e 4.351 tiveram o documento suspendido. Segundo o Mapa da Violência no Trânsito, estudo compilado pelo Instituto Sangari - divulgado em fevereiro de 2011 -, no ano da implantação da Lei Seca, 4.001 pessoas haviam morrido em acidentes de trânsito em Minas Gerais.

Distrito Federal
Na capital do País, o número de acidentes fatais e mortes no trânsito apresentou uma redução significativa no primeiro ano após a entrada em vigor da Lei Seca. Nos anos seguintes, contudo, as estatísticas voltaram a apresentar aumento gradativo dos acidentes e óbitos.

Os números verificados no período entre 20 de junho de 2007 e 19 de junho de 2008, portanto antes da lei, foram de 462 acidentes fatais e 500 pessoas mortas. No período imediatamente seguinte à sanção da nova legislação, os acidentes passaram para 384 (redução de 16,9%) e as mortes, para 422 (queda de 15,6%). Já no segundo ano da Lei Seca, entre junho de 2009 e junho de 2010, o número de acidentes passou para 402 e o de mortes chegou a 442. Em relação ao período anterior à lei, a queda foi de 13% e 11,6%, respectivamente.

O terceiro ano posterior à nova legislação, período compreendido entre 20 de junho de 2010 e 5 de junho de 2011, foram registrados 417 acidentes fatais e 453 mortes, reduzindo os percentuais de queda em comparação ao ano anterior à lei para 9,7% e 9,4%, respectivamente.

As infrações registradas por embriaguez totalizaram 1.008 em 2007, 2.668 em 2008, 6.838 em 2009, 10.002 em 2010 e, até junho deste ano, já somam 5.127. Para o Departamento de Trânsito do DF, fatores como o aumento da frota de veículos em circulação e do número de condutores habilitados explicam o aumento nos números.

AMEAÇA

Mulher pega arma de capitão do Corpo de Bombeiros após acidente de trânsito

A condutora afirma ter agido dessa forma por receio de que o militar efetuasse disparos contra seus familiares

02/02/2026 17h45

Ambos os condutores apresentavam sinais de embriaguez

Ambos os condutores apresentavam sinais de embriaguez Divulgação: Polícia Civil

Continue Lendo...

Um acidente de trânsito envolvendo dois veículos, entre uma mulher identificada como Jussimara Teixeira, de 39 anos, e o capitão do Corpo de Bombeiros Militar, Alex Fernandes, de 46, ocorreu no cruzamento entre as ruas Petrópolis com a Avenida Prefeito Lúdio Martins Coelho, no Conjunto União, em Campo Grande. 

Antes da chegada dos policiais ao local, os envolvidos teriam ido até a Rua das Maria Luiza Moraes, onde Alex mora, com o intuito de tentar firmar um acordo amigável.

A equipe policial, então, deslocou-se até o endereço, onde encontrou os envolvidos discutindo de forma calorosa.

Segundo relato de Jussimara, ela trafegava pela Rua Melvin Jones, no sentido oeste/leste, quando veio a colidir transversalmente com o veículo de Alex, que trafegava pela Avenida Prefeito Lúdio Martins Coelho, no sentido sul/norte.

A mulher conta  que após a colisão, Alex propôs que ambos se deslocassem até sua residência para tentarem um acordo amigável. As partes deslocaram, então, para a Rua das Maria Luiza Moraes, contudo, em dado momento, o homem passou a se exaltar, elevando o tom de voz e adotando postura agressiva.

Jussimara informou, ainda, que Alex teria chamado seu esposo, Saulo David Nantes Pimenta, para definir o valor a ser transferido no acordo.

Relatou que, em determinado momento, abriu a porta do veículo de Alex e, em seguida, pegou uma arma de fogo no porta-luvas, afirmando ter agido dessa forma por receio de que o bombeiro efetuasse disparos contra seus familiares.

A arma foi entregue espontaneamente à equipe policial por Jussimara, tratando-se de uma pistola, calibre .380.

Durante a coleta de dados, houve uma discussão, na qual Alex passou a alegar que a condutora estaria tentando extorquí-lo, exigindo a quantia de R$ 10 mil, fato que, segundo ele, teria motivado o desentendimento.

Em dado momento, Alex passou a proferir ofensas e ameaças contra o o sobrinho de Jussimara, identificado como Leandro Kaue Teixeira Silva.

Os policiais identificaram que ambos os envolvidos no acidente apresentavam visíveis sinais de embriaguez, tais como comportamento agressivo, odor etílico, olhos avermelhados e fala arrastada. Os dois se recusaram a fazer o teste do etilômetro.

Os envolvidos foram levados até a Delegacia de Polícia. Os veículos foram liberados para terceiros, como o sobrinho de Jussimara e a um homem chamado Rafael Evangelista. O armamento foi entregue para a Polícia Civil.

Assine o Correio do Estado

Cidades

Adriane estuda reduzir IPTU na área central

Em meio à possibilidade de derrubada do veto à taxa do lixo, o Executivo Municipal informou que estuda reduzir o imposto, em uma tentativa de atrair comerciantes

02/02/2026 17h22

Crédito: Marcelo Victor / Correio do Estado

Continue Lendo...

Durante a sessão solene inaugural na Câmara Municipal, que marcou a abertura dos trabalhos legislativos de 2026, nesta segunda-feira (2), a prefeita Adriane Lopes (PP) afirmou que não descarta a possibilidade de reduzir o Imposto sobre a Propriedade Predial e Territorial Urbana (IPTU) na região central.

A declaração ocorre em um momento em que os vereadores devem pautar, na primeira sessão do ano, a possível derrubada do veto do Executivo Municipal que manteve a cobrança da Taxa do Lixo.

Em coletiva, Adriane pontuou que existe um estudo, em andamento há mais de um ano, que trata da possibilidade de diminuição do IPTU na região central, o que poderia atrair de volta tanto comerciantes quanto moradores.

“É um assunto de grande interesse. Nossos auditores estão estudando isso há mais de um ano. As grandes cidades do país já passaram por essa transformação no centro, para que pudéssemos ter novos moradores na região, e eu não descarto a possibilidade de, sendo o estudo viável, implantar também em Campo Grande”, afirmou Adriane.

Como acompanhou o Correio do Estado, na sessão ordinária desta terça-feira (3), Adriane Lopes espera que os vereadores mantenham o veto, sem descartar, ainda, recorrer à Justiça, se necessário.

Esvaziamento

Em maio de 2025, segundo dados da Polícia Militar, o centro de Campo Grande contabilizava 291 imóveis abandonados, indicando o esvaziamento da região.

São espaços desocupados visíveis nas principais ruas comerciais do centro da Capital, com diversas placas de “aluga-se” espalhadas.

O principal fator apontado para a saída de comerciantes da região foi o alto valor dos aluguéis dos estabelecimentos.

Outra situação ocorreu com a reforma do Centro e a pandemia, que afastaram consumidores e, ao mesmo tempo, fortaleceram o comércio de bairro em diferentes regiões de Campo Grande, inclusive atraindo lojistas da área central para essas localidades.

Inicialmente, a revitalização da Rua 14 de Julho, anunciada em 2019, animou comerciantes e a população; entretanto, o que acabou ocorrendo foi o fechamento de vários estabelecimentos comerciais.

Esse movimento pode ter desestimulado a população a frequentar o centro, uma vez que a diversidade de negócios nos bairros reduziu a necessidade de deslocamento até a região central para compras ou outros serviços.

Para se ter ideia, conforme levantamento da Associação Comercial e Industrial de Campo Grande (ACICG), realizado em 2017, cerca de 200 comércios estavam fechados no quadrilátero compreendido pelas ruas Rui Barbosa e Calógeras, e pelas avenidas Fernando Corrêa da Costa e Mato Grosso.

Outro lado

Por meio de nota a Associação Comercial, avaliou que apenas a redução do imposto predial não é o suficiente para resolver o esvaziamento da região central.

Confira a nota na íntegra:

"A Associação Comercial e Industrial de Campo Grande avalia que a redução geral do IPTU, por si só, não soluciona o esvaziamento da região central. Para a entidade, esse estímulo seria mais eficaz se houvesse a redução do imposto para imóveis ocupados e em funcionamento somente, como forma de incentivar a ocupação e fortalecer o comércio no Centro".

Assine o Correio do Estado

NEWSLETTER

Fique sempre bem informado com as notícias mais importantes do MS, do Brasil e do mundo.

Fique Ligado

Para evitar que a nossa resposta seja recebida como SPAM, adicione endereço de

e-mail [email protected] na lista de remetentes confiáveis do seu e-mail (whitelist).