Domingo, 19 de Novembro de 2017

Apesar de inverno, infestação da dengue está alta em sete bairros

20 JUL 2010Por 08h:23
anahi zurutuza

Apesar da chegada do inverno, quando geralmente há diminuição no número de casos de dengue, sete bairros de Campo Grande estão com índices considerados altos de infestação do mosquito transmissor da doença. Conforme levantamento feito pelo Centro de Controle de Zoonoses (CCZ), os bairros Cruzeiro, Monte Líbano, São Bento, Itanhangá Park, Jardim Bela Vista, Vila Carvalho e Vila Glória são os campeões em focos do inseto. Em todos eles o índice de infestação ficou em 1,5, ou seja, acima do que é aceitável pelo Ministério da Saúde, já que o órgão estabelece como limite máximo o índice 1.
Todos os sete bairros estão localizados no centro da Capital, sendo que quatro destes são considerados nobres (Monte Líbano, São Bento  Itanhangá Park e Jardim Bela Vista). Além dos bairros que estão com alto índice de infestação, outros 17, a maioria situados na região sul da cidade, figuram na lista de localidades que preocupam a Secretaria Municipal de Saúde Pública (Sesau), embora tenham registrado índices abaixo de 1. (veja infográfico)
Segundo o responsável pelo serviço de controle de vetores do CCZ, Mauro Lúcio Rosário, a situação é atípica. “Nessa época do ano, pelo fato do tempo ser mais seco e frio, é difícil encontrarmos focos do Aedes aeypti (mosquito da dengue). Os índices são preocupantes, porque saíram dos padrões da normalidade”.
Para o técnico, a população ainda é resistente a mudar hábitos para evitar a proliferação do mosquito. “A insistência de algumas pessoas em manter depósitos com água em casa é ainda o grande facilitador da proliferação do mosquito transmissor da dengue na Capital. Fazemos seis visitas anuais em cada imóvel de Campo Grande, quando além de vistoriar os agentes de saúde fazem também o trabalho de orientação. As pessoas sabem o que se deve fazer, mas não transformam o conhecimento em ação”.
Segundo Mauro, com o resultado da pesquisa em mãos,  o CCZ vai redobrar a atenção e atividades de combate à dengue nos bairros campeões em focos.

Levantamento
O Levantamento de Índice Rápido de Aedes aegypti (LIRAa) foi realizado entre os dia 5 e 9 de julho e o relatório divulgado ontem pela Sesau. A finalidade da pesquisa é identificar os focos do mosquito da dengue e, com base na estatística, calcular o índice de infestação em cada região da cidade.
A pesquisa é realizada por amostragem, por isso, foram sorteados cerca de 13.293 dos 317.272 imóveis existentes na área urbana da Capital. Campo Grande é divida pelo técnicos em 31 extratos (micro-regiões) e em cada localidade são vistoriadas, em média, 400 casas. Com base na quantidade de imóveis irregulares é calculado o índice daquele bairro. O resultado é enviado para controle do Ministério da Saúde e também serve para guiar as ações de combate à dengue promovidas pela Sesau.
Casos
Campo Grande é responsável por pouco mais da metade dos casos de dengue registrados em Mato Grosso do Sul (77.986). De acordo com o último boletim da Secretaria de Estado de Saúde (SES), de janeiro a junho deste ano, a Capital teve 39.168 vítimas da dengue.

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