Domingo, 19 de Novembro de 2017

Ano dez, tolerância zero?

25 JAN 2010Por LAIS DORIA08h:20
Não posso começar a escrever esse artigo sem deixar de falar mais uma vez na tragédia do Haiti, na morte de milhares de pessoas inocentes, entre elas, uma que sempre admirei e respeitei muito, uma verdadeira “missionária “ da paz , Dra. Zilda Arns. Será que ela precisou morrer para que o mundo todo se voltasse ao Haiti e as causas sociais? O mundo todo se voltasse a um pais onde o ciclo de corrupção, violência e miséria ainda não acabou. Será que não está na hora de olharmos para todos o “Haitis“ do mundo, que também “terremoteiam” e ainda sofrem de corrupção, violência e miséria? Não é significativo morrer também dois chefes da ONU, cuja missão era a da paz ? Onde está a nossa paz? Tal como o Haiti, o Brasil também não interrompeu seu ciclo de corrupção, violência e miséria. E muito me preocupa esse ano 2010, ano dez. Pois, com todas essas tragédias de início de ano que estão acontecendo (ainda tenho na memória o Bateau Mouche), este ano será tambem de novas eleições e da Copa. Será realmente mais um ano novo ou ano novo que começa velho, onde tudo ainda continua escondido nas “cuecas” ou debaixo dos colchões? Será que entra ano, sai ano, e tudo vai continuar do mesmo jeito? O descaso com a educação, a saúde e a cultura, a miséria continuará, e com ela a fome, as vendas dos votos, as antigas epidemias de verão não resolvidas, as grandes inundações, os morros que continuam a desabar (vide o desastre em Angra), o descaso com o meio ambiente (“Chuvas podem provocar a maior enchente do século no Pantanal neste ano”), a camada de ozônio que ja sinaliza problemas ambientais sérios no mundo inteiro (maiores nevascas, etc...) Hum, a lista é enorme!... Com a corrupção continuarão as brigas pelo poder, pelo sucesso e pelo dinheiro a qualquer preço? Já dizia o sábio dramaturgo alemão Bertolt Brecht : “O homem ajuda o homem?” Com a violência continuarão os assaltos, as brigas no trânsito, nos aeroportos, nas ruas, nos trabalhos, nas casas, nos parques, nas festas, nos bares... Será que neste ano dez é também o ano da tolerância zero? Pois vejo no dia a dia pessoas cada vez mais agressivas, cada vez mais impacientes e cada vez mais egoístas. Percebe-se que o tempo não é mais o mesmo, pois não se tem mais tempo para nada, ou melhor, não se consegue eleger as prioridades no tempo. Por onde vamos, onde vamos correndo tanto, brigando tanto? Para que férias, se as pessoas voltam iguais, até mais estressadas? Por que? Para quê? Será que a morte da Dra. Zilda não é uma parada para pensar em tudo isso? Será que ela não aconteceu para darmos um basta nisso tudo ? Para olharmos não mais além dos nossos umbigos, mas para o lado, para cima, para atrás, para baixo, para dentro, para fora, para o mundo? Ainda existe a lei do “Gerson”? Chega de levar vantagens em tudo, de passar na frente dos outros furando filas, dos cartões vermelhos, amarelos, verdes, azuis, ouros, diamantes, etc... Isso não importa mais. As prioridades sempre foram e devem continuar a ser para as gestantes, as crianças, os idosos e enfermos. Mas agora isso mudou. Além deles, vem o poder do capital exacerbado. Mas, para quê? Afinal, não vamos todos para o mesmo lugar? O que é bom para nós, também pode ser bom para todos. Falar é fazer, não precisamos mais ouvir discursos vazios, demagogos e ocos. ”Faça o que falo, mas não o que faço”. Está no hora de sermos um pouco mais missionários da paz. Cada um com seu credo, com seu jeito, mas leitando por um mundo de paz, um mundo melhor, mais justo, mais ético e mais digno. Bem-vindos ao ano dez, mas com tolerância dez também! Mais uma utopia? E como diz meu mestre Manoel de Barros: “Só as coisas pequenas me celestam”.

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