Quinta, 23 de Novembro de 2017

André recita Camões para indicar o seu futuro eleitoral

26 FEV 2010Por 06h:25
Para responder às indagações sobre seu rumo na sucessão presidencial, o governador André Puccinelli (PMDB) recitou ontem poesia de Luiz Vaz de Camões, que trata de amor platônico e não realizado. Desde o início do ano, o governador vem se esquivando dos questionamentos de política e promete falar do assunto só a partir do dia 31 de março. Mas geralmente responde a algumas perguntas que acabam provocando polêmica. O curioso é o tema tratado na poesia que remete a comparações sobre sua posição na sucessão presidencial. A poesia declamada ontem, comentou um deputado – pediu para não ser identificado – pode ser facilmente relacionada a sua postura com a candidatura da ministra Dilma Rousseff (PT) a presidente da República. Por diversas vezes, Puccinelli declarou- se o noivo à espera da noiva, no caso, Dilma. Porém, condiciona seu “casamento” à retirada da candidatura do ex-governador José Orcírio dos Santos (PT) na sucessão estadual. “Não te esqueças daquele amor ardente, que já nos olhos meus tão puro viste”, diz a poesia. A questão é que a amada, relatada na poesia, morreu condenando o amante a viver triste eternamente. “Alma minha gentil, que te partiste tão cedo desta vida descontente, repousa lá no céu eternamente, e viva eu cá na terra sempre triste”, diz a primeira estrofe da poesia. Diante do final infeliz dos amantes, o governador pode ter indicado, segundo o parlamentar, a sua intenção de acabar no palanque do governador de São Paulo, José Serra, virtual candidato do PSDB a presidente da República. O tom poético não acabou por aí. Puccinelli voltou a recitar poesia, dizendo que “ficarei com o que me retribuir o amor ardente, que já nos olhos meus tão puro viste”. Segundo a sua assessoria de imprensa, a declaração refere- se à intenção do governador de aliar-se ao candidato que apresentar melhor projeto para Mato Grosso do Sul.

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