Terça, 21 de Novembro de 2017

André faz encontro sigiloso com Serra para discutir apoio

28 MAI 2010Por 06h:19
lidiane kober

O governador André Puccinelli (PMDB) teve encontro sigiloso, ontem, com o pré-candidato a presidente da República José Serra (PSDB), em São Paulo, para discutir aliança na sucessão presidencial. O mistério se deve ao fato de o governador não querer entrar em confronto com o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), que quer seu apoio à ex-ministra Dilma Rousseff (PT), e com a cúpula nacional do PMDB. O presidente regional do PSDB, deputado estadual  Reinaldo Azambuja, também, participou da reunião. Mas esquivou-se de confirmar o encontro de Puccinelli com Serra.

A conversa entre os dois foi planejada na semana passada no gabinete de Puccinelli. Na ocasião, por telefone, Azambuja marcou a reunião para as 10 horas (horário de Brasília) de ontem, no apartamento de Serra. Com a desculpa de participar do 5º Salão de Turismo — Roteiros do Brasil, o presidente regional do PSDB e o governador foram a São Paulo. Por causa de agenda prevista no período da tarde de ontem em Corumbá, antes de confirmar o encontro com o tucano, Puccinelli até calculou o tempo necessário para se deslocar de São Paulo ao município sul-mato-grossense.  

Em território paulista, o governador e o deputado encontraram-se com a senadora Marisa Serrano (PSDB) e o pré-candidato tucano para discutir a eleição presidencial. Indagado sobre os detalhes da conversa, Azambuja negou o encontro de Puccinelli com Serra. “O que teve foi uma reunião minha e da Marisa com o Serra”, declarou.

Segundo o presidente regional do PSDB, no encontro foi discutido o atual cenário político. “Destacamos que, de 0 a 10, 9 são as chances de reeditarmos a aliança com o PMDB no Estado”, contou. “Estamos avançado cada dia mais. Só resta fechar os últimos detalhes em relação à candidatura do Murilo Zauith (vice-governador) ao Senado e as composições das chapas proporcionais”, completou.

Por outro lado, lideranças do Bloco Democrático Reformista (BDR), formado pelo PSDB, DEM e PPS, confirmaram o encontro de Puccinelli com Serra. Segundo eles, o sigilo de Azambuja foi necessário para não “tumultuar a vida” do governador, que se comprometeu a definir seu destino apenas depois de conversar com Lula. Em recente visita a Ponta Porã, o presidente avisou ao peemedebista que iria convocá-lo para discutir, ao lado do presidente nacional do PMDB, deputado federal Michel Temer, sua posição na sucessão presidencial.

Além do compromisso firmado com Lula, Puccinelli enfrenta a resistência da direção nacional, que trabalha para a aliança com o PT se reproduzir nos estados. Contudo, Puccinelli resiste à pressão e deve firmar parceria com Serra, conforme anteciparam o presidente regional do PMDB, Esacheu Nascimento, e o deputado federal Waldemir Moka. Segundo eles, a candidatura de José Orcírio dos Santos (PT) ao Governo do Estado é barreira intransponível para unir PT com PMDB em Mato Grosso do Sul.

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