Domingo, 19 de Novembro de 2017

Ampliação pelo País é positiva e organização quer atrair novos públicos

10 AGO 2010Por 06h:43
OSCAR ROCHA

O Vídeo Índio Brasil (VIB), que encerrou sua terceira edição no último sábado, atingindo 111 cidades brasileiras, em todos os estados, tem a perspectiva de aumentar a área de atuação para o próximo ano. A data de realização foi definida – de 19 a 24 de abril de 2011. “Queremos ampliar os pontos de exibição a partir do sucesso deste ano”, planeja Pedro Ortale, um dos organizadores. “Os relatórios em termos de público ainda estão sendo fechados, mas somente em Campo Grande cerca de três mil pessoas acompanharam a programação”, anuncia. A perspectiva é de que o número pelo País ultrapasse 100 mil espectadores. “Nacionalmente, as notícias que recebemos sobre a recepção do projeto são positivas. Nos próximos dias poderemos  fechar os números de participantes”.
Algumas avaliações feitas a partir da programação deste ano apontam para a possibilidade do aumento da participação da comunidade universitária no projeto. Por isso, se buscará aproximação com o calendário das instituições de ensino. Outro grupo de espectadores que pode ter mais atenção entre as atrações em 2011 é o da criança e adolescente. “No espaço Oca Multiétnica que montamos em frente ao Cine Cultura, duas escolas foram, de forma espontânea, assistir aos filmes. O resultado foi excelente. Estudaremos uma forma de nos aproximar mais ainda desse público”, planeja Pedro Ortale.
Ainda se procurará, para o próximo ano, transmitir os debates e seminários pela internet. Quanto ao patrocínio, a organização do evento pretende participar de vários editais públicos que preveem recursos para esse tipo de iniciativa.
Para o diretor-geral do festival, Nilson Rodrigues, o evento conseguiu destacar a temática indígena em pontos diferentes do Brasil. “Alcançamos um grande público e colocamos as imagens e as questões dos indígenas para todo o País. Houve também uma grande cobertura da imprensa, o que ajudou a multiplicar a nossa mensagem”.
Para encerrar o Vídeo Índio Brasil em 2010, uma cerimônia foi realizada no Cine Cultura e reuniu o público mais os alunos da oficina do projeto deste ano – 27 índios de Mato Grosso do Sul e Mato Grosso, que aprenderam durante uma semana técnicas de produção audiovisual. Todos receberam diploma de conclusão de curso; ainda no sábado foram exibidos seis curtas-metragens produzidos pelos alunos da oficina.  

Doação
A Oca Multiétnica, construída em frente ao CineCultura para ser uma extensão da sala de cinema nos dias de Vídeo Índio Brasil, foi doada oficialmente na cerimônia de encerramento do VIB para a Associação das Mulheres Artesãs de Campo Grande, representada por sua presidente Élida Terena. A oca será utilizada para difundir as culturas indígenas e funcionará na associação, localizada na Rua Adventor Divino de Almeida, 167, Bairro Jardim Noroeste.
Como último ato da cerimônia, foi apresentada a dança sagrada dos guaranis-kaiowás, da Aldeia Urbana Água Bonita, em Campo Grande.
Vincent Carelli, coordenador do Vídeo nas Aldeias, projeto que completará 25 anos em 2011 e produz audiovisual nas comunidades indígenas de todo o Brasil – já são 70 vídeos – destacou a importância do Vídeo Índio Brasil como difusor dos conteúdos. “Eu fiquei perplexo com a expansão que o projeto teve nesse ano, ao saber que ele estaria em mais de cem cidades do País. É interessante que num Estado como Mato Grosso do Sul, com clima tão adverso para os índios, nasça uma iniciativa com esse vigor”, observou Carelli, vencedor do Festival de Gramado de 2009 na categoria Melhor Filme, com “Corumbiara” – também exibido no VIB.

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