Sexta, 24 de Novembro de 2017

Manifesta;'ao

Amigos e assentados protestam contra a prisão de superintendente

1 SET 2010Por 06h:30
DANIELLA ARRUDA

Parentes, amigos, líderes comunitários e assentados realizaram ontem pela manhã, manifestação em frente ao prédio da Superintendência da Polícia Federal em Campo Grande, para prestar apoio  ao então superintendente regional do Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária (Incra) em Mato Grosso do Sul, Waldir Cipriano Nascimento, preso anteontem durante a Operação Tellus, que investiga esquema de fraudes em processos da reforma agrária no Estado. O grupo iniciou o protesto às 9h e por volta das 11h, Waldir foi transferido da Capital para Naviraí, onde foi ouvido no período da tarde pela delegacia da PF, que coordena as investigações.
Os manifestantes questionaram a forma como a prisão de Waldir foi divulgada por alguns veículos de imprensa e exibiram cópia do mandado de prisão temporária (com duração de cinco dias) do superintendente, que foi exonerado, assinada pelo juiz federal Joaquim Eurípedes Alves Pinto, no qual consta que “conquanto haja indícios da participação dele no crime de quadrilha, não  há uma prova fulcral, até nesse momento, que aponte Waldir como co-autor de outros crimes, diferentemente do que ocorre em relação a outros investigados em que os fatos estão estampados e claros”.
“Ele foi detido para ser ouvido, mas a forma como ocorreu a prisão, como as coisas aconteceram, nos assusta. Somente hoje (ontem), às 10h, os advogados dele conseguiram ter acesso ao processo da Polícia Federal”, comentou a sobrinha de Waldir, Paula Nascimento.
Para os manifestantes, o ex-superintendente do Incra
estaria sendo alvo de perseguição de grupos contrários dentro do órgão regional. “Nós entendemos que há algum tempo o Waldir foi para dentro do Incra, para resolver uma situação de irregularidades e quando ele começou a resolver, fizeram uma armação contra ele”, disse uma líder comunitária, que preferiu não se identificar.
Oséias Gomes do Nascimento, que já foi presidente da Associação do Assentamento Santa Mônica, em Terenos, disse não conhecer pessoalmente Waldir, mas também participou da manifestação de ontem, para pedir justiça. Ele mencionou que três anos atrás, antes de Waldir Cipriano assumir a superintendência regional do Incra, denunciou ao Ministério Público Estadual a existência de um suposto esquema de desvio de verbas pelo Incra regional; por esse motivo, sofreu retaliação e perdeu o lote que ocupava para outra pessoa, um empresário que reside em Campo Grande.

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