Sexta, 17 de Novembro de 2017

Amélias modernas

8 MAR 2010Por 09h:25
Em vez de “pilotar” o fogão, elas pilotam carrões. As “Amélias modernas” têm outro perfil. Nada de ficar cuidando da casa – apenas gerenciam. Dividem o dia acompanhando os filhos e cuidando de si mesmas. Levam e buscam as crianças na escola e em atividades extracurriculares; têm aulas personalizadas de ginástica, tempo para fazer massagens, tratamentos estéticos e ir com tranquilidade ao salão de beleza. Podem se dar ao luxo de escolher o curso acadêmico que mais lhe agrada, sem a preocupação de fazer da profissão o ganha-pão. E, quando optam por ocupar um pouco mais do seu dia, frequentam cursos de línguas estrangeiras e dedicam-se a trabalhos voluntários. Essas mulheres estão na contramão de tudo que o feminismo prega, mas vivem felizes e realizadas e levam uma vida invejada por muitas. A advogada Simone Prandine, 35 anos, conta que viveu um ritmo de trabalho bem intenso em São Paulo – sua cidade natal – mas quando casou-se e mudou-se para Campo Grande seus planos mudaram. “No início ainda advoguei, mas depois que nasceu Ana Júlia (5 anos) fiz opção por passar mais tempo com ela, algum tempo depois veio Maria Paula (1 ano e 10 meses), mudando completamente minha rotina”, lembra a advogada. Na agenda da profissional – que hoje exerce mais a função de mãe – há horários fixos pela manhã para as atividades extras de Ana Júlia (balé e natação), além do acompanhamento semanal com fonoaudióloga, consultas de rotina com pediatra e dentista para as duas meninas. “No período da tarde tenho tempo para cuidados pessoais como ginástica e acupuntura. Além disso, gerencio todo o trabalho da minha assistente em casa. Não gosto da ideia de deixar minhas filhas a cargo de um motorista para levá-las à escola e outras atividades, portanto, faço questão de ser a ‘mãetorista’ delas”, brinca Simone. A rotina diária da bióloga Luciana Ribas, 36 anos, não difere muito da de Simone. Mãe de dois filhos adolescentes Silmar (15 anos) e Matheus (13 anos) ela também passa boa parte do dia levando-os ou buscando-os de alguma atividade. “Tenho tudo cronometrado, caso contrário não sobra nada pra mim”, conta Luciana que mora num condomínio fechado, que fica cerca de 12 km do centro da cidade. Há 8 anos, a rotina de Luciana era bem diferente, administrava sua empresa e passava o dia todo trabalhando, inclusive alguns fins de semana. “Minha ausência associada à do meu marido acabou gerando problemas de comportamento nos meninos. Eles precisavam de mais atenção, então, fui orientada por uma psicopedagoga a frear o ritmo de trabalho e ficar mais tempo com eles. Fui radical, fechei a empresa. Sou perfeccionista, não consigo fazer nada mais ou menos. Foi a decisão mais correta que tomei e tive total apoio do meu marido”, conta. Ainda na infância dos filhos, Luciana retomou os estudos para fazer o curso de biologia. “Foi por satisfação pessoal, tanto que nunca trabalhei na área. Penso ainda em fazer especialização em genética, daí poderei contribuir com os projetos do meu marido na fazenda”, revela. Agora, com os filhos já adolescentes, Luciana sente que é preciso estar mais próxima ainda deles. Por isso, agora conta não com uma, mas com duas empregadas na casa. “Prefiro levar e buscar meus filhos nos compromissos escolares e de lazer. Também gosto que eles tragam seus amigos em casa, que eles façam a festa deles aqui e divirtam- se sob os meus olhos. Assim me sinto mais segura. Criar bem os filhos é a maior satisfação de uma mãe, creio que vou colher bons frutos”, defende. Simone e Luciana não se consideram madames, mas agradecem a situação financeira privi legiada de que desfrutam e a consequente oportunidade de acompanhar mais de perto os filhos, sem a necessidade da dupla jornada. De acordo com autora do livro “Eternamente Ísis”, Ramy Arany, existem mulheres que realmente optam pela escolha deste padrão “Amélia moderna”, que estamos abordando, mas que no entanto, é importante enfatizar que não são mulheres submissas, nem tampouco paradas no tempo. “Apenas são mulheres que não se interessam por uma vida profissional fora de casa e, que também, desfrutam de uma condição diferente da maioria das mulheres brasileiras. É uma questão de escolha individual”, conclui Arany que também é consultora do site diadamulher.kvt.org.br

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