Quarta, 22 de Novembro de 2017

Amadurecimento musical

20 ABR 2010Por 20h:30

Thiago Andrade RMonteverdi, Schütz, Vivaldi, Bach, entre outros grandes nomes da música erudita, serão ressuscitados no VIII Festival Internacional de Música Renacentista y Barroca Americana, que acontecerá na Bolívia de 22 de abril a 2 de maio. Entre os grupos que participam do evento está a Orquestra Barroca de Mato Grosso do Sul, regida pelo maestro Eduardo Martinelli. Na verdade, a agenda dos músicos está bem movimentada durante os próximos dias, com apresentações em Campo Grande, no dia 22; em Corumbá, no dia 26 e em San José de Chiquitos e Santiago de Chiquitos, ambas na Bolívia, nos dias 28 e 29. Martinelli conta que as apresentações acontecem como forma de comemoração dos cinco anos da criação da orquestra.

Figura conhecida nos meios de música erudita da Capital e do Estado, Eduardo veio para Campo Grande em 2004, após se graduar em Música, convidado a dar aulas na Universidade Federal de Mato Grosso do Sul, no recém-criado curso de Música. Ao vir para a cidade, Eduardo iniciou trabalho de formação e educação musical para jovens junto à Fundação Barbosa Rodrigues, chamado Orquestra Jovem, que também completa cinco anos neste mês. Ele também é o responsável pela criação da Orquestra Sinfônica de Campo Grande.

O músico e maestro, que tem formação em violão erudito, deparou-se com um cenário musical ainda pouco desenvolvido. "Havia um ou outro trabalho, como a Orquestra do Pantanal, que se desfez logo em seguida", lembra. Para ele, "sempre houve esse desafio de dar continuidade, pois faltavam músicos e espaços".

 

Formação

Um dos elementos que sempre estiveram presentes no trabalho desenvolvido por Eduardo é a formação de músicos. "Desenvolvi algo semelhante em Santos e vim para cá pensando nisso. Quando houve o convite da fundação, o interesse foi instantâneo", indica. Segundo ele, o resultado promovido pela parceria com a FBR tem sido profissional, com alguns músicos sendo encaminhados para o mercado de trabalho depois de concluírem a formação.

O Projeto Orquestra Jovem oferece aulas gratuitas de teoria musical, prática com instrumentos de corda, como violino, viola sinfônica e violoncelo, além do complemento com conteúdos de cidadania. As crianças ingressam no projeto entre os 10 e 11 anos, permanecendo até os 14. Para a comemoração dos cinco anos, Eduardo planeja a realização de um concerto especial, com a gravação de um DVD.

 

Orquestras

A Orquestra Barroca nasceu quase que por acaso. Eduardo veio para dar aulas e, depois de um ano, criou um bom número de amigos na cidade. No Dia do Músico, em 2004, ele foi convidado para uma apresentação no Bazar Cultural. "Decidi fazer uma apresentação de música barroca e chamei músicos que conheci na cidade. Depois, a orquestra só cresceu e, em junho de 2005, estreamos", conta.

A orquestra era a única com atividade na Capital. As apresentações se tornaram constantes, com concertos no interior, em projetos do Serviço Social do Comércio (Sesc) e em outros Estados. "Foi um período muito fértil, no qual se percebeu a força da música erudita e descobriu-se que havia público para concertos", aponta Eduardo. Com o sucesso da Orquestra Barroca, o surgimento da Orquestra Sinfônica Municipal de Campo Grande era uma questão de tempo.

O convite a Eduardo foi feito pela prefeitura, por meio da Fundação Municipal de Cultura. Foram abertas 60 vagas para músicos da cidade e, em 2006, a orquestra foi instituída por meio de lei municipal. "As dificuldades foram muitas, faltava estrutura, mas era necessário começar o trabalho. No começo não tínhamos nem mesmo repertório, eu tinha de escrevê-los", confessa.

Para Eduardo, o crescimento do cenário erudito em Campo Grande esteve sempre relacionado à criação do curso de Música de UFMS. "Várias ações têm sido realizadas, como, por exemplo, o ‘Encontro com a música clássica’, promovido pela Fundac em parceria com a orquestra e a UFMS. Isso demonstra como o público na Capital é grande", pontua.

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