Quinta, 23 de Novembro de 2017

Alta do trigo não vai beneficiar produtores do Estado

1 AGO 2010Por 21h:17
Cícero Faria, Dourados

O produtor de trigo da área central do Estado – única região onde a cultura ainda existe, não deverá ser beneficiado com as altas nas cotações da tonelada que vem ocorrendo com o trigo em nível internacional. É que existe muito produto estocado de safras passadas, principalmente em cooperativas paranaenses e gaúchas.
A avaliação é do 2º secretario do Sindicato Rural de Dourados, José Tarso Moro da Rosa, refletindo a expectativa de pessimismo dos  poucos agricultores que investiram no trigo este ano. Atualmente a saca de trigo tem cotação ao redor de R$ 21, embora a colheita ainda nem tenha começado.
A produção nessa região, devido ao tempo favorável à cultura,  deve atingir em torno de 60 mil toneladas, pouco mais de 1% da produção nacional, concentrada no Paraná e Rio Grande do Sul. Em Mato Grosso do Sul funcionam dois moinhos, em Nova Alvorada do Sul e Dourados,  que são abastecidos durante o ano com trigo importado, principalmente da Argentina.
Em 2009, foram colhidas  em Dourados 11.520 toneladas de trigo em  6.000 hectares. A  produtividade média foi  de 1.920 quilos (32 sacas). Nesta safra, existe a expectativa de serem colhidas 33 sacas, equivalentes a 2.000 quilos na mesma área do ano passado.
Em nível nacional, os moinhos estão em alerta diante da forte alta das cotações do trigo, que subiram mais de 30% em comparação há um mês. A maior valorização foi nos Estados Unidos. Segundo o Sindicato da Indústria do Trigo no Estado de São Paulo, em 29 de junho a tonelada do cereal norte-americano posto FOB  no Golfo do México era de US$ 178.  Esta semana, mesma tonelada valia US$ 240, majoração de 35%. Na Argentina, a alta  acumulada  foi de 15%.
Mas, segundo José Tarso da Rosa, “essas  altas lá fora não se refletirão nada aqui dentro, porque os moinhos são os grandes executores da política de preço do trigo. Na cotação de hoje, os produtores de Dourados podem empatar com o custo de produção de um hectare” que ele calculou em torno de R$ 525, usando pouco tecnologia, como menos adubo.
“Para acabar de sufocar o produtor de trigo, o Ministério da Agricultura ainda reduziu em 10% o preço mínimo de garantia, alegando que as cotações estavam altas em relação ao produto importado”, lembrou o diretor do Sindicato Rural, que este ano não plantou trigo em sua fazenda em Laguna Carapã, prevendo dificuldades na hora de comercialização.
Esta semana o presidente de uma grande cooperativa agrícola do Paraná fez palestras para agricultores de Dourados e previu que a saca de trigo deverá ficar entre R$ 22 e R$ 23, equivalendo, portanto, com o preço praticado atualmente nesta região (R$ 21).
O Brasil  importa cerca de 400 mil toneladas por mês. O consumo nacional é em torno de 10 milhões de toneladas e nesta safra, a produção interna deve atingir 5 milhões de toneladas.

Leia Também