Terça, 21 de Novembro de 2017

Além da imaginação

12 AGO 2010Por 07h:26
Mariana Trigo, TV Press

 As histórias sobrenaturais estão cada vez mais atraentes pelos altos índices de audiência na tevê e pelas frondosas bilheterias no cinema. Com tramas bem-sucedidas, como “Escrito nas estrelas” no horário das seis da Globo, e com longas como “Chico Xavier – O filme”, de Daniel Filho, e “Nosso lar”, de Wagner de Assis, as atenções se voltam cada vez mais para as produções que abordam a paranormalidade. Com esse mote fantasioso, onde tudo é permitido, o seriado “A cura” traz não só a questão sobrenatural através de curas milagrosas, mas o suspense de um “thriller” psicológico sem o apelo do realismo fantástico. Todo gravado em Diamantina e passado nos dias atuais e no Século XVIII, o primeiro seriado de João Emanuel Carneiro – que assina com Marcos Bernstein, roteirista do longa “Chico Xavier – O filme” –, conta com nove episódios, exibido sempre às terças, e estreia no próximo dia 10. A trama, dirigida por Ricardo Waddington, conta a história de Dimas, vivido por Selton Mello. Ele interpreta um médico de caráter duvidoso que faz curas inexplicáveis para a Medicina. “Sempre quis fazer a história de um curandeiro porque a Medicina popular me fascina. A escolha de Diamantina remete à minha infância nas cidades históricas, pois minha mãe era presidente do Patrimônio Histórico (IPHAN)”, explica João Emanuel.
Durante os 25 dias de gravações entre sobrados coloniais e ladeiras centenárias, a cidade de Diamantina se tornou um personagem da história que conta com um elenco predominantemente mineiro. Todo captado com câmara Sony F35, um dos novos equipamentos de alta definição da Globo e bastante utilizado em cinema, o seriado valoriza cenas densas, com uma profusão de imagens de violência entremeadas com tomadas de cirurgias que exigem do público um estômago forte. Na história, Dimas é acusado ainda criança de ter assassinado um amigo. Para fugir do estigma, vai estudar em São Paulo e passa por diversas internações em instituições psiquiátricas. Ao se formar em Medicina, volta para Diamantina para enfrentar seu passado e é chamado de assassino por grande parte da população. No entanto, a outra metade da cidade começa a enxergá-lo como curandeiro quando ele passa a realizar curas milagrosas. “Ele é muito dúbio, não se sabe se é culpado ou não pelo assassinato. É um papel dramático em uma série densa, instigante”, elogia Selton.
Logo que chega à cidade, o papel de Selton desestrutura a vida de diversos personagens, como do dr. Luís Camillo, de Caco Ciocler, que é noivo da médica Rosângela, vivida por Andréia Horta, uma namorada de infância de Dimas. “O Camillo vira o antagonista da trama aos poucos. Ele morre de inveja do Dimas, que acaba com sua vida profissional e pessoal”, antecipa Caco.
Paralelamente, nas tomadas que se passam no Século XVIII, o cruel Silvério, de Carmo Dalla Vecchia, que é um antepassado de Dimas, mostra uma maldade sem limites ao matar escravos e protagonizar uma jornada de dor e assassinatos. O mistério começa a se dissolver quando ele encontra um pequeno curandeiro que se recusa a salvá-lo. “Vai ser uma espécie de ajuste de contas através dos séculos. Todas as minhas cenas são de aventura, de ação. Nunca fiz nada parecido na tevê”, anima-se Carmo, que emagreceu 14 kg em dois meses para o personagem.
Outra figura enigmática da história é o médico Otto, personagem de Juca de Oliveira. Acusado de charlatanismo no passado, o antigo amigo de dr. Turíbio, de Ary Fontoura, foi obrigado a largar a Medicina por exercer curas milagrosas. Alguns personagens chegam a acreditar que Dimas é a reencarnação de Otto. “Nossa preocupação foi trazer o máximo de realismo possível a cada cena. A intenção é fazer um produto com características e com uma história tipicamente brasileira, bem regional. Um seriado com a cara de um pedaço do Brasil”, valoriza Ricardo Waddington.

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