Sexta, 24 de Novembro de 2017

Água mole em pedra dura, tanto bate até que fura

4 MAR 2010Por 06h:31
Moro há 30 anos em Campo Grande e adotei- a como minha cidade! Quando viajo para um lugar diferente falo de Campo Grande com muito orgulho, porque amo muito este lugar! Aqui casei, foi aqui que nasceram meus filhos. Neste mês de março chega minha primeira neta, a Maria Isabela! Estou preocupado com ela e muitos outros cidadãos que aqui moram e que no último sábado ficaram perplexos com a força das águas que caíram naquela noite. Quem viu fotos, filmagem e reportagens não deixou por menos ao expor os seus pontos de vista. Alguns da minha roda de amigos, já na meia idade, apresentavam seus comentários afirmando que Campo Grande tem de iniciar algumas medidas em relação às obras residenciais próximas aos mananciais, sobretudo na região da Avenida Afonso Pena, nosso cartão de visita! Um amigo deu uma de “Nostradamus” prevendo algo catastrófico: “nas chuvas do ano que vem se preparem. Torres residenciais vão desabar, a Avenida Afonso Pena vai virar uma vala bem grande e vai ser difícil recuperá-la...”, dizia ele. Entre outros comentários fiquei com a opinião de um deles que afirmava que o caminho é o Ministério Público Estadual. O MPE na opinião desse meu amigo deve interferir na questão caso contrário, a situação vai degringolar, profetizou. O MPE deve abrir procedimento administrativo, exigir da Prefeitura de Campo Grande para que sejam adotadas medidas a fim de impedir que a Capital venha a ter novos prejuízos como os provocados pela tromba d’água de sábado. O amigo foi contundente: “cadê o plano diretor da cidade? O que diz a lei de uso do solo? Cadê os vereadores? Quem vai assumir a luta para impedir as novas construções nas áreas de preservação ambiental e às margens dos córregos? O que tem feito a prefeitura quanto ao reflorestamento da cidade? E a lei municipal sobre a taxa de permeabilidade do solo? Tudo isso pode sim, de certa forma, provocar ações que poderão impedir que situações como essa, que vivenciamos no dia 28 de fevereiro, venham se repetir! O amigo ainda com aquela eloquência olhou para mim e foi taxativo: e você nesse Conselho Municipal do Meio Ambiente o que pode fazer? O que tem feito? Foi de lascar aquele nosso bate-papo, mas nos levou a muitas reflexões. A verdade para essa situação é uma só como dizia meu velho e saúdo pai pantaneiro: “a natureza está avisando...” Quem deve entender a noção do que representa tudo isso são os gestores da nossa cidade que ultimamente só estão a reboque dos acontecimentos temporais. Nossa cidade não comporta mais políticos no Executivo que levantam numa manhã qualquer e pensam em fazer algo para ganhar a opinião da coletividade sem discutir e planejar com os segmentos. Pior ainda se as representatividades coletivas tais como os conselhos da nossa cidade ou outro segmento que avalia, que delibera, forem meramente cartoriais por conta dos “apadrinhamentos” que conduzem às formatações desses setores! Por outro lado, eu aqui com meus botões continuo pensando que devemos fazer algo para que nossa cidade não passe mais por tudo isso... Nossa atitude pode começar dentro de casa ao separarmos nosso lixo doméstico, não jogando lixo pela janela do carro e por aí vai. Como dita o velho latim: “Gutta cavat lapidem, non vi sed saepe cadendo...” (Água mole em pedra dura, tanto bate até que fura..)

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