Sábado, 18 de Novembro de 2017

Agricultores vão a Brasília pedir nova rota para "linhões"

29 MAR 2010Por 10h:17
Uma representação do Sindicato Rural de Chapadão do Sul e produtores de outros municípios como Inocência, Água Clara e Camapuã estão hoje na Câmara Federal e no Senado para uma audiência com a Comissão da Agricultura do Congresso e com representantes da Aneel e do setor elétrico. Vão solicitar o acolhimento de sugestão que altera a rota de linhas de transmissão de energia elétrica que começam a ser instaladas na região, a partir de Goiás, e que cruzarão vários municípios sul-mato- grossenses passando por áreas agrícolas importantes. Depois de reunião na quarta- feira da semana passada, os produtores do nordeste do Estado, que terão suas terras invadidas por um ou outro linhão de energia, estão descontentes e até contrataram advogado para defender os seus interesses. Também solicitaram a elaboração de um mapa da região onde é apresentada uma rota alternativa para instalação das linhas de transmissão e, também, um outro local para construção de uma subestação de grande porte igualmente prevista nos projetos da Aneel. Os agricultores estão se sentindo prejudicados e alegam que o traçado oficial, que pretendem mudar, corta as áreas agrícolas mais produtivas, inclusive fazendas onde vem sendo praticada há anos a Agricultura de Precisão. “Nessas propriedades são utilizadas altas tecnologias agrícolas, como o GPS, por exemplo. Com os linhões, os produtores ficarão impedidos de continuar utilizando essas tecnologias”, afirma um representante do Sindicato Rural de Chapadão do Sul que lidera o movimento pela alteração das rotas das linhas de transmissão. Segundo ele, os GPS sofrerão interferências das redes de energia, assim como as máquinas de plantio, a pulverização, a colheita. Tudo é operado por pilotos automáticos e regulado pelos GPSs. Outro exemplo: a pulverização feita por aviões agrícolas, utilizada em quase todas as áreas de agricultura, ficará igualmente prejudicada com a presença de torres em meio a lavouras. Segundo argumento dos representantes dos produtores, as redes passarão pelo distrito do Indaiá do Sul, segundo o projeto original, e esta localidade seria a ideal para a construção da subestação, por ser de fácil acesso, ser região de pecuária extensiva e que diminuirá a distância das três redes que virão de Inocência, as mais potentes inclusive. Este local também permitirá fácil distribuição das redes que seguirão para outras localidades, como Campo Grande (Imbirussu), Usina Iacc Agrícola, Costa Rica e Inocência, em Mato Grosso do Sul, e Jataí e Chapadão do Céu no Estado de Goiás. Com a nova opção também será resolvido o problema dos produtores da região da Cooper, pois a rede que seguirá para Campo Grande poderá ter linha reta, passando a jusante da represa do Rio Sucuriú, e não mais passando por aquela região que detém um grande projeto de seringueiras já em franca produção. Governador vai apoiar Depois de se manifestar semanas atrás contrariamente a qualquer projeto que prejudicasse a obra de implantação das linhas de transmissão, que sem dúvida é de extrema necessidade para o Estado e o País, especialmente em função da produção de bioenergia por parte das usinas de álcool espalhadas pelo território estadual, o governador André Puccinelli agora está disposto a ouvir os agricultores. Sua agenda prevê uma visita nesta segunda-feira a Cassilândia e ele solicitou que representantes do movimento que exige nova rota para a linha de transmissão e um novo lugar para instalar a subestação estejam em naquele município para conversar com ele a respeito. Existe no entanto preocupação por parte dos órgãos governamentais que já emitiram as licenças ambientais para construção da obra. Em caso de mudança no traçado do linhão, isso representará atraso na execução da obra.

Leia Também