Terça, 21 de Novembro de 2017

Agressões entre empresário e arquiteta assassinada eram constantes

5 JUL 2010Por 06h:57
karine cortez

Agressões mútuas e muitas discussões eram rotina no relacionamento da arquiteta  Eliane Nogueira de Andrade, 39 anos – encontrada morta na madrugada de sexta-feira, em Campo Grande, – e o marido, o empresário Luís Afonso dos Santos de Andrade, 42 anos, com quem estava casada há dois anos. Luís está preso temporariamente, como principal suspeito da morte da esposa.

De acordo com o delegado que investiga o caso, Wellington de Oliveira, além da existência de um boletim de ocorrência policial por lesão corporal recíproca, registrado por Eliane em março de 2009, o esposo dela contou que as brigas eram constantes, inclusive, apresentou uma arranhão no rosto, que, segundo ele, foi resultado de mais uma desavença que teria acontecido na madrugada em que o corpo da mulher foi encontrado carbonizado, dentro do próprio carro. “Quando o prendemos no escritório ele estava com uma lesão de unha no rosto e disse que foi ela que o havia machucado. Ele admitiu que sempre brigavam”, enfatizou o delegado.

Padrinho de casamento do casal, o arquiteto Ângelo Arruda disse ontem que havia se afastado do convívio dos dois desde a agressão praticada por Luís, em 2009. “Neste dia eu e minha esposa havíamos ido a uma festa com os dois e depois da festa, quando chegaram na casa deles, é que aconteceu a briga. Ela nos ligou quando já estava na delegacia e demos todo o apoio para nossa amiga. Mas, desde então, como a Eliane decidiu continuar com ele, eu disse a ela que me afastaria porque para mim é inadmissível o homem agredir uma mulher. Mas, continuei mantendo contato através de telefone, msn e e-mail”, contou Ângelo, que ontem participou de uma missa de intenção à Eliane, com amigos e familiares da vítima.

Ele disse, ainda, que Eliane era uma pessoa tranquila, sem inimizades e que mesmo diante de todas as dificuldades no relacionamento nunca disse aos amigos que pretendia se separar do marido. “Acredito que ela o amava muito e jamais imaginou que isso pudesse acontecer. Esperamos que a polícia esclareça o mais rápido possível esse fato, porque para os amigos não há outra pessoa, senão o Luís, que poderia ter feito isso com ela”, ressaltou Ângelo.
Também esteve na missa o padrinho de casamento do casal, psicólogo Rômulo Said Monteiro, 56 anos. “É inacreditável o que aconteceu com a Eliane. Ela estava no auge da carreira e era uma pessoa muito amiga e dedicada a tudo e a todos”, disse. Rômulo contou que por diversas vezes saiu junto com o casal e percebia que o marido de Eliane a tratava com bastante rispidez. “Algumas vezes ele era grosseiro com ela e sentia muito ciúmes. Mas, o que as pessoas tem que entender é que ciúmes não é um bom sentimento, porque representa insegurança e quem ama não tem ciúmes, confia”, salientou.

O irmão de Eliane, Vladimir Nogueira, esteve na missa e disse que olhando para os amigos dela pôde sentir a presença da irmã. “Parece que tem um pouquinho dela aqui no rosto de cada um dos amigos”, declarou emocionado. Por problemas de saúde, os pais de Eliane não estiveram na missa. Já o filho dela, um menino de 15 anos, fruto de outro casamento, mas que morava com Eliane e Luís, foi para Cuiabá (MT) ficar com o pai. Os amigos disseram que até mesmo o filho da arquiteta já havia pedido para que a mãe se separasse de Luís. “Acreditamos que ele tenha presenciado muitas desavenças e por isso fez esse pedido”, disse Ângelo Arruda.

Corpo
Por determinação de médicos-legistas o corpo de Eliane permanece no Instituto Médico Odontológico Legal (Imol) e deve ser liberado só na quarta ou quinta-feira. A solicitação foi feita por precaução na falta de material complementar para fechar a investigação.

Leia Também