Quinta, 23 de Novembro de 2017

Agendas escolares com foto de André provocam "guerra"

6 MAI 2010Por 00h:10
lidiane kober

Petista levantou ontem suspeita de superfaturamento na confecção de agendas escolares bancadas pelo Departamento Estadual de Trânsito (Detran) e acusou o governador André Puccinelli (PMDB) de usar o material para fazer propaganda eleitoral antecipada. Segundo o deputado Pedro Kemp (PT), o peemedebista desrespeitou a Constituição do Estado e a legislação eleitoral ao publicar sua foto na agenda escolar. A base aliada negou a acusação e rebateu com críticas à gestão do ex-governador José Orcírio dos Santos (PT).

Kemp relatou receber documento de escola do interior, no qual fica claro o gasto de R$ 56 para elaborar cada agenda. Por medo de represálias contra o colégio, o deputado não quis revelar o nome da instituição, mas assegurou que o documento apresenta a quantidade de agendas e o montante gasto com o investimento. “Ao dividir o número de agendas com o dinheiro aplicado, dá um custo de R$ 56 por unidade”, garantiu.

O líder do governo na Assembleia, deputado Youssif Domingos (PMDB), consultou Santos Pereira, diretor-presidente do Detran – autarquia do governo que pagou as agendas –, e assegurou que o material escolar custou R$ 7,48. “Foram entregues aproximadamente 324 mil agendas ao custo de R$ 2,3 milhões”, relatou. O número entra em contradição com os dados apresentados pelo governador, ontem à tarde (leia matéria ao lado).

Questionado no início da noite sobre a divergência de valores, Youssif explicou que os dados do governador se referem a nota fiscal de apenas uma parte das agendas. Kemp não se convenceu com os números e prometeu protocolar hoje requerimento para obter informações oficiais do governo.
Além disso, o petista acusou Puccinelli de fazer propaganda eleitoral antecipada por meio da distribuição gratuita das agendas escolares, com sua foto impressa no material. “A legislação estadual proíbe em peça publicitária a foto do governador”, alegou.

O deputado Carlos Marun (PMDB) minimizou o fato de a imagem de Puccinelli estar impressa na agenda. “É só uma fotinha”, disse.
O fato é que a suspeita de Kemp irritou a base aliada, que passou a atacar o governo anterior. Marun acusou Orcírio de desrespeitar os servidores ao atrasar pagamento dos salários e a oposição culpou a gestão anterior do PMDB de entregar nas mãos do PT um caos administrativo.

No decorrer da sessão, o debate acirrou-se ainda mais e os parlamentares passaram a disputar o microfone de aparte, enquanto o deputado Júnior Mochi (PMDB) defendia Puccinelli na tribuna. Para Mochi, o importante é comparar as ações dos governos, quesito em que, segundo ele, Puccinelli supera Orcírio. Por outro lado, Paulo Duarte criticou o aumento de impostos no setor da telefonia, de colchões e travesseiros, além do corte dos programas sociais, nos primeiros 18 meses da gestão de Puccinelli.

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