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Dourados

Adolescentes jogam celulares em presídio

Adolescentes jogam celulares em presídio

Dourados Agora

15/03/2012 - 10h09
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Dois jovens foram flagrados arremessando celulares e carregadores através da muralha da Penitenciária de Segurança Máxima (PHAC), em Dourados. Por volta das 3h desta quinta-feira (15), policiais militares da guarda escolta e que fazem a vigilância nas guaritas avistaram a dupla em atitude suspeita nas imediações da muralha.

Um dos adolescentes fugiu através de uma mata e o comparsa de 16 anos foi apreendido em flagrante. Conforme a polícia, eles já haviam atirado dez telefones celulares e 17 carregadores no pátio da penitenciária.

O adolescente contou à polícia que tinha sido contratado por uma pessoa para arremessar os celulares e carregadores através da muralha, para os detentos.

Expansão no Pantanal

Mineradora planeja expansão de R$ 1,9 bi no Pantanal sob denúncias de moradores

Projeto prevê elevar capacidade do terminal para 15 milhões de toneladas por ano, enquanto MPF investiga possíveis danos ambientais na comunidade de Porto Esperança.

17/09/2026 18h13

Vista aérea mostra a proximidade entre estruturas operacionais e a comunidade de Porto Esperança, às margens do Rio Paraguai.

Vista aérea mostra a proximidade entre estruturas operacionais e a comunidade de Porto Esperança, às margens do Rio Paraguai. Foto: Divulgação.

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Enquanto moradores de Porto Esperança recorrem à Justiça alegando prejuízos provocados pela atividade minerária, a LHG Mining prepara uma expansão de R$ 1,9 bilhão no Terminal Privativo Gregório Curvo, instalado às margens do Rio Paraguai, em Corumbá. O empreendimento fica ao lado de Porto Esperança, distrito localizado a cerca de 80 quilômetros da área urbana de Corumbá, no Pantanal sul-mato-grossense.

Documentos do licenciamento ambiental analisados pelo Correio do Estado mostram que o projeto prevê intervenções de grande porte justamente em uma região onde a comunidade convive diretamente com a operação do porto.

O Relatório de Impacto Ambiental (RIMA) da expansão coloca Porto Esperança no centro dos efeitos socioambientais do empreendimento.

Em um dos programas propostos, o próprio documento afirma que a comunidade será “mais impactada pelo empreendimento” e prevê ações específicas de acompanhamento da população. 

A proximidade aparece de maneira ainda mais concreta no estudo de ruído: segundo o Rima, os receptores de Porto Esperança mais próximos da área do projeto estão localizados a partir de aproximadamente 15 metros do empreendimento. A Área de Influência Direta (AID) para ruído foi estabelecida em um raio de 750 metros. 

É nesse cenário que o advogado Matheus Viana, responsável por 30 ações de moradores contra a mineradora por reparação de danos, classifica como insuficientes os benefícios que a empresa vem entregando à comunidade.

Para ele, as iniciativas representam “uma tentativa fajuta de tapar o sol com a peneira” diante das reclamações relacionadas à poeira, ao tráfego de carretas e às mudanças na rotina de quem vive no distrito.

“O apoio à comunidade ajuda, mas e a saúde das pessoas respirando por 24 horas o pó do minério que circula no ar e está impregnado nas casas?”, questiona Viana.

Vista aérea mostra a proximidade entre estruturas operacionais e a comunidade de Porto Esperança, às margens do Rio Paraguai.Advogado Matheus Viana conversa com moradora de Porto Esperança durante visita à comunidade, em Corumbá. Foto: Divulgação.

“Os moradores nunca tiveram acesso a uma consulta médica com pneumologista ou outro especialista para medir os efeitos físicos da poeira e iniciar um tratamento preventivo. A fiscalização também é omissa em relação ao impacto ambiental no Pantanal e no rio”, acrescenta.

As afirmações sobre eventuais consequências à saúde representam a posição do advogado e dos moradores que ele representa. Os documentos analisados pela reportagem não estabelecem, por si só, nexo causal entre a operação da mineradora e problemas de saúde na população.

Poeira é apontada como principal poluente do projeto

Embora não comprove as consequências à saúde alegadas pelos moradores, o próprio estudo ambiental reconhece a poeira como um dos pontos que precisam ser controlados.

No capítulo que delimita as áreas de influência da qualidade do ar, o Rima classifica a poeira como o “principal poluente do projeto” e apresenta uma modelagem computacional para estimar como o material particulado poderá se dispersar após a expansão do terminal. 

O documento também estabelece um Programa de Controle das Emissões Atmosféricas e Monitoramento da Qualidade do Ar, cuja justificativa inclui a geração de poeira e gases de combustão veicular pelas atividades previstas na ampliação.

Um dos pontos mais relevantes é que o monitoramento deverá ocorrer continuamente em Porto Esperança, justamente para avaliar a eficiência das medidas de controle e identificar eventuais alterações na qualidade do ar. 

Por outro lado, as projeções apresentadas no Rima indicam que, na operação futura, as médias anuais de concentração de poeira permanecerão abaixo dos limites legais.

O estudo também prevê redução das emissões quando parte significativa do transporte rodoviário for substituída pelo ferroviário.

Entre as medidas propostas estão aspersão das vias, cobertura das cargas e monitoramento da qualidade do ar. 

Porto deve movimentar 15 milhões de toneladas por ano

A LHG Mining, mineradora do grupo J&F, dos empresários Joesley e Wesley Batista, assumiu em 2022 ativos de mineração anteriormente pertencentes à Vale, entre eles a operação ligada ao Terminal Privativo Gregório Curvo, em Porto Esperança. Desde então, a companhia vem ampliando sua estrutura logística para escoar a produção de minério pelo Rio Paraguai.

Agora, o projeto submetido ao licenciamento prevê elevar a capacidade de embarque do terminal para 15 milhões de toneladas de minério por ano. O próprio Rima relaciona esse aumento à ampliação da logística ferroviária necessária para atender à operação.

O investimento previsto é de aproximadamente R$ 1,9 bilhão e envolve uma nova configuração logística, com pátios de estocagem, peneiramento, pera ferroviária, estruturas portuárias e píer.

O projeto passa pelo processo de licenciamento ambiental conduzido pelo Instituto de Meio Ambiente de Mato Grosso do Sul (Imasul).

Cabe ao órgão estadual analisar os estudos apresentados pela empresa, avaliar os impactos ambientais e as medidas propostas para evitá-los, reduzi-los ou compensá-los e decidir sobre a emissão das licenças necessárias para a implantação da expansão.

Como parte desse processo, o Imasul realizou, em 11 de junho de 2026, uma audiência pública para apresentação e discussão do Relatório de Impacto Ambiental (Rima) da ampliação do Terminal Privativo Gregório Curvo.

O encontro ocorreu no Centro de Convenções do Pantanal de Corumbá, Miguel Gómez, com participação presencial e virtual, e abriu espaço para que a população conhecesse o projeto e apresentasse dúvidas, críticas e sugestões.

A conclusão apresentada no Rima de que o empreendimento é ambientalmente viável, porém, não representa, por si só, autorização definitiva para a execução da expansão.

O estudo também não estabelece uma data para o início das obras nem informa quando a nova estrutura deverá ser concluída e alcançar a capacidade projetada de 15 milhões de toneladas por ano. A implantação depende do andamento do licenciamento ambiental.

A Área Diretamente Afetada (ADA), segundo o estudo, compreende terrenos da LHG onde serão instaladas essas estruturas.

Já a Área de Influência Direta engloba regiões onde os efeitos podem ser mais intensos, como ruído, poeira, alterações na drenagem superficial e interferências no trecho próximo do Rio Paraguai decorrentes de dragagem e movimentação de sedimentos.

A empresa projeta que o avanço da ferrovia reduzirá gradualmente a dependência de caminhões. Atualmente, porém, o transporte rodoviário é justamente um dos principais motivos de reclamação dos moradores

Compensação ambiental supera R$ 21 milhões

O processo de licenciamento da expansão avançou neste ano. Em termo assinado em 14 de agosto de 2026, o Instituto de Meio Ambiente de Mato Grosso do Sul (Imasul) estabeleceu em R$ 21,5 milhões a compensação ambiental relacionada ao empreendimento da LHG Mining em Corumbá.

O documento oficial vincula a medida à atividade de porto fluvial com área útil superior a 100 mil metros quadrados e cita expressamente o Processo de Licença de Instalação (LI Ampliação) nº 486/2025, fundamentado no Estudo de Impacto Ambiental e no Relatório de Impacto Ambiental (EIA/Rima).

Para calcular a compensação, o Imasul considerou como valor de referência do empreendimento cerca de R$ 1,9 bilhão e estabeleceu grau de impacto de 1,129%.

O resultado foi uma compensação ambiental de aproximadamente R$ 21,6 milhões, destinada a unidades de conservação. O termo tem vigência de 48 meses.

 “Estão entregando migalhas”

Enquanto avança com o projeto bilionário, a mineradora também passou a realizar intervenções comunitárias em Porto Esperança.

Em junho deste ano, a LHG implantou um playground, uma academia ao ar livre e um espaço de convivência no pátio que anteriormente integrava a área operacional da antiga estação ferroviária. Também participou, em parceria com a prefeitura, da reforma da escola municipal.

Vista aérea mostra a proximidade entre estruturas operacionais e a comunidade de Porto Esperança, às margens do Rio Paraguai.Playground está entre as melhorias realizadas na comunidade de Porto Esperança. Foto: Divulgação.

Entre outras ações divulgadas pela empresa estão a substituição da tubulação da rede de abastecimento de água, a reforma de uma ponte de madeira sobre um curso d’água e a entrega de materiais esportivos ao município.

Para Viana, porém, a dimensão das iniciativas não corresponde aos impactos relatados pela população.

“A mineradora está usando os canais da mídia para tentar limpar sua imagem com essas ações comunitárias. Enquanto isso, o tráfego de caminhões entre as minas e o porto se intensifica para cumprir metas de exportação a todo custo. Estão entregando migalhas à população, que está sendo sufocada e pressionada a deixar o lugar”, afirma.

Segundo ele, uma das medidas atualmente utilizadas para conter a poeira é o umedecimento da estrada de terra de acesso à comunidade.

“Na verdade, o que oferecem para os moradores não é nada diante da gravidade da situação exposta e do lucro substancial e exorbitante que obtém”, declara.

Rima prevê retirada de 66 hectares de vegetação

A documentação ambiental revela também a dimensão física das intervenções necessárias para ampliar o terminal. O Rima estima a retirada de aproximadamente 66,5 hectares de vegetação nativa, equivalentes a 2,3% das formações nativas existentes na área analisada. Desse total, 18,9 hectares correspondem a Áreas de Preservação Permanente (APPs).

Segundo o próprio estudo, a intervenção atingirá vegetação ciliar aluvial, formação vegetal encontrada às margens de rios e outros cursos d’água, em áreas que podem ficar alagadas em épocas de cheia, e poderá afetar espécies associadas a esses ambientes.

Vista aérea mostra a proximidade entre estruturas operacionais e a comunidade de Porto Esperança, às margens do Rio Paraguai.Estrada corta área de vegetação na região de Porto Esperança, em Corumbá. Foto: Divulgação.

O Rima é explícito ao reconhecer que, durante a implantação, haverá retirada de vegetação e intervenções em cursos hídricos, ações que provocarão mudanças e até perda de locais utilizados por animais e plantas. Como resposta, são previstos programas de resgate, manejo e monitoramento de fauna e flora. 

Corixos e Rio Paraguai estão na área de influência

Outro ponto chama atenção quando os documentos são confrontados com as preocupações apresentadas pelos moradores: os corixos, canais naturais fundamentais para a circulação da água na planície pantaneira.

Ao delimitar a influência da expansão sobre o relevo, os solos e os recursos hídricos, o estudo inclui expressamente corixos e áreas de vazante na porção terrestre sujeita à interferência direta do empreendimento.

No trecho fluvial, a Área de Influência Direta alcança a parte do Rio Paraguai onde são esperados efeitos da dispersão de sedimentos. A área indireta avança rio abaixo e alcança planícies de inundação onde poderão ocorrer efeitos associados a mudanças na circulação das águas. 

O próprio Rima destaca a importância dessa rede hídrica. Segundo o estudo, o Rio Paraguai funciona como a “espinha dorsal do Pantanal”, controlando os níveis da planície e conectando baías, lagoas, corixos e vazantes, dinâmica considerada essencial para a fauna da região. 

Dragagem e erosão serão monitoradas

A ampliação também envolve dragagens de manutenção do calado nas proximidades do terminal. Na prática, são retirados sedimentos acumulados no fundo do rio para manter a profundidade necessária à navegação e às manobras das embarcações que transportam o minério.

O estudo prevê que, durante a implantação, a movimentação de terra e a retirada de vegetação elevarão o potencial de erosão pela exposição do solo, principalmente no período chuvoso.

Na operação, as dragagens e a movimentação de sedimentos poderão provocar interferências pontuais nos recursos hídricos, incluindo aumento temporário da turbidez da água. 

Por causa desses riscos, a LHG propôs um Programa de Monitoramento Hidrossedimentológico, Controle de Processos Erosivos e Assoreamento.

O programa deverá acompanhar o trecho do Rio Paraguai influenciado pelo terminal para prevenir e mitigar erosão, assoreamento, alterações das margens e mudanças na qualidade da água.

Também deverá avaliar se dragagens, obras e circulação de embarcações influenciam os processos erosivos e a deposição de sedimentos. 

Outro programa prevê acompanhamento contínuo da qualidade da água superficial, incluindo corixos, Rio Paraguai e drenagens locais, e dos sedimentos de fundo da área portuária e adjacências.

O objetivo declarado é identificar se eventuais mudanças estão relacionadas às atividades do empreendimento. 

MPF investiga conflito entre mineradora e comunidade

As divergências entre a mineradora e os moradores já ultrapassaram as reclamações locais e chegaram ao Ministério Público Federal (MPF). Atualmente, há dois inquéritos civis distintos envolvendo a atuação da LHG Mining em Porto Esperança.

O primeiro teve a conversão em inquérito determinada pelo MPF em 2025 e foi publicado no Diário do Ministério Público Federal em 14 de agosto daquele ano.

O procedimento nº 1.21.004.000156/2024-51 apura uma possível invasão da área ocupada pela comunidade ribeirinha pela mineradora, inclusive com a instalação de cercas próximas às casas situadas na antiga vila ferroviária.

O MPF determinou novas diligências para obtenção de elementos de prova antes da eventual adoção de medidas judiciais.

Já em 2 de março de 2026, o MPF publicou a instauração de outro inquérito civil, originado da Notícia de Fato nº 1.21.004.000311/2024-39, após diligência realizada na comunidade.

Neste caso, a investigação é ambiental e apura possíveis danos relacionados às atividades da LHG, entre eles uso de rejeito de minério em estrada, supressão de vegetação em Área de Preservação Permanente (APP), soterramento de recursos hídricos, os chamados corixos, e erosão das margens do Rio Paraguai.

Os dois procedimentos permanecem no campo investigativo e não representam, por si só, conclusão de que as irregularidades tenham ocorrido ou atribuição definitiva de responsabilidade à mineradora.

Paralelamente, Matheus Viana afirma representar moradores em 30 ações contra a LHG, nas quais são pleiteadas reparações pelos danos que alegam ter sofrido.

Os processos foram extintos em primeira instância sem julgamento do mérito, mas, segundo o advogado, a discussão prossegue no Tribunal de Justiça de Mato Grosso do Sul (TJMS).

Porto Esperança sente transformação de perto

Porto Esperança, que reúne cerca de 121 moradores distribuídos em 54 famílias, nasceu no início do século passado em torno da Estrada de Ferro Noroeste do Brasil, às margens do Rio Paraguai. Com a perda da importância da ferrovia, o povoado enfrentou décadas de isolamento e encontrou na pesca e no turismo uma das alternativas de sobrevivência.

Agora, o distrito passa por outra transformação. Os moradores representados por Viana relatam aumento do fluxo de carretas, poeira sobre casas e ruas, perda do sossego e prejuízos às atividades ligadas ao turismo de pesca.

Vista aérea mostra a proximidade entre estruturas operacionais e a comunidade de Porto Esperança, às margens do Rio Paraguai.Moradores de Porto Esperança estão entre os que reclamam da poeira registrada na comunidade. Foto: Divulgação.

A preocupação com mudanças sociais provocadas pelo empreendimento também aparece no próprio Rima.

O Programa de Monitoramento de Indicadores Socioeconômicos foi criado para acompanhar alterações ambientais e o aumento da circulação de pessoas que possam provocar incômodos e pressão sobre os serviços públicos, além de mudanças em infraestrutura, emprego, renda e população vulnerável. 

O projeto também prevê prioridade na contratação de moradores de Porto Esperança e Albuquerque, além de um programa específico de gestão de tráfego e segurança nas vias de acesso ao terminal. 

No documento ambiental, a expectativa é que a utilização predominante da ferrovia na operação futura reduza a circulação de veículos pesados e, consequentemente, a emissão de poeira, ruído e vibrações. 

Até que essa mudança logística se concretize, entretanto, é o movimento rodoviário atual que alimenta parte das reclamações dos moradores.

Comunidade reconhece avanços, mas ainda cobra melhorias

Em conversa com o Correio do Estado, a presidente da Associação de Moradores da Comunidade Tradicional dos Corixeiros de Porto Esperança, Ingred Oliveira, avaliou que a comunidade atravessa um período de mudanças, com avanços recentes, mas ainda convive com demandas que precisam sair do papel, principalmente nas áreas de infraestrutura e educação.

“Hoje, vejo Porto Esperança vivendo um momento de mudanças importantes. Temos algumas demandas que ainda precisam avançar, principalmente relacionadas à infraestrutura e à educação, como a oferta de ensino médio para os nossos jovens. Mas também precisamos reconhecer que muitas coisas estão acontecendo e que algumas melhorias já podem ser percebidas no dia a dia”, afirmou.

Um dos pontos destacados pela presidente é a estrada de acesso à comunidade. Segundo ela, a umectação passou a ser realizada durante 24 horas, medida que reduziu os transtornos provocados pela poeira.

Apesar da melhora, Ingred reconhece que a situação ainda provoca divergências entre os próprios moradores, principalmente por causa da grande quantidade de carretas que circulam pelo local.

“A umectação 24 horas vem melhorando bastante as condições de acesso e trazendo mais tranquilidade para os moradores. Claro que ainda existe polêmica, porque é difícil agradar a todos. O que ainda pesa bastante é o fluxo de carretas, que é muito grande”, explicou.

Ingred disse ainda ter recebido informações de que a quantidade de caminhões circulando pela região deverá diminuir à medida que o projeto de expansão avance, diante da expectativa de retomada do transporte ferroviário de cargas.

“Hoje tive a informação de que, com o avanço da expansão, esse fluxo vai diminuir muito, até porque o trem de carga vai voltar a operar. É importante reconhecer quando uma demanda da comunidade começa a ser atendida e os resultados aparecem. Também não podemos fingir que nada está acontecendo”, acrescentou.

Além da situação da estrada, a representante dos moradores citou outras mudanças recentes em Porto Esperança, como a reforma da escola e intervenções no sistema de abastecimento de água.

“Tivemos recentemente a entrega da reforma da nossa escola, melhorias no abastecimento de água, com a renovação dos encanamentos pela Sanesul, além de ações importantes nas áreas de saúde, qualificação profissional e outras iniciativas. Para uma comunidade como Porto Esperança, essas melhorias têm um significado muito grande, porque beneficiam diretamente nossas crianças, nossas famílias e toda a população”, disse.

À frente da associação, Ingred afirma que tem buscado interlocução tanto com o poder público quanto com as empresas que atuam na região.

Segundo ela, a posição da entidade não é de oposição à atividade portuária ou à mineração, mas de cobrança para que o desenvolvimento também se reflita na vida de quem mora em Porto Esperança.

“Não somos contra o desenvolvimento e reconhecemos a importância das atividades portuárias e de mineração, mas queremos que quem mora aqui também seja ouvido, respeitado e beneficiado por esse crescimento. A nossa intenção é que o desenvolvimento da região aconteça junto com a comunidade”, ressaltou.

Sobre a relação com a LHG Mining, a presidente disse que existem reivindicações que permanecem em discussão, ao mesmo tempo em que reconheceu ações realizadas pela mineradora na comunidade.

“Com a LHG Mining, temos buscado manter justamente esse diálogo. Existem demandas que ainda precisam continuar sendo discutidas, mas também reconhecemos as ações e o apoio que a empresa vem dando à comunidade. Acredito que uma relação construída com diálogo, respeito e transparência é o melhor caminho para todos”, afirmou.

Ingred também destacou que considera papel da associação não apenas apresentar reclamações, mas acompanhar as transformações e reconhecer medidas consideradas positivas pelos moradores.

“Como presidente da associação, meu papel é ouvir os moradores, levar nossas reivindicações e também reconhecer aquilo que está sendo feito de positivo. A comunidade quer ser parceira, quer participar das decisões e quer ver Porto Esperança crescendo sem perder sua história e sua identidade”, pontuou.

Para os próximos anos, a expectativa, segundo ela, é que os investimentos realizados na região resultem em benefícios permanentes para os moradores, sobretudo em infraestrutura, oportunidades de trabalho e qualidade de vida.

“Queremos mais oportunidades, infraestrutura, qualidade de vida e, principalmente, um olhar permanente para as famílias que vivem aqui. Porto Esperança tem história, tem pessoas trabalhadoras, tem crianças e famílias que acreditam no futuro daqui. O que queremos é que esse futuro seja construído junto com a comunidade”, finalizou.

Estudo considera expansão ambientalmente viável

Apesar dos impactos identificados, o Rimaconclui que a área prevista para expansão não apresenta restrições ambientais legais impeditivas e considera viável a implantação do projeto.

O estudo sustenta que os efeitos negativos poderão ser prevenidos, mitigados ou acompanhados por meio dos programas ambientais previstos e destaca, como efeitos positivos, geração de empregos, movimentação econômica e ampliação da infraestrutura ferroviária. 

Essa conclusão integra o estudo apresentado pelo empreendedor no processo de licenciamento ambiental e será analisada pelo Instituto de Meio Ambiente de Mato Grosso do Sul (Imasul), órgão responsável por decidir sobre a licença necessária para a ampliação do terminal.

O que diz a LHG

Procurada pelo Correio do Estado para se manifestar sobre o aumento do fluxo de caminhões entre as unidades de mineração e o Terminal Privativo Gregório Curvo e sobre as reclamações dos moradores envolvendo poeira, a LHG Mining não respondeu aos questionamentos encaminhados pela reportagem até a publicação desta matéria.

OPERAÇÃO DA PF

PF apura trabalho escravo em fazenda de candidato a deputado federal em MS

Carlos Bernardo confirmou ser dono da propriedade em Porto Murtinho, onde foram encontrados 23 trabalhadores em situação irregular e 14 armas; candidato nega irregularidades e vínculo com o arsenal.

17/09/2026 17h53

Carlos Bernardo, candidato a deputado federal, confirmou ser dono da fazenda, mas negou acusações

Carlos Bernardo, candidato a deputado federal, confirmou ser dono da fazenda, mas negou acusações Foto: Divulgação

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Uma fazenda pertencente ao empresário Aparecido Carlos Bernardo (União Brasil), candidato a deputado federal por Mato Grosso do Sul nas eleições deste ano, foi alvo de uma operação da Polícia Federal (PF) e do Ministério do Trabalho e Emprego (MTE) nesta quinta-feira (17), em Porto Murtinho.

O próprio Carlos Bernardo confirmou ao Correio do Estado que é proprietário da fazenda alvo da ação. Ele, entretanto, negou qualquer vínculo com as armas encontradas no local e contestou as suspeitas relacionadas às condições de trabalho dos funcionários.

Durante a operação, agentes encontraram 23 trabalhadores em situação trabalhista irregular e apreenderam 14 armas de fogo de grosso calibre, além de munições. Parte do armamento estava em situação irregular e algumas armas apresentavam numeração suprimida.

A operação apura a possível submissão de trabalhadores a condições análogas à escravidão e a ocorrência de tráfico de pessoas para fins de exploração laboral.

Ao ser procurado pela reportagem, Carlos Bernardo confirmou ser dono da propriedade, mas afirmou que frequenta pouco a fazenda e que chega a passar cerca de seis meses sem ir ao local.

O candidato também afirmou desconhecer a existência das armas apreendidas e negou ser proprietário de qualquer uma delas.

“Eu não sou proprietário de armamento nenhum, eu não tenho arma, eu não uso arma. Eu vou nessa fazenda, às vezes demora até seis meses para eu ir nessa fazenda”, afirmou.

Bernardo também contestou a possibilidade de trabalhadores serem submetidos a condições análogas à escravidão na propriedade. Segundo ele, os funcionários possuem alojamentos climatizados e recebem alimentação ao longo do dia.

“Quando diz trabalho análogo, você conhece alguma fazenda que todos os funcionários que trabalham na fazenda, nos seus alojamentos, têm ar-condicionado? Pois é, na fazenda que foi mencionada, nossa, todos os funcionários têm ar-condicionado”, declarou.

Segundo o empresário, duas cozinheiras são responsáveis pela alimentação dos trabalhadores, com café da manhã, almoço, café da tarde e jantar.

“Todos os funcionários trabalham livres, têm alimento, têm duas cozinheiras. Elas preparam café da manhã bem cedo, bem reforçado, preparam almoço bem reforçado, café da tarde, a merenda bem reforçada, e à noite. O pessoal vem para tomar banho e eles que cuidam do quarto deles, mas todos os quartos têm ar-condicionado”, afirmou.

Carlos Bernardo classificou como injusta a associação da propriedade a trabalho em condições análogas à escravidão e disse que repudia esse tipo de prática.

“Agora vem dizer que é um trabalho análogo, sabe? É muita injustiça, porque eu sou contra isso, eu abomino isso. Eu não compactuo com isso”, declarou.

O candidato também atribuiu a repercussão do episódio a uma suposta perseguição política contra ele.

A afirmação é de Bernardo e não há, até o momento, elementos apresentados publicamente que comprovem motivação política para a operação.

“Meu nome está no meio por causa de perseguição política. Eu me sinto assim, não tem explicação. O meu erro maior, acho que agora, foi entrar na política e agora, muito mais com chance de me eleger, estou sofrendo uma implacável perseguição desleal”, disse.

Carlos Bernardo, candidato a deputado federal, confirmou ser dono da fazenda, mas negou acusaçõesVista aérea da fazenda de Carlos Bernardo, em Porto Murtinho, alvo de operação da Polícia Federal e do Ministério do Trabalho. Foto: Divulgação/PF.

Bernardo afirmou ainda que não responsabiliza as forças policiais que participaram da ação e disse ter sido informado de que a investigação teria começado após denúncia.

“Hoje eu me surpreendi com esse ato. Não estou aqui culpando a polícia, as polícias que participaram desse ato. Estou dizendo o seguinte: foi uma denúncia, dizem que foi uma denúncia, ou duas, não sei”, declarou.

Bernardo nega ser dono das armas

Sobre as 14 armas encontradas durante a operação, Carlos Bernardo afirmou desconhecer o armamento e disse não saber em qual ponto da propriedade ele foi localizado.

“As armas que foram encontradas são armas que foram encontradas lá na fazenda. Ninguém sabe onde, porque não mostraram onde foram encontradas. Eu tenho desconhecimento dessas armas aí”, disse.

Carlos Bernardo, candidato a deputado federal, confirmou ser dono da fazenda, mas negou acusaçõesArmas, munições e dinheiro encontrados durante operação na fazenda de Carlos Bernardo, em Porto Murtinho. Foto: Divulgação/Polícia Federal.

O candidato afirmou que não possui arma registrada em seu nome e sustentou que não poderia responder por eventual armamento pertencente a funcionários da propriedade.

“Funcionários que trabalham por lá têm o direito de comprar e de fazer o que eles quiserem. Eu não tenho como me envolver com isso. Eu não tenho arma no meu nome”, declarou.

Bernardo também argumentou que propriedades rurais daquela região costumam manter armas em razão da distância dos centros urbanos e de ocorrências de furto de gado.

“Naquela região, para você ter ideia, todas aquelas fazendas têm armamento lá. Por quê? Porque o Estado não garante a segurança para nós lá. Está longe de tudo, está na divisa com outro país, é uma roubalheira de gado na região”, afirmou.

Ele acrescentou que ocorrências envolvendo furto de gado poderiam ser verificadas junto à delegacia de Porto Murtinho.

“Procura saber na delegacia de Porto Murtinho que você vai ver o quanto de boletim de ocorrência e fatos narrados por eles de ladrão de gado que tem naquela região. Você ter uma arma na fazenda é proteção, porque senão os caras invadem a tua fazenda, roubam de madrugada, roubam na tua frente”, declarou.

A Polícia Federal ainda não informou oficialmente a quem pertencem as armas encontradas na propriedade. Também não foram divulgados os modelos e calibres do armamento, a quantidade total de munições recolhidas nem quem seria responsável pela guarda das armas.

A existência de armas com numeração suprimida deverá ser investigada para determinar a origem do armamento e eventuais responsabilidades.

Estrangeiros teriam sido recrutados

Segundo a Polícia Federal, a investigação teve início a partir de informações de que trabalhadores estrangeiros estariam sendo recrutados informalmente e levados para a propriedade rural, onde seriam mantidos em situação de vulnerabilidade.

Entre os elementos investigados estão a ausência de registro trabalhista, possível retenção de pagamentos e restrições à liberdade dos trabalhadores para deixar a propriedade.

Durante o cumprimento do mandado de busca e apreensão, as equipes encontraram 23 trabalhadores em situação trabalhista irregular.

A nacionalidade deles não foi divulgada. Também não foi informado oficialmente há quanto tempo estavam na propriedade, quais funções desempenhavam ou de que maneira teriam sido recrutados.

Outro ponto que ainda deverá ser esclarecido é se os 23 trabalhadores foram formalmente reconhecidos pelo Ministério do Trabalho e Emprego como vítimas de trabalho em condições análogas à escravidão.

A distinção é importante porque, até o momento, a Polícia Federal informou oficialmente que foram encontrados trabalhadores em situação trabalhista irregular, enquanto a possível submissão a condições análogas à escravidão permanece como objeto da investigação.

Carlos Bernardo rebateu a suspeita e afirmou que, nas empresas administradas por ele, as relações de trabalho seguem regras e princípios que, segundo ele, são incompatíveis com as práticas investigadas.

“Trabalho análogo à escravidão, eu abomino isso aí. É totalmente fora de contexto, não faz parte. Eu tenho o pessoal que trabalha comigo nas empresas que nós gestionamos, não existe essa de trabalho análogo. Tudo tem que ter o seu respeito, a sua ética, as suas regras, e regras têm que ser feitas para serem cumpridas”, declarou.

Candidato confirma propriedade da fazenda

A confirmação feita pelo próprio Carlos Bernardo reforça informações públicas que já relacionavam o empresário à atividade rural em Porto Murtinho.

Em junho, durante as comemorações pelos 114 anos do município, o site oficial do candidato informou que o empresário possui propriedade rural em Porto Murtinho e mantém investimentos na região.

Outra publicação registrou Bernardo como proprietário de empreendimento rural no município. Na ocasião, ele recebeu homenagem da Câmara Municipal de Porto Murtinho durante sessão solene alusiva ao aniversário da cidade.

Com a declaração concedida ao Correio do Estado, não há mais dúvida quanto ao vínculo do empresário com a propriedade alvo da operação: Bernardo confirmou ser o proprietário da fazenda, embora negue responsabilidade pelas armas encontradas e conteste as suspeitas relacionadas às condições de trabalho.

Bernardo contesta vínculo com universidade

Durante a entrevista, Carlos Bernardo também contestou informações relacionadas à Universidade Central do Paraguai (UCP).

O empresário afirmou que não é proprietário da instituição e disse que sua atuação esteve ligada à representação de estudantes brasileiros.

“Eu não sou dono dessa faculdade desde 2019. Eu nunca fui dono, na verdade. Eu era um dos diretores para representar o acadêmico brasileiro”, afirmou.

Segundo Bernardo, seu vínculo com a instituição terminou posteriormente e ele atualmente não integra a direção nem possui participação na universidade.

“Não faço parte do corpo diretivo, não sou proprietário dessa faculdade e muito menos de outra”, declarou.

A relação de Bernardo com a instituição já foi objeto de versões divergentes. O próprio site da UCP já o apresentou como CEO, enquanto a universidade declarou à imprensa paraguaia que ele não integra sua estrutura administrativa e que uma relação comercial mantida anteriormente teria terminado.

Bernardo afirmou ainda que sempre trabalhou desde a infância e negou envolvimento com atividades ilícitas.

“Eu fui de levantar cedo, seis horas da manhã, com seis anos de idade, enfrentando os frios do Paraná para trabalhar. Eu sempre trabalhei, eu sempre busquei, eu nunca me envolvi com coisa errada, eu nunca me envolvi com nada errado”, afirmou.

Rebanho milionário declarado à Justiça Eleitoral

Carlos Bernardo, de 60 anos, concorre a deputado federal pelo União Brasil com o número 4455. O empresário declarou à Justiça Eleitoral patrimônio de aproximadamente R$ 28,7 milhões.

A maior parcela do patrimônio declarado está relacionada justamente à pecuária. São 4.544 cabeças de gado avaliadas em R$ 18,4 milhões.

A relação de bens informada à Justiça Eleitoral também inclui R$ 3 milhões em cotas da Bernardo Administração e Participações, um Porsche Cayenne avaliado em aproximadamente R$ 1,41 milhão, R$ 800 mil em cotas da KS Táxi Aéreo e R$ 500 mil declarados em dinheiro em espécie.

Em seu perfil oficial de campanha, Bernardo se apresenta como empresário e afirma possuir mais de 30 anos de experiência em gestão.

Ele já disputou uma vaga de deputado federal em 2022 e concorreu à Prefeitura de Ponta Porã em 2024. Neste ano, voltou a disputar uma cadeira na Câmara dos Deputados.

Investigação continua

A Polícia Federal informou que as investigações prosseguem para esclarecer as circunstâncias dos fatos e identificar eventuais responsáveis e outros envolvidos.

Com a confirmação do próprio Carlos Bernardo de que é proprietário da fazenda, permanecem pendentes outros pontos centrais da investigação, entre eles quem administrava diretamente o local, a nacionalidade dos trabalhadores, como ocorreu o recrutamento, por quanto tempo permaneceram na propriedade e quem seria o proprietário ou responsável pelas 14 armas encontradas.

Também deverá ser esclarecido se havia retenção efetiva de salários ou documentos, se existiam restrições à saída dos trabalhadores e se as irregularidades encontradas serão caracterizadas pelo Ministério do Trabalho e Emprego como condições análogas à escravidão.

Em relação ao arsenal, Bernardo nega qualquer vínculo com as armas e afirma que não possui armamento em seu nome.

As circunstâncias da apreensão, a origem das armas e a eventual responsabilidade pela posse do material continuam sob investigação.

O que prevê a lei

Caso a investigação confirme a prática de trabalho em condição análoga à de escravo e haja condenação, os responsáveis podem responder pelo crime previsto no artigo 149 do Código Penal, cuja pena é de dois a oito anos de reclusão e multa, além da punição correspondente a eventual violência praticada.

Já o tráfico de pessoas para submissão a trabalho em condições análogas à escravidão, também investigado no caso, é previsto no artigo 149-A e tem pena de quatro a oito anos de reclusão e multa, com possibilidade de aumento em circunstâncias previstas em lei.

 

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