Quinta, 23 de Novembro de 2017

Acusado de planejar morte do filho é solto

1 JUN 2010Por 06h:42
NADYENKA CASTRO

Já está em liberdade o superintendente da Federação das Indústrias de Mato Grosso (Fiemt), o empresário Francisco Serafim de Barros, de 60 anos, apontado como o responsável pelo plano que previa a morte do filho, o pecuarista Fábio César Barros Leão, de 30 anos, por causa de um prêmio de loteria.
Também já saíram da cadeia os dois homens que supostamente matariam Fábio: Ademar Oliveira da Silva, de 46 anos, e Maxuel Silva dos Santos, de 18 anos, e os dois que seriam os intermediários entre o mandante e os executores: Florêncio e José Gonçalves, este último conhecido como “Zé Gordo”. Fabiano Barros Leão, de 32 anos, filho de Francisco Serafim, também apontado como envolvido na trama, é o único que está preso. Os seis foram indiciados pelo crime de formação de quadrilha.

Temporária
Todos foram presos no fim da semana passada por mandado de prisão temporária. O delegado Rodrigo Yassaki, da Delegacia Especializada de Repressão a Roubo a Banco, Assaltos e Sequestros (Garras) explicou que os cinco foram soltos no domingo à noite porque já tinham esclarecido as dúvidas sobre o caso.
Sob alegação de sigilo, o delegado não detalhou quais eram essas dúvidas. Rodrigo Yassaki disse ainda que Fabiano está preso porque na fazenda em que ele estava foram encontradas diversas armas e por esse motivo foi autuado em flagrante. Ele deve ser transferido para Mato Grosso.
O caso
A suposta trama começou a ser desmontada quando, em março deste ano, a Polícia Rodoviária Federal (PRF), prendeu Ademar e Maxuel, na BR-163, em Jaraguari, com um revólver calibre 38, fotos de Fábio César, informações sobre a placa do carro dele e o endereço da namorada, em Campo Grande, onde estava hospedado.
O Garras assumiu a investigação e descobriu que havia briga judicial entre pai e filho por causa de um prêmio da Mega-Sena, o envolvimento dos pistoleiros e dos intermediários. Ademar e Maxuel acabaram soltos logo após o flagrante, mas voltaram à cadeia no fim da semana passada junto com os outros envolvidos.
Em depoimento ao Garras, o empresário e o filho negaram que tivessem intenção de matar Fábio César. Os outros homens disseram que foram contratados por Francisco Serafim apenas para localizar o pecuarista.

Disputa
Fábio César ganhou R$ 28,8 milhões na Mega-Sena em 2006. Ele confiou o montante ao pai para fazer a administração, já que Francisco Serafim era, na época, diretor de um banco. No entanto, anos depois, verificou que não havia nenhum bem em nome dele. Questionado, o pai respondeu que eram bens de família.
Francisco Serafim devolveu ao filho metade do prêmio que Fábio ganhou na loteria em fazendas e gado. Cerca de trinta dias depois Fábio ajuizou uma ação pedindo a devolução do restante. A briga judicial prossegue.

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