Segunda, 20 de Novembro de 2017

A sorrateira doença renal crônica

11 MAR 2010Por 07h:56
Eles são dois, têm o formato similar ao de feijões e funcionam como uma espécie de filtro do nosso organismo. Os rins, responsáveis por eliminar toxinas e regular alguns processos químicos do corpo, como o estímulo para a produção de glóbulos vermelhos do sangue, demandam certos cuidados que, quando não seguidos de forma correta, podem resultar em enfermidades graves. Hoje comemora-se o Dia Mundial do Rim, data que figura como uma oportunidade de alerta sobre os perigos e alcance das complicações renais. Estimativas da Sociedade Brasileira de Nefrologia indicam que cerca de 10 milhões de brasileiros apresentam algum grau de alteração renal e 52 milhões correm risco de desenvolver a doença por serem idosos, obesos, diabéticos ou hipertensos, os grupos mais sujeitos a problemas renais. O mais grave deles é a doença renal crônica (DRC), mal que afeta atualmente cerca de 2 milhões de pessoas no País e quase 500 milhões em todo o mundo. A DRC é uma doença silenciosa, ou seja, não apresenta sintomas, caracterizada pela perda progressiva e irreversível das funções dos rins e tem como principais causas o agravo de quadros de diabetes e hipertensão. Outras doenças do aparelho renal e urinário mais comuns são: infecção urinária (ardência, dor, com ou sem febre); cálculo renal (dor nos flancos e costas, quase sempre com sangue na urina e muitas vezes eliminação de pedras); obstrução urinária (impedimento da passagem da urina pelos canais urinários). Como se trata de doenças agudas e com sintomas, geralmente são tratadas imediatamente não causando grandes danos ao órgão, diferentemente da DRC. Prevenção Segundo o médico da família Daniel Knupp, geralmente quando os sintomas ficam evidentes a DRC já está em estágio avançado. Portanto, a única maneira de evitar que a doença se agrave e os pacientes se tornem dependentes de diálise ou de transplante é realizar exames de rotina como: a análise simples da urina e dosagem de creatinina no sangue. “O diagnóstico tardio é a principal causa do aumento do número de pacientes crônicos. Cerca de 70% das pessoas que apresentam alteração renal não sabem que estão doentes, porque os sintomas só começam a aparecer quando o rim já perdeu 50% da função. Os pacientes chegam ao serviço de saúde em estado crítico, mas essa situação poderia ser evitada se a doença fosse diagnosticada no início”, afirma o médico. Observe os sintomas Embora a doença renal crônica não apresente sintomas aparentes até que cerca de 50% da função dos rins estejam comprometidas, é importante estar alerta a certos sinais, porque se não for descoberta e tratada a tempo pode levar a perda da função dos rins. Ardor ou dificuldade para urinar, alterações na coloração ou presença de sangue e espuma na urina, são alguns deles. Inchaço ao redor dos olhos e nas pernas, dores lombares, vômitos, náuseas, palidez e fraqueza também podem ser indicadores da DRC. Ao menor sinal de alterações do organismo, um médico deve ser consultado. Evolução da doença Uma das complicações mais comuns da doença renal crônica é a anemia renal, diminuição dos níveis de glóbulos vermelhos do sangue que leva a uma menor oxigenação do organismo. Esta forma de anemia pode contribuir também para o surgimento de doenças cardiovasculares, já que o coração aumenta o ritmo de bombeamento sanguíneo na tentativa de compensar a falta de oxigênio no corpo. Estima–se que cerca de 70 mil portadores de DRC desenvolvam também a anemia renal. A melhor forma de retardar a ação das doenças renais, evitando o surgimento da anemia ou mesmo sua evolução, é o diagnóstico precoce. Para alertar a população sobre a necessidade de cuidados com os rins, a Sociedade Brasileira de Nefrologia Regional de Mato Grosso do Sul fará multirão de conscientização com distribuição de material educativo para a população em escolas e também na Praça Ary Coelho, nos próximos dias.

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