Sábado, 25 de Novembro de 2017

A opinião dos produtores culturais de Campo Grande

9 ABR 2010Por 20h:01

"A cultura tem seu valor agregado. Além de entretenimento e bem-estar, ela gera empregos diretos, indiretos e gera lucros. Falta essa percepção e faltam medidas de capacitação nessa área", alega Karla Viégas, produtora cultural e coordenadora do CineCultura. Ela, que esteve presente no "Seminário itinerante de economia da cultura e desenvolvimento", acredita que faltam dados sobre os valores quantitativos produzidos pela cultura.

"Querendo ou não, a cultura ainda é vista como um direito menor. Isso acontece porque não se tem a visão de que tudo está integrado. A cultura, assim como a saúde e a justiça, podem se complementar", aponta a coordenadora. Ela afirma que a cultura educa e é uma opção diante dos problemas cotidianos. "Um jovem que cresce em um ambiente violento, mas tem acesso a cultura, pode fazer escolhas diferentes".

Embora perceba a falta de capacitação na área de gestão cultural no Estado, Karla defende que os produtores sul-mato-grossenses se esforçam em busca da criação de uma economia cultural sustentável. "Sempre que se realizam eventos como esse, vemos produtores de outras cidades, o que mostra que existe uma preocupação em todas as regiões", aponta.

 

Políticas públicas

Renata Leoni, produtora de dança e diretora do Núcleo de Dança da Fundação de Cultura de Mato Grosso do Sul (FCMS), acredita que o Estado vem fortalecendo essa economia baseada na cultura. "As pessoas estão cada vez mais conscientes do papel da cultura e os produtores têm realizado um bom trabalho. Acho que o Estado cresceu muito nessa área", afirma.

Mas, para corrigir as falhas que ainda existem na área, Renata acredita que será necessário repensar algumas questões ligadas ao modelo de Estado. "Como a Kátia e a Ana Carla explicaram em suas falas, a cultura deve ser pensada junto de outras secretarias. Não dá para isolar nenhuma delas, tudo está interligado", ressalta.

Na opinião de Renata, a questão do financiamento público é algo que sofre com visões muito equivocadas, pois os editais passaram a ser mal direcionados. "Existem produções que não conseguem se manter sem financiamento, seja estatal ou privado, enquanto outras conseguem obter lucro da bilheteria. Aqui cabe o bom senso", aponta. Mas, a produtora finaliza, trabalhar com arte e cultura ainda é uma grande batalha. (TA)

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