Quarta, 22 de Novembro de 2017

À espera de explicação

1 MAR 2010Por 04h:29
Depois do pânico e do caos que p a r c e l a d a população de Campo Grande enfrentou no sábado à noite, ontem foi dia de dimensionar o tamanho dos estragos. Os locais mais atingidos literalmente viraram pontos turísticos, o que serve para confirmar que realmente um fenômeno completamente anormal atingiu parte da cidade, sendo que a grande maioria dos moradores nem mesmo percebeu que algo de anormal ocorrera. Em cercada de 80 minutos foram 88 milímetros. Para efeito de comparação, na maior cheia dos últimos anos, em dezembro de 2005, foram 224 milímetros em cerca de quatro horas e meia, o equivalente a 0,8 milímetro por minuto. No sábado à noite, conforme os dados oficiais disponíveis até ontem, a precipitação por minuto foi 35% superior, 1,1 milímetro a cada sessenta segundos. Então, diante de fenômeno desta magnitude, é até compreensível que houvesse danos ao patrimônio público e em prédios privados. A diferença entre aquela enxurrada e a deste sábado é que desde então foram investidos pelo menos R$ 25 milhões, dinheiro quase todo federal, no combate às cheias. A questão agora é saber se os investimentos foram insuficientes, se foram corretamente aplicados ou se realmente "São Pedro" exagerou na dose. O estrago maior ocorreu nas imediações da Rua Ceará, que desde 27 de dezembro está interditada. E até agora o secretário municipal de Infraestrutura e Obras não deixou claro se aquele desmoronamento tem ou não alguma relação com as obras de drenagem da água pluvial daquela via, já que o aterro começou a ceder justamente no local onde a água desemboca. O curioso, neste caso, é que ela cai no lado superior do aterro, sendo que o que se observa normalmente é que a tubulação é direcionada para o lado oposto, o que impede que a correnteza da água da via se choque com a força da água do rio. E, com toda a certeza, o "cenário de guerra" que surgiu no local tem tudo a ver com aquele desmoronamento inicial, pois, após aquele dia, os tubos perderam capacidade de vazão. Por isso, uma grande represa formou-se no sábado à noite no local. Esta repentinamente rompeu-se e uma forte avalanche desceu pela Avenida Ricardo Brandão, destruindo asfalto, obras de drenagem e invadindo residências e estabelecimentos comerciais às margens do Prosa. É evidente que estragos teriam ocorrido mesmo que a Ceará estivesse intacta. Porém, nada seria comparável ao que se verificou quando o dia amanheceu neste domingo. Por isso, é fundamental que fique claro se a drenagem da Ceará terá ou não de ser refeita. Além disso, agora a prefeitura precisa refazer o projeto de reconstrução do local e analisar com cuidado se é conveniente colocar tubos naquele local. Algo realmente amplo precisa ser feito para que no futuro outras enxurradas não venham a detonar obras que consumiram milhões e milhões dos cofres públicos.

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