Sábado, 18 de Novembro de 2017

A empresa de sucesso

2 JUL 2010Por 06h:27
Como julgar o sucesso de uma empresa? Pela quantidade de funcionários? Ou pelo tamanho da sua conta bancária? Tradicionalmente o sucesso da empresa tem sido baseado no crescimento do número de funcionários ou na melhora contínua do desempenho financeiro: maior faturamento, lucro e retorno sobre o investimento. Tais medidas pressupõem que para alcançar o sucesso é preciso crescer. Jornais e revistas que publicam sobre os empreendedores de sucesso, em sua grande maioria, seguem essa tradição, propagando a ideia de crescimento como único caminho para o sucesso. Mas, será que é possível que toda empresa cresça continuamente? Será que todo dirigente deseja que sua empresa esteja em contínuo crescimento? Será que não almejar o crescimento da empresa é pecado?

Os altos índices de mortalidade de pequenas empresas têm mostrado que sobreviver durante os anos iniciais de sua existência é uma grande vitória para o dirigente. Mesmo que o empresário almeje crescer nem sempre será possível. Nem todos conseguirão ser o Bill Gates do varejo, da construção civil ou do salão de beleza. O crescimento não depende apenas da qualidade da gestão do empreendimento, mas, das oportunidades que surgem no ambiente empresarial e do desejo do empresário em querer aproveitar essas oportunidades.

Além das condições involuntárias que podem impedir a expansão da empresa, nem todos os empresários têm interesse no crescimento contínuo, eles possuem medidas de sucesso diferentes. Essas medidas podem ser de natureza financeira e não-financeira. As medidas não-financeiras são consideradas afetivas e proporcionam ganhos psicológicos e físicos. Elas são subjetivas e expressam os objetivos pessoais do empresário, são complementares às medidas financeiras.

O proprietário-dirigente pode iniciar uma empresa por diversas razões: perda do emprego, liberdade pessoal, independência por ser chefe, satisfação pessoal, orgulho do trabalho realizado, responsabilidade com a comunidade, oferecimento de emprego a outros, menos rigidez e mais flexibilidade no estilo de vida, melhor balanceamento entre trabalho e atividades familiares e/ou proporcionar escola de qualidade aos filhos. Todas essas razões vão orientar a gestão da empresa e muitas vezes são consideradas irracionais pelos especialistas em negócios que avaliam unicamente pelo critério financeiro.
Pesquisa realizada pelo autor deste artigo e sua equipe, em quatro empresas de pequeno porte na cidade de Três Lagoas no ano de 2009, comprova que o sucesso vai além das medidas financeiras ao descobrir os principais motivos dos dirigentes para abertura de suas empresas: “maior conforto para família, necessidade de trabalhar, vontade de liderar, ser o patrão”; “alternativa para complementar a aposentadoria e sair da rotina”; “empresa familiar, para passar mais tempo junto com a família”; “sonho de infância, visão de uma oportunidade de negócio, alternativa para o desemprego”. Fica claro, que o dirigente busca harmonizar o desempenho financeiro da empresa com seus objetivos pessoais.

Em um estudo realizado no ano de 2004 por Elizabeth Walker e Alan Brown, com 290 proprietários-dirigentes de pequenas empresas australianas, eles descobriram que os dirigentes medem seu sucesso usando ambas as medidas, financeiras e não-financeiras e que, muitas vezes, o estilo de vida flexível foi a medida de sucesso considerada mais relevante. Muitos dirigentes procuram permanecer numa zona de conforto e estão preparados para renunciar a mais negócios e mais ganhos financeiros e também ao estresse que mais trabalho pode trazer, tudo em nome de uma vida melhor, mais equilibrada.
Não é pecado querer expandir o negócio, mas também não é errado pensar de forma diferente. Sucesso tem um conceito relativo e vai depender de cada dirigente. Se o sucesso de uma empresa for medido apenas pelo crescimento contínuo do número de funcionários e da lucratividade, 98% das empresas brasileiras fracassaram e o trabalho de seus dirigentes é vão, não tem nenhum valor social. Universidades, governos, especialistas e instituições de fomento precisam reconhecer ambas as medidas de sucesso, pois a pequena empresa não é uma grande empresa que ainda não cresceu. Ela é de natureza diferente da grande, por isso precisa de outros critérios para medir seu sucesso.

Alexandre Farias Albuquerque, Prof. MSc. da UFMS/Campus de Três Lagoas - E-mail: afalbuquerque@terra.com.br

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