Sábado, 18 de Novembro de 2017

A duras penas

1 MAR 2010Por 04h:30
Encontrei-me com um amigo, dias atrás, na Santa Casa e lhe perguntei “Como vai o seu novo trabalho, de formar a sua fazenda?” Respondeu-me: “A duras penas, porém, com a graça de Deus, tudo sendo resolvido”. Após um dedo de prosa rápido, fiquei sabendo que sua esposa estava internada, com dengue, não adquirida na fazenda, mas, aqui em Campo Grande. Nos despedimos e desejei breve recuperação à doente. Fiquei pensando na frase “a duras penas”, não a derivada do latim, penna, órgão que cobre o corpo das aves, mas, sim, do latim “poena”, que indica aflição, contrariedade, desgosto, cuidado, sofrimento. Dirigindo-me ao Pronto-Socorro da Santa Casa observei a quantidade de pacientes que chegam com dengue, vendo a dor e o sofrimento destes. Como ex-controlador do Hospital comecei a pensar nestes custos ao município e à Secretaria de Saúde. O custo médio do tratamento dos pacientes com dengue, incluso neste, materiais médicos-hospitalares, exames laboratoriais repetitivos, medicamentos, contratação de equipe médicas suplementares, custo-hora destas equipes, depreciação do espaço físico, energia elétrica, água, limpeza é de trezentos reais por paciente ao dia. Atendendo hoje, a média de mil casos por dia nas Unidades de Saúde, o gasto diário é de trezentos mil reais e, dentro do mês, nove milhões de reais sem contar pacientes com dengue hemorrágica que o custo do tratamento na média baixa quintuplica ou mais este valor. Ainda, temos os custo indiretos como ausência no trabalho por licença-médica, dietas diferentes, transportes, e outros custos que entram dentro do processo. Só o laboratório da Santa Casa aumentou em 60% o número de hemogramas, ao passo que o laboratório da prefeitura faz mais de 2.000 hemogramas por dia para atender aos postos de saúde. Aí, a população fala: “É dinheiro do Ministério da Saúde”. Ledo engano, o Ministério da Saúde envia verbas para prevenção da epidemia, cujos programas foram cumpridos à risca pelo sr. prefeito municipal e pela equipe da Secretaria de Saúde do Município, mas, o tratamento curativo sai dos cofres do Município. A população em geral, está de certo modo, cometendo um crime contra os seus semelhantes e contra o município. Como? Não observando as regras sociais de comportamento, mantendo terrenos como depósitos de lixo orgânico e inorgânico, não limpando seus quintais, não observando as instruções de prevenção, que exaustivamente é colocada na mídia escrita, falada, televisionada, bem como também pelos heróis que são os agentes de Saúde que fora, o trabalho a que são determinados ainda solidariamente ajudam na limpeza destes locais catando lixo que pessoas sem consciência fazem questão de descartar. População mal-educada e não mal instruída. A cidade é também a casa de todos. Nas casas com focos de dengue os proprietários deviam ser processados criminalmente. Se um cuida de seu imóvel e o vizinho não cuida, vai sofrer de uma doença que pode levar à morte. E aí? Nos anos 70, li um livro sobre a China, onde o índice de esquistossomose era epidêmica. Sim, aquela do caramujo. Toda a população chinesa foi à luta e limpou com vassouras e pás, todos os lagos, riachos, margens de rios, de córregos de onde o caramujo se alastrava. Recentemente, foram os ratos. Quando o nosso prefeito, Nelson Trad Filho pede que a população tome uma atitude é para que se vigiem, se ajudem, mostrem grandeza de cidadania ajudando o município e seus habitantes. Não veja só os seus Direitos, mas sim, seus Deveres e Obrigações. Talvez aquele buraco da sua rua, o desejo de asfalto no seu bairro, o ponto de ônibus coberto, mais uma Unidade de Saúde, mais uma Escola Municipal, já tivesse sido resolvido se não fosse a despesa fora de hora que a própria população provoca como recentemente os alagamentos ocorridos nessa época de chuva por lixo jogado na rua entupindo bocas de lobo e galerias pluviais. Aí, não reclame que a sua casa alagou! A preocupação do sr. prefeito Municipal, do secretário de Saúde e toda a sua equipe é o bemestar dos seus cidadãos, nem que seja a duras penas. Parabéns, sr. prefeito, sr. secretário de Saúde, pois, o seu trabalho faz valer a pena. Em tempo, certos blogueiros deveriam verificar nas suas residências se não há foco do mosquito da dengue ou da mosca azul da vaidade.

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