Quinta, 23 de Novembro de 2017

A corrupção, herança da má paternagem

2 MAR 2010Por 06h:02
Percebe-se que, na tentativa de reconstrução democrática pós-Regime Militar, não foi só a música brasileira que decaiu. A moralidade referente à “coisa pública”, sobretudo nos últimos anos, só deixa contente os laláus impunes. Não bastando, metade dos nascimentos provêm de adolescentes que ainda necessitam de paternagem. Os vestais da moralidade que prometeram um “novo modo de governar”, após assumirem o Poder Central, apenas inovaram alguns aspectos da corrupção, ou seja, no uso dos recursos públicos para benesses pessoais, promoção de invasões terroristas e expansão do poder. Parecem orgulhosos de seus “mensalões” e “recursos não contabilizados” que são considerados “práxis revolucionária” moralmente justificada para manutenção do poder e desmoralização da “democracia burguesa”, como eles próprios dizem. Quem se indigna seria “moralista” ou integrante de uma “conspiração das elites”. Sabe-se ainda que a naturalíssima rotatividade de poder não tem abrigo catecismo marxista-leninista, que norteia o Partido no poder. Tal como na China, que ressuscitou o “modo capitalista de produção” e com cujo Partido Comunista tem um acordo de colaboração mútua, o PT mantém o modo de produção capitalista vigente, mas não admite perder o poder. Por isso, com a prometida “guinada para a esquerda”, prepara-se para arregimentar sua militância e infernizar a vida do futuro Governo, pois, tudo indica que terão que chupar essa indigesta manga democrática que é a rotatividade do poder. Será a primeira vez na História que isso se dá sob a vigência de um Partido comunista no poder. A História nos confirmará. Mas voltando à “vaca fria”, melhor dizendo, à vaca podre da corrupção que nos aflige a bolsa e a alma, nos acode aqui a Psicanálise, quando analisa a “função paterna” na formação do “superego”, ou caráter dos filhos. Paternagem frouxa, sem “não”, permissiva, resulta em prole sem rumo, disciplina, sem respeito ao próximo e às leis. As figuras carismáticas, grandes artistas e políticos têm a mesma influência sobre os usos, costumes e a moralidade das massas. Neste momento ouso fazer uma triste projeção sobre o curso da moralidade em geral, inclusive na coisa pública, por conta da influência do carisma do presidente Lula, com suas atitudes ambivalentes e frouxas face aos mensalões e outras sem-vergonhices que nos tem afligido. Não passa a mão na cabeça de seus mensaleiros? Que fez face ao empréstimo fajuto do Partido no mercado financeiro, sabe-se lá para quê? E os cumpanhêro pegos com a mão numa fortuna para praticar terror contra um candidato da oposição, e que Lula considerou meros “aloprados”? A origem do dinheiro para o terror é ainda um conveniente mistério. Nunca se esquecerá, ainda, de um presidente jogando camisinhas para foliões, de seu palanque carnavalesco. É o triunfo da promiscuidade sexual. Tudo isso, leitor, cria um clima de permissividade assemel hada a uma metástase cancerosa, que impregna a alma das novas gerações e, quanto maior o carisma do “Pai- Grande”, maior a influência nefasta de suas ambivalências e permissividade. Não adianta os esforços da Polícia Federal, da repressão para quebrar essa maré que está mais para tsunami que marolinha. Enquanto isso, os mensaleiros do PT, homenageados em encontro nacional, estão de volta, porque praticaram o “mensalão” do bem, que nem existiu. O relatório da CPI dos Correios, sob a decente direção de nosso pantaneiro senador Delcídio, foi um delírio da Nação. Mensalão “do mal” é o dos outros, até crime hediondo. Mas o desvio de recursos públicos para financiar o terrorismo do MST será investigado por uma CPI controlada pelo Partido do qual o objeto da investigação é um braço. Não acabará em pizza, já virou marmelada e mais um péssimo exemplo para a sociedade. A transformação da corrupção em crime hediondo é mais uma jogada de marketing pois, sabe-se muito bem, a companheirada do mensalão e os aloprados estão blindados. Assim caminha, “de caso pensado”, a degradação de nosso Estado Democrático e de Direito. Neste exato momento o coodenador de campanha da candidata de Lula é apontado como o responsável, quando prefeito em BH, pela remessa de 80 milhões para o exterior, recursos esses que seriam provenientes de superfaturamento de obras. O dinheiro teria retornado para usufruto de seu Partido e aliados. Coisa de pôr o Marcola no chinelo. Mas como no imaginário da Nação a “função caráter” corre frouxa, anestesiada, talvez tudo fique no dito pelo não dito. Quem nega essa triste realidade?

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