Tanatopraxista, o 'maquiador' de corpos para os velórios

GABRIEL MAYMONE 2 de Novembro de 2011 | 00h02
GABRIEL MAYMONE/CORREIO DO ESTADO GABRIEL MAYMONE/CORREIO DO ESTADO

O velório é a última despedida de familiares e amigos a quem já morreu. Durante a cerimônia, as pessoas vêem o falecido com uma boa aparência e não sabem quem trabalha para deixá-lo assim. O tanatopraxista é o profissional responsável por toda a preparação do falecido.

Milton Aparecido Miguel, de 53 anos, que há 30 trabalha na área, resume a profissão. “Nosso trabalho é deixar o falecido com a aparência mais tranquila e serena para a família ter uma boa última impressão do ente querido”.

O profissional conta que o trabalho de um tanatopraxista vai desde o recolhimento do corpo até o enterro. “Nós somos acionados assim que é constatado o óbito. Conversamos com a família para ajustar os detalhes do velório, levamos o corpo para a preparação, acompanhamos e velório e o trabalho só termina no enterro”, conta Milton.

O contato com a família é essencial para o trabalho de Milton, “Nós precisamos saber quanto tempo vai durar o velório e o local. Estes detalhes são importantes para prepararmos o corpo da melhor maneira, para que não haja problemas”, conta.

"Nosso trabalho começa com o recolhimento do corpo e termina no enterro"

O companheiro de trabalho dele, apesar de ser bem mais novo, carrega muita experiência, Tadeu da Silva Viana, de 26 anos, trabalha desde os 14 em funerárias. “Minha mãe trabalhava no hospital e depois ela teve uma funerária. Desde criancinha eu trabalho com defuntos, estou acostumado”, brinca.

Tadeu conta que muitos familiares agradecem os profissionais pelo trabalho. “Algumas pessoas chegam chorando de emoção para falar que nosso trabalho ficou bom”, relata Tadeu, dizendo que ,durante a preparação do corpo, há a preocupação com os familiares. “Eles precisam sair do velório com uma boa impressão, afinal, é aquela imagem do finado que eles vão se lembrar depois”, completa.

Para exercer a profissão de tanatopraxista, é preciso ter um certificado de conclusão do curso para tanatopraxia. Mas só isso não basta, “Quem nunca trabalhou na área e fez o curso, nós não consideramos como um profissional. A experiência é a maior escola da profissão”, garante Tadeu.

Um trabalho de tanatopraxia mal feito pode resultar em alguns transtornos mais tarde. A preparação do defunto visa higienizar o corpo, para evitar contaminações ou qualquer tipo de vazamento de líquidos e gases durante o velório, já que o processo tem como objetivo retardar o processo de decomposição natural do corpo. “Todas as etapas são importantes e garantem uma melhor aparência no final do trabalho”, conclui Tadeu. 

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