Rotura uterina

CLáUDIO CRISPI /BOLSA DE MULHER11 de Outubro de 2010 | 07h58



Trata-se da rotura completa ou incompleta da parede uterina, que ocorre sobretudo além da 28ª semana gestacional e durante o trabalho de parto, precedida, em sua maioria, por quadro clínico de iminência de rotura uterina, o que facilita sua prevenção. Por essa razão, a sua frequência representa um indicador da qualidade da assistência obstétrica prestada nos serviços em que ocorre.
A rotura uterina constitui uma das complicações obstétricas mais temidas da gravidez, podendo acarretar risco de morte tanto para o feto, quanto para a gestante. Na literatura há registros, que a incidência pode chegar a uma rotura uterina a cada 2.000 partos. Importante salientar que esta complicação não ocorre apenas durante o período do parto, podem acontecer roturas uterinas durante a gestação. Desta maneira, o principal fator de risco seria um grande número de partos anteriores, conhecido no meio médico como multiparidade.

Fatores de risco
Os outros fatores de risco associados a esta complicação que poderiam ser citados seriam: cirurgias uterinas prévias, como por exemplo, a cesariana. Condições inerentes ao parto e aos procedimentos obstétricos, tais como desproporção cefalopélvica e parto obstruído. E condições da gestante e da gestação em si, tais como grande número de gestações anteriores e gravidez ectópica (em local anormal, como a tuba uterina). A fim de diminuir os riscos de intercorrências obstétricas, recomenda-se que o intervalo entre um parto e outro seja de, no mínimo, 2 anos.
A rotura durante a gestação é rara e pode ocorrer de forma pouco sintomática, causando uma dor abdominal imprecisa e sangramento vaginal, com agravamento do quadro de forma evolutiva. A forma mais clássica de rotura uterina ocorre durante o trabalho de parto, sendo os traumas cirúrgicos uterinos anteriores os principais fatores de risco, principalmente a(s) cesariana(s) prévia(s).
Rotura no parto
Quando ocorre durante o trabalho de parto, o quadro clínico, geralmente, se apresenta com dor súbita e bem localizada no abdome, o parto pára de progredir e a mulher apresenta repercussões do grande sangramento causado pela rotura do útero, como hipotensão e agravamento para choque hipovolêmico, que consiste numa perda rápida do volume sanguíneo circulante nos vasos sanguíneos com má perfusão dos tecidos.
Por curiosidade, existem casos em que a rotura do órgão é incompleta, quando alguma das camadas do útero mantém-se íntegra, nestes casos o quadro clínico é mais brando e na maioria das vezes o diagnóstico só é feito após o parto.

Diagnóstico

Nos quadros clássicos o diagnóstico é feito, em sua maioria, clinicamente com o quadro clínico e o exame físico da paciente. Em casos mais difíceis, a ultrassonografia pode ajudar a esclarecer o diagnóstico. Importante nestes casos é a conduta imediata após a descoberta desta complicação. Sendo a cesariana de urgência uma medida que pode, inclusive, tentar extrair o feto ainda vivo e, posteriormente, fazer a sutura do útero.
Esta complicação é grave, poucas vezes acarreta o óbito materno, contudo o óbito fetal pode alcançar até 60% dos casos. Por isto, é necessário orientar a mulher para o apropriado acompanhamento pré-natal, no qual os fatores de risco serão avaliados e explicados à gestante. Assim como é importante que sejam reconhecidos os sinais de trabalho de parto, desta forma a gestante procurará um serviço de maternidade em tempo adequado a se realizar uma assistência ao trabalho de parto ideal, diminuindo o risco desta complicação.

Tratamento
O tratamento é cirúrgico, variando desde a sutura uterina à histerectomia, podendo a paciente necessitar de suporte vital. Algumas roturas provocam grandes hematomas de ligamento largo, podendo estender-se ao retroperitônio. A abordagem cirúrgica desses casos é mais complexa. O hematoma de ligamento largo deve ser drenado, mas hematomas retroperitoniais, em princípio, não devem ser manipulados.
Em casos de parto vaginal com roturas sem manifestação clínica, mais encontrados em rotura de cicatriz segmentar transversa (muitas vezes deiscência e não rotura), detectadas na revisão de segmento uterino após a dequitação, o tratamento dependerá da estabilidade hemodinâmica da paciente e da hemorragia visível. Em grandes roturas detectadas ao toque, é mais aconselhável proceder-se à laparotomia com sutura da área lesada, podendo ou não ser feita laqueadura tubárea, conforme o desejo da paciente e sua condição obstétrica.

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