Papel chinês pode inundar mercado

ANDRé MAGNABOSCO (AE)12 de Dezembro de 2010 | 01h55
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A indústria brasileira de papel observa com atenção e preocupação o movimento global iniciado pelas grandes potências econômicas mundiais contra o produto asiático. Por intermédio da aplicação de sobretaxas aos papéis produzidos principalmente na China, Estados Unidos e União Europeia já criaram barreiras a importações da Ásia. Tais medidas devem resultar em sobreoferta de produção no mercado brasileiro, que ainda analisa medidas para evitar um cenário de pressão nas margens.

A pergunta que ronda os executivos do setor é para onde irá o papel chinês antes vendido para norte-americanos e europeus - a Argentina também anunciou medidas de controle ao papel asiático. Diante da possibilidade de que o Brasil seja visto como um mercado natural a esses produtos, resta à indústria nacional defender medidas semelhantes de controle às importações.

O problema é que, qualquer decisão que seja tomada nessa direção, deverá ter resultados efetivos somente a partir do fim de 2011. "Um reclamo na Organização Mundial do Comércio (OMC), via governo, seja por dumping, seja por qualquer problema de precificação, não pode ser considerado de curtíssimo prazo. A ação não se faz em um prazo menor de dez meses a um ano", destaca a presidente executiva da Associação Brasileira de Celulose e Papel (Bracelpa), Elizabeth de Carvalhaes.

Nesse período, as importações de papel chinês devem se intensificar. Segundo dados da entidade, o produto importado já responde por mais da metade do mercado doméstico de papéis de imprimir e escrever, tendo crescido 91% entre 2007 e 2010 (até outubro). Nesse mesmo período, as exportações de papéis fabricados na China e na Indonésia cresceram 342%, alçando quase 100 mil toneladas entre janeiro e outubro deste ano - contra aproximadamente 60 mil toneladas em todo o ano de 2009.

O avanço do produto importado causa preocupação à indústria nacional. Segundo o diretor comercial da International Paper (IP), Nilson Cardoso, a maior oferta de papéis revestidos no mercado mundial trouxe impacto aos negócios da subsidiária brasileira do grupo norte-americano no terceiro trimestre deste ano. As vendas da empresa nesse período caíram 7,1% sobre igual intervalo de 2009. "Vemos uma substituição do papel não revestido pelo couché (revestido)", destaca Cardoso. Esse movimento ocorre porque, em alguns casos, principalmente na confecção de folhetos promocionais, o custo benefício do couché tem permitido essa migração.

O cenário de aumento de oferta de produto importado no Brasil já havia sido previsto pelo presidente da Suzano Papel e Celulose em outubro passado. Perguntado pela reportagem sobre a aplicação de uma sobretaxa aos papéis fabricados na China e na Indonésia pelos Estados Unidos, o executivo mostrou preocupação em relação à maior disputa no mercado doméstico.

Outro executivo do setor, que concedeu entrevista sob a condição de não ser identificado, afirmou que as empresas brasileiras já se mobilizam para entrar com ações similares àquelas adotadas pelos EUA e União Europeia nos últimos dois meses. "Temos que ficar atentos para que os asiáticos não peguem essa capacidade e coloquem aqui no Brasil", destacou.

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