Pagar o mínimo do cartão pode transformar dívida em 'bola de neve'

EVELYN SOUZA21 de Fevereiro de 2011 | 18h00

Apesar de ser uma proposta tentadora, pagar o mínimo do valor total da fatura do cartão de crédito não é a melhor opção. Após o pagamento do mínimo da dívida, a diferença volta na fatura seguinte, porém com acréscimo de juros e correções que podem variar de 14% a 15% ao mês. Quem dá as dicas é o defensor público da área civil, Fábio Rombi.

Segundo ele o que parece simples pode se tornar um grande problema na situação financeira do cidadão. “Esse tipo de pagamento pode fazer com que a dívida se transforme em uma bola de neve e o devedor não consiga pagar”, explica o defensor.

Outro fator preocupante, segundo ele, é que além do valor acrescentado em juros existe ainda a fatura do mês seguinte. “ Se eu fiz uma compra parcelada, o valor do parcelamento e o valor que eu deixei de pagar corrigido estará programado para a minha próxima fatura, ou seja, o valor pode até dobrar”, diz Rombi.

O defensor explica que nesses casos a melhor opção é se organizar para que o pagamento da fatura do cartão de crédito esteja nos pagamentos considerados como prioridade. “ Quando a situação apertar o cidadão deve dar prioridade as dívidas que se não forem pagas, terão o maior acréscimo de juros, como é o caso do cartão”.

Justiça

De acordo com Fábio Rombi, a defensoria pública atende centenas de processos por mês de pessoas requerendo a ação de revisão de contrato contra bancos. Porém, ele explica que essas ações já não estão mais tão favoráveis aos cidadãos que se complicam no pagamento do cartão e acabam gerando dívidas altíssimas. “Atualmente, a justiça entende que cobrar juros acima da taxa legal é crime, ou seja, se o banco que ofereceu o cartão de crédito está dentro da taxa normal cobrada por outros bancos fica difícil ganhar a ação”.

O site do Banco Central disponibiliza a cada 15 dias uma tabela de juros cobrados por cinquenta bancos. (Consulte aqui). Nessa tabela, é possível observar as modalidades de créditos oferecidas pelas agências. “Olhando essa tabela o consumidor pode fazer um comparativo e escolher o banco que oferece um melhor valor”, diz Rombi.

No ponto de vista do defensor, a falta de orientação pode ser o fator principal para esse tipo de endividamento. “Quando você adquire um cartão de crédito, na maioria das vezes não é informado sobre a taxa de juros. No mês posterior ao abrir a fatura, aquele valor mínimo que aparece logo em cima do boleto é com certeza tentador”, diz o defensor.

Fábio ressalta ainda que a taxa de juros de cartão de crédito pode chegar até 170% ao ano, como é o caso também do cheque especial. A menor taxa registrada é em relação aos financiamentos, onde os juros podem chegar até 25% ao ano.

2ª Opção
O defensor público, Fábio Rombi alerta para a vantagem do pagamento á vista. “Depois de um certo tempo, os bancos passam a oferecer propostas de quitação que podem ser um bom negócio aos credores”. Fábio ressalta ainda que o próprio cidadão pode juntar uma quantia e oferecer uma proposta para o pagamento à vista. “ Quando entrar aquele dinheirinho extra o devedor pode negociar com o banco e com certeza irá ganhar um bom desconto”.

 

Confira orientação sobre o pagamento do mínimo da fatura do cartão de crédito:


 

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