Mulher passa 12 dias na UTI após contrair doença de calopsita em São José dos Campos

UOL14 de Maio de 2011 | 21h00

Uma doença transmitida por uma bactéria em uma calopsita (espécie de ave) quase matou a auxiliar de produção Renata de Almeida Avelino, 36, de São José dos Campos (a 97 km de São Paulo), e a deixou internada por 12 dias na UTI (Unidade de Tratamento Intensivo) no Hospital Emílio Ribas, em São Paulo.

O sonho de ter um pássaro dessa espécie terminou no dia 5 de abril, quando a ave morreu pela manhã em sua casa. No mesmo dia, a auxiliar de produção começou a sentir calafrios, febre e dores em todo o corpo, sintomas típicos de quem contrai a doença.

“Comprei a calopsita 17 dias antes dela morrer com a bactéria clamídia, segundo o médico. Passei muito mal e fui várias vezes em um pronto-socorro em São José no decorrer daquela semana. Um absurdo, fui diagnosticada com dengue, mas mesmo assim as dores não passavam com os medicamentos e me sentia cada vez mais fraca”, disse Renata.

A doença, conhecida como psitacose, só foi identificada quando a mãe da vítima, a secretária Jurema Gomes de Almeida, 60 anos, decidiu levá-la para o hospital Emílio Ribas. Somente depois da radiografia, que detectou uma pneumonia grave nos dois pulmões, foi possível detalhar a doença no organismo.

“O estado de saúde da minha filha piorou ao longo dos dias. Ela começou a ter vômitos e diarreia. Em São Paulo, após realizar exames, foi provado que ela estava com 75% dos pulmões atingidos pela pneumonia desenvolvida, segundo o médico, por conta da bactéria. É uma doença rara, mas poderia ser evitada. O que mais me preocupa é que muita gente pode estar morrendo disso e todo mundo acreditando que a causa é pneumonia”, disse Jurema.

Agora Renata pretende processar o estabelecimento onde comprou o pássaro para evitar que outras pessoas passem pelo mesmo problema. “Vou entrar com processo contra o pet shop por conta do meu sofrimento e pela minha vida que quase perdi. O médico disse que se a doença não fosse diagnosticada a tempo eu estaria morta.”

A auxiliar de produção comprou a calopsita no dia 19 de março no pet shop Canto dos Bichos, na zona sul de São José dos Campos. Após a denúncia da vítima, a Vigilância Epidemiológica esteve no local e proibiu a comercialização dos animais, que foram marcados para acompanhamento dos veterinários.
Outro lado
O UOL Notícias entrou em contato com o estabelecimento e uma mulher chamada Jemima se identificou como proprietária do local no final da tarde desta sexta-feira (13). Segundo ela, não há como saber se a calopsita estava doente antes ou depois de ser vendida à Renata.

“Nunca aconteceu um caso como este que estão apontando para nós. Ela colocou a culpa na gente, mas vai ter de provar na Justiça, pois não teve nem reclamação e de repente sou abordada por jornalistas. Ela fez a ‘necropsia’ da ave? Como ela vai provar? Muitos pássaros são portadores de doenças”, afirmou.

A Prefeitura de São José dos Campos acionou o Escritório de Defesa Agropecuária para enviar fiscais para os pet shops e as casas de aves da cidade. 

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