Indústria tem R$ 17 milhões em negócios com o Paraguai

CARLOS HENRIQUE BRAGA28 de Outubro de 2010 | 02h10
ÁLVARO REZENDE ÁLVARO REZENDE

Empresários e governos do Paraguai e de Mato Grosso do Sul estão empenhados em acelerar o intercâmbio comercial para desenvolver a indústria dos dois países. Grupo de 18 paraguaios fecharam R$ 17 milhões em negócios, ontem, no encontro realizado na Federação das Indústrias do Estado (Fiems), em Campo Grande. A troca comercial com o país vizinho é tímida, se levada em conta a proximidade. Ele ocupa a 19ª posição entre o destino das exportações sul-mato-grossenses e é o 11º entre os países de origem.

Entre janeiro e setembro, a participação do Paraguai nas exportações de MS foi de 0,89% (US$ 19,7 milhões do total de US$ 2,2 bilhões), de acordo com o Ministério do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior. De lá para cá vieram US$ 19,5 milhões em produtos, cifra que corresponde a 0,81% das importações no mesmo período (US$ 2,4 bilhões).

Para virar o jogo, o país rejeita o papel de "shopping de brasileiro" e oferece incentivos fiscais para atrair fábricas brasileiras. "É o que queremos evitar, queremos um relacionamento sincero e transparente", disse o ministro de Indústria e Comércio, Francisco Rivas, que estendeu esses preceitos à política e à cultura. "Precisamos construir uma relação melhor e derrubar barreiras, o Paraguai nos deu aval para isso", defendeu o presidente da Fiems, Sérgio Longen.

Os empresários vizinhos estão de olho principalmente nos setores de alimentos, florestas plantadas e sucroenergético. Na manhã de ontem, o governador André Puccinelli (PMDB) assinou protocolo de intenções para dinamizar negócios. Segundo ele, é preciso acabar com a "burrocracia" do Estado e municípios que emperra o comércio.

Imposto reduzido
A presença de indústrias brasileiras cresce em território paraguaio por causa dos incentivos oferecidos pela Lei de Maquila, que reduz a 1% impostos de importação de matérias-primas do Brasil. O empresário produz no exterior com custos reduzidos sem abrir mão do grande mercado interno brasileiro. "Isso tem atraído muitas fábricas, mas até mesmo sem a lei, os impostos no Paraguai não passam de 12% sobre o valor agregado", garante o diretor nacional do Ministério de Indústria e Comércio, Oscar Stark.

As exportações ao país sul-americano de commodities (mercadorias primárias vendidas na bolsa de valores) predominam na balança comercial, afirma a diretora da unidade local da Agência Brasileira de Promoção à Exportação (Apex), Andréa Afif. Exportadores estão livres de impostos e recebem até 80% de volta, em créditos, do tributo que pagam no Paraguai.

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