Terça, 21 de Novembro de 2017

CPI do Cachoeira vaza na internet

13 MAI 2012Por r707h:00

Na mesma semana em que mais uma atriz viu sua intimidade exposta na internet, deputados e senadores decidiram tornar secretas as primeiras reuniões da CPI mais explosiva desde o escândalo do mensalão, de 2005.

Preocupados com o sigilo das informações colhidas pela Polícia Federal, os parlamentares montaram um esquema para blindar os trabalhos da CPMI (Comissão Parlamentar Mista de Inquérito) que investiga as atividades do bicheiro Carlinhos Cachoeira. Em duas sessões com portas fechadas, realizadas na terça (8) e na quinta-feira (10), o Congresso ouviu os delegados que conduziram as apurações.

Mas, apesar do bloqueio, dados das operações da PF que servem de base para os trabalhos da CPI vazaram e foram parar na internet. A quebra do sigilo deixou no ar uma pergunta: com a popularização da internet e a chegada das redes sociais, que permitem compartilhar conteúdo em velocidade inédita, é possível manter em segredo um assunto de tamanha importância?

Nos últimos dias, a internet mostrou seu poder para furar a privacidade. Na sexta-feira da semana passada (4), fotos da atriz Carolina Dieckmann nua caíram na rede depois que seu computador foi invadido por um hacker. Em questão de minutos, as imagens se espalharam e foram parar até em sites estrangeiros.

Enquanto a privacidade alheia era debatida nas redes sociais, os parlamentares blindavam as sessões da CPI e tentavam proteger as informações do caso Cachoeira em uma sala montada no Senado com um rígido esquema de segurança.

Como o processo corre sob segredo de Justiça, os deputados e senadores alegaram que era necessário proteger o resultado das apurações já feitas pela polícia.

O pedido para trancar as portas das primeiras sessões da comissão, em que foram ouvidos os delegados Raul Alexandre Marques Sousa e Matheus Mella Rodrigues, partiu do deputado Luiz Pitiman (PMDB-DF) e da senadora Kátia Abreu (PSD-TO).

Eles evocaram o ministro do STF Ricardo Lewandowski, que liberou os dados em poder da Corte com uma advertência: “observar as restrições de publicidade inerentes aos feitos sob segredo judicial” e “manter o rígido sigilo na prestação de informações de qualquer material desta investigação parlamentar”.

Por 17 votos contra 11, o pedido foi aceito, mas não sem protesto, como o do deputado Miro Teixeira (PDT-RJ), que saiu dizendo que “o conteúdo vazaria de qualquer maneira”.

Para a cientista política Maria do Socorro Souza Braga, da Ufscar (Universidade Federal de São Carlos), a internet tornará cada vez mais difícil a tarefa de deixar a população longe das CPIs.

Ela lembra que até um dos inquéritos analisados pela comissão vazou primeiro na web. O site Brasil 247 anunciou a publicação de 40 gigabytes de informações da operação Monte Carlo da seguinte forma: “saiba aqui o que nem a CPI sabe”.

Para Maria do Socorro, a circulação das informações na internet podem ajudar a opinião pública a interferir diretamente na condução das investigações no Congresso.

— Isso será possível no médio prazo, mas vai depender da organização das redes. Como a internet tem uma linguagem informal, os jovens poderão se aproximar da política.

A cientista diz que se trata de uma “forma de democracia participativa direta, quase como um plebiscito”.

— Pela internet, as pessoas poderão pressionar partidos, bancadas. À medida que o cidadão percebe que esse meio pode ser mais rápido para pressionar, ele vai aderir.

Ao R7, o senador Paulo Davim (PV-PR), que votou contra o fechamento das sessões da CPI, afirmou que manter o sigilo em tempos de internet “é um contrassenso”.

— As informações acabam vazando. É difícil segurar o sigilo. Sempre há um comentário do membro [da CPI] com alguém que trabalha com ele, ou com a família. O risco são as informações que foram mal ouvidas e mal interpretadas vazarem. Pode acontecer um mal entendido.

Enquanto políticos tentam blindar uma CPI e a atriz reclama do fim de sua privacidade, há quem adore os holofotes proporcionados pelo ambiente virtual.

Também na semana passada, a terapeuta ocupacional Sabrina Ferigato, de 30 anos, ficou conhecida por compartilhar o nascimento de seu filho na internet. O objetivo era propagar a ideia do “parto humanizado”. O vídeo já foi visto por mais de 2 milhões de pessoas. 

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