Segunda, 22 de Maio de 2017

erupção

Cinzas do vulcão chileno podem chegar ao sul do Brasil

6 JUN 2011Por r714h:43

As cinzas do vulcão Puyehue, que neste domingo (5) continuava sob forte erupção nos Andes, na região de fronteira do Chile com a Argentina, podem chegar até a região de Buenos Aires, na Argentina, em Montevidéu, no Uruguai, ou até mesmo ao sul do Brasil nos próximos dias, de acordo com a MetSul.

Há precedentes históricos de cinzas de erupções no Chile alcançando o centro da Argentina e o Rio Grande do Sul, mas, na maioria dos casos, as erupções ocorriam no centro e não no sul chileno. A erupção atual, contudo, é muito significativa.

“Não haverá cinzas caindo no Rio Grande do Sul nem os voos no Sul do Brasil serão afetados nas próximas horas”, tranquiliza, no entanto, o especialista Luiz Fernando Nachtigall. De acordo com o meteorologista, o cenário pode mudar durante os próximos dias, com correntes de Sul e Sudoeste, que poderiam trazer a nuvem de cinzas em direção ao Estado, mas sem causar os mesmos transtornos registrados na Patagônia.

Se a erupção se mantiver com forte intensidade durante as próximas 48 horas, o tráfego aéreo já afetado na Patagônia pode ter transtornos também no centro da Argentina. Imagens de satélite mostram que a coluna de cinzas se estende por cerca de 2.000 km em direção ao Atlântico sul.

Nuvem de cinzas depende dos ventos

O transporte das cinzas a locais distantes como o sul do Brasil depende de correntes de vento em elevada altitude, a cerca de 10 km de altura, chamadas de correntes de jato, e da continuidade da forte atividade vulcânica. Modelos por computador indicam que nos próximos dez dias as correntes de vento poderiam deslocar as cinzas para norte e o nordeste em direção ao Uruguai e o Rio Grande do Sul, mas é difícil estimar, dizem os meteorologistas, já que os cálculos não envolvem apenas a atmosfera, mas também a quase imprevisível atividade do vulcão.

Em 1993, cinzas de uma enorme erupção do vulcão Láscar foram transportas pelas correntes de vento a partir do Chile e se precipitaram em Porto Alegre no interior gaúcho, até acumulando. Já em 2008, pequena quantidade de partículas da nuvem do também chileno vulcão Chaitén chegou ao Estado, mas não houve queda de cinzas e o céu apenas ficou com luminosidade um pouco reduzida na região de Bagé.

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