450 habitantes

Comunidade centenária recebe impulso para produção de rapadura e melaço

Projeto social modificou realidade econômica e social de Funas do Dionísio

9 NOV 2017 • POR ALINE OLIVEIRA • 16h30
Família de Dionísio Antônio Vieira chegou em Jaraguari em 1890 - Aline Oliveira/Correio do Estado

Com mais de um século de fundação (127 anos), a comunidade Quilombola Furnas do Dionísio foi povoada pela família do mineiro Dionísio Antônio Vieira e atualmente totaliza 450 habitantes.

As principais fontes de subsistência do povoado são a produção de subprodutos de cana-de-açúcar: rapadura, melado, açúcar mascavo e a produção de farinha de mandioca.

Além da distância da Capital, os moradores enfrentaram por muito tempo a falta de eletricidade. Isso impedia a modernização das atividades econômicas da comunidade. Entretanto, a implantação de um projeto iniciado em junho do ano passado está ajudando a transformar as atividades das famílias que vivem nessa região.

No local, foram realizados investimentos de apoio à geração de renda, reforma e conclusão da sede da associação, além da doação de geladeiras, aparelhos de ar condicionado, troca de todas as instalações elétricas residenciais e capacitação profissional nas atividades rurais.

O presidente da Associação de Pequenos produtores Rurais de Furnas  do Dionísio, Adriano Santos da Silva, explica que o trabalho envolveu toda comunidade, pois, a intenção foi que as decisões tivessem unanimidade.

"Hoje é dia de agradecer o apoio de todas instituições que possibilitaram a conclusão do projeto que trouxe desenvolvimento para associação, casas, escolas e nas lavouras", analisa. 

Silva explica que uma das mais importantes conquistas foi a instalação de um galpão com um engenho movido a eletricidade, que impulsionará a produção de doces.

"Nossa produção atual vem das lavouras de vários moradores e deve chegar a 200 toneladas de cana e no máximo 30 toneladas de melado, rapadura e açúcar mascavo", revela.

O presidente do grupo Energisa, Ricardo Perez Botelho, destaca que a chegada da energia elétrica vai representar um impulso industrial para a comunidade.

"Esperamos que as mudanças realizadas aqui sejam transformadoras e com impacto positivo na vida de cada morador", pondera.

Governador Reinaldo Azambuja participou de evento na comunidade quilombola. Foto: Aline Oliveira/Correio do Estado

PARCERIAS

O aumento na produção será realizado por etapas distintas, a começar pelo aumento da lavoura, que vai sair de dois para nove hectares.

"Recebemos doação de mudas de cana  e iremos plantar nove hectares, com estimativa de produzir 800 toneladas e 400 mil litros de garapa", explica o consultor de elaboração e produção de projeto, Silvio Balduin, da Universidade Católica Dom Bosco (UCDB).

Na segunda fase do projeto, foi a vez de criar uma identidade visual para a marca "Furnas do Dionísio", com objetivo de industrializar a produção e assim conseguir maior retorno financeiro.

O reitor da UCDB, Ricardo Carlos, explica que houve um trabalho multidisciplinar para permitir as ações comerciais e de planejamento.

"Os representantes da Furnas nos explicaram que desejavam profissionalizar a produção, a fim de conseguirem comercializá-las em várias localidades. Por isso acionamos profissionais do curso de Administração de Empresas e Propaganda e Publicidade para criar a identidade visual, logomarca e um plano de negócios adequado aos produtos", esclarece. 

EVOLUÇÃO DO LUGAR

Dona Lurdete dos Santos é bisneta do 'seu' Dionísio e acompanhou vários períodos de desenvolvimento na comunidade.

Ela acredita que as mudanças serão muito boas para todos. "No meu tempo, a farinha era feita no ralo e a rapadura com engenho puxado pelo cavalo. Trabalhávamos quase dois dias para produzir 10 rapaduras. Hoje, num só dia dá para fazer 100. Então esse projeto chegou com energia, conhecimento e benfeitorias para dar o empurrão que faltava", argumenta a representante do fundador.

O governador Reinaldo Azambuja participou do evento e em seu discurso enfatizou a necessidade de se realizar parcerias para obter desenvolvimento.

"Na vida, quando se tem parceria conseguimos superar qualquer crise ou dificuldade. Aqui comprovamos um exemplo de boa vontade. Cada parceiro colaborou para que a Furnas do Dionísio prospere. Então, aproveito o momento para anunciar que aprovei um pedido feito pela associação, com apoio da Agraer, para construção de uma farinheira. Além disso, queremos aproveitar a aptidão turística da região e criar um projeto de turismo rural, outra forma de agregar valor a produção local", conclui.

PROJETO

A iniciativa desenvolvida na comunidade quilombola chama-se Geração de Renda e Eficiência Energética, coordenada pela empresa Energisa.

O projeto é desenvolvido com várias frentes frentes de apoio à comunidade e nesta quinta-feira (9), na sede da Associação de Pequenos produtores Rurais de Furnas do Dionísio, foi realizada cerimônia para anunciar as mudanças implementadas na região.