US$ 2,5 milhões

Globo paga valor 25% maior à CBF por jogos da seleção até 2022

8 NOV 2017 • POR Folhapress • 08h02

A CBF (Confederação Brasileira de Futebol) vai receber cerca de US$ 2,5 milhões (R$ 8,2 milhões) por partida da Globo pelos direitos de transmissão dos jogos da seleção brasileira até 2022, ano de disputa da Copa no Qatar.

O valor é 25% maior do que a entidade recebia da mesma emissora no contrato anterior, encerrado em 2016. Até o ano passado, a empresa pagava cerca de US$ 2 milhões (R$ 6,5 milhões) para exibir as partidas da seleção.

Com a aquisição do pacote, a emissora terá direito a transmitir com exclusividade quase 40 jogos da seleção, entre amistosos e partidas das eliminatórias sul-americanas da Copa de 2022.

Nesta sexta-feira (10), o Brasil fará a primeira partida pelo novo contrato fechado entre CBF e Rede Globo. Em Lille, no norte da França, a seleção enfrentará o Japão. O amistoso de preparação para a Copa do Mundo do ano que vem, na Rússia, começará às 10h (de Brasília).

Quatro dias depois, a equipe comandada pelo técnico Tite jogará contra a Inglaterra, no estádio de Wembley.

No próximo ano, a seleção terá mais quatro amistosos antes da disputa da Copa.

O acordo para a transmissão das partidas foi fechado no mês passado, mas o valor do negócio era mantido em sigilo pelos cartolas.

Com o negócio, a emissora manteve os direitos de transmissão para as TVs abertas e fechada e pela internet.

Neste ano, a CBF tentou quase duplicar o faturamento com a venda dos direitos de transmissão dos jogos da seleção brasileira. Em licitação realizada em setembro, a entidade estabeleceu como preço mínimo para aquisição dos direitos cerca de US$ 3,5 milhões (R$ 11,5 milhões) por jogo -US$ 1 milhão (R$ 3,27 milhões) a mais do que o valor acertado com a Globo.

A confederação, no entanto, não teve sucesso no pregão. Na ocasião, nenhuma emissora apresentou proposta oficial acima do valor mínimo estabelecido. Apenas manifestaram o interesse, mas deixaram claro que não desembolsariam tal quantia.

Na licitação, a Globo comprou apenas os direitos não exclusivos para transmitir jogos em plataformas digitais.

Por cada partida, o grupo carioca desembolsaria cerca de US$ 675 mil (R$ 2,2 milhões), 35% acima do lance mínimo exigido pela CBF, que era de US$ 500 mil (R$ 1,6 milhões). Durante a negociação dos direitos para TVs aberta e fechada, a emissora conseguiu incorporar esse montante ao valor total da operação.

TRANSMISSÃO PRÓPRIA
Em junho, a CBF tentou viabilizar uma transmissão independente de amistosos.
Sem conseguir um acordo com a Globo, a entidade produziu e transmitiu os dois amistosos da seleção na Oceania, contra Argentina e Austrália, em junho.

Pelé foi contratado por R$ 400 mil para ser o comentarista da transmissão. A confederação comprou horário na TV Brasil e na TV Cultura para exibir as partidas.

A exibição dos jogos fora da Globo foi um fiasco de audiência e deixou descontente os patrocinadores da

CBF.
A concorrência pública feita foi uma tentativa da confederação de dar mais transparência aos seus negócios.

O presidente da CBF, Marco Polo Del Nero, e seus dois antecessores no comando da entidade, José Maria Marin e Ricardo Teixeira, são acusados pelo FBI de integrar um grupo de cartolas que recebiam propina na venda dos direitos de transmissão de competições esportivas.

Entre os brasileiros, Marin é o único preso. Ele foi detido na Suíça em maio de 2015 e cumpre prisão domiciliar nos Estados Unidos.

Nesta segunda-feira (6), o dirigente começou a ser julgado em Nova York.