CORREIO DO ESTADO

Confira o editorial desta segunda-feira: "Desafios do fim de ano"

6 NOV 2017 • POR • 03h00

Este é o momento em que o prefeito e sua equipe devem demonstrar que têm competência para equacionar economia e ação.

A pouco mais de dois meses do fim de 2017, a maioria das administrações municipais coloca à prova o plano de governo. É o período de pagamento do 13º salário, historicamente, a maior sangria na folha do funcionalismo. Embora haja retomada da economia, com melhoras tímidas de alguns índices, a recessão econômica ainda afetará os cofres públicos. Por isso, quem não fez a lição de casa durante o ano terá dificuldades em depositar os salários e, com isso, iniciará 2018 com o pé esquerdo e, provavelmente, com índices nada satisfatórios de popularidade. 

Em outros anos, os prefeitos se valiam do pagamento do Imposto Predial e Territorial Urbano (IPTU) para fazer caixa antecipado para as contas de fim de ano. Foi assim durante muito tempo em Campo Grande, porém, depois que a gestão foi parar nas mãos inábeis de Alcides Bernal e Gilmar Olarte, essa situação degringolou de maneira que até hoje não teve recuperação. Marcos Trad assumiu a cidade mergulhada em dívidas e deteriorada pelo desmazelo administrativo. Leva tempo para reestruturação. Enfrentou início da gestão com dívida de R$ 363 milhões e teve de queimar a arrecadação do IPTU para pagar os servidores. Depois disso, o desafio era reatar o contato com prestadores de serviços e fornecedores, que suspenderam negociações com a gestão anterior. 

A prefeitura lançou mão de outros artifícios para aumentar arrecadação. Corte de gastos, passando pela redução do custeio e Programa de Refinanciamento de Dívidas (Refis), com descontos generosos para atrair o contribuinte em débito. A “isca” está sendo usada também para débitos ajuizados, ganhando o nome de “Conciliar é preciso”, com abatimento de até 100% dos juros e 80% da multa para pagamento à vista. Essa estratégia, aliás, já extrapola o bom senso e pode, futuramente, ter danoso efeito colateral. Afinal, por que pagar as contas em dia se a prefeitura oferecerá, mais tarde, mundos e fundos para quitar o débito? Fica a impressão de que o mau pagador sempre será recompensado em detrimento daqueles que honram seus compromissos.

Ainda há muito o que fazer. Na prestação de contas realizada na última semana, o secretário municipal de Planejamento, Finanças e Controle, Pedro Pedrossian Neto, calculou que somente em 2020 será possível fazer investimentos relacionados a melhorias de serviços e inovações. São dois anos a mais do que a estimativa feita no início do mandato.

Até lá, segue-se a cartilha do poupador: apertar os cintos. Porém, é preciso adotar equilíbrio nesse mantra, afinal, a cidade carece de melhorias e não pode ficar parada no tempo. O período de chuvas recomeçou e, com ele, o surgimento de buracos no asfalto. As reclamações por falta de médicos nas unidades de saúde também continuam e, claro, há a folha dos servidores do fim de ano. Isso para citar apenas alguns exemplos dos desafios da gestão. Este é o momento em que o prefeito e sua equipe devem demonstrar que têm competência para equacionar economia e ação, mantendo sobriedade nas contas, mas executando serviços necessários para manutenção da cidade.