ASSEMBLEIA LEGISLATIVA

Relatório da CPI da JBS termina sem indiciados

Documento tem 96 páginas e será enviado para comissão em Brasília

31 OUT 2017 • POR IZABELA JORNADA E MARESSA MENDONÇA • 12h15
Deputado estadual Flavio Kayatt (PSDB), relator da CPI da JBS - Divulgação/ALMS

Relatório da Comissão Parlamentar de Inquérito da JBS não tem nenhum indiciado.

O documento, com 96 páginas, será apresentado em reunião na tarde de hoje e depois encaminhado para o Ministério Público Estadual (MPE) de Mato Grosso do Sul, Governo do Estado, Controladoria Geral do Estado e para a Comissão Parlamentar Mista de Inquérito (CPMI), que é conduzida no Congresso, em Brasília. As informações são do relator da CPI da Assembleia, deputado estadual Flávio Kayatt (PSDB).

Kayatt informou que no anexo do relatório tem o acordo, mas não tem indiciamento. “Lá em Brasília eles terão muito subsídio para a CPI nacional”, disse se referindo ao documento.

“Vou dar de 20 a 25 páginas para cada deputado ler todo o relatório, com exceção das matérias que merecem sigilo", completou Kayatt, reforçando que o rumo da CPI foi técnico e não político.

O presidente da CPI, deputado Paulo Corrêa (PR), disse que o relatório vai fazer "menção de todos os itens investigados". Ainda segundo ele, um pen drive com informações sobre os acordos especificados e os Termos de Ajustes Fiscais (Tare) será entregue para os jornalistas.

HISTÓRICO

A CPI da JBS foi criada na Assembleia baseada em acordo de delação premiada dos donos da empresa, Wesley e Joesley Batista, onde os nomes dos ex-governadores André Puccinelli (PMDB), José Orcírio dos Santos (PT) e do governador Reinaldo Azambuja (PSDB) foram citados.

Paulo Corrêa lembrou que a CPI foi criada para investigar as irregularidades fiscais no Estado. As primeiras atividades da comissão foram as análises dos cinco Termos de Acordo de Regime Especial (Tares) da JBS com o Governo.

Após analisarem os cinco acordos feitos durante a administração dos ex-governadores Puccinelli, José Orcírio e o governador Reinaldo Azambuja, a comissão comprovou irregularidades da empresa. “Em todos os tares a JBS foi réu confesso”, disse Corrêa, anteriormente.

Diante das confissões, a CPI pediu bloqueio dos bens e das contas da empresa. Segundo informações do presidente da comissão, apenas R$ 6,5 milhões em dinheiro foram bloqueados e mais R$ 730 milhões em bens.

Em contrapartida, após os bloqueios, a JBS suspendeu as atividades e os abates nas sete plantas frigoríficas, no Estado. Funcionários ficaram sem trabalhar por, aproximadamente, uma semana, mas continuaram recebendo seus salários.

Mais de quatro mil funcionários da empresa foram à Assembleia Legislativa para protestar por conta do bloqueio judicial. Em resposta à manifestação, JBS, CPI e Governo do Estado firmaram acordo para que houvesse desbloqueio de dinheiro, mas a empresa deu como garantia dois frigoríficos em Campo Grande e outras três áreas que ficam perto do Aeroporto Internacional da Capital.