CORREIO DO ESTADO

Confira o editorial desta sexta-feira: "Trânsito em ordem"

6 OUT 2017 • POR • 03h00

Não é difícil constatar que o trânsito de Campo Grande virou uma terra de ninguém. Onde não há controle, o caos prevalece.

É na tolerância aos delitos que muitos acreditam ter pouco potencial ofensivo, que se abre caminho para a prática de crimes e infrações que podem custar dinheiro público e muitas vidas. O afrouxamento da fiscalização e do policiamento também aumenta a sensação de impunidade em boa parte da sociedade, situação que gera grande desorganização e desconforto na vida coletiva. Tem sido assim no trânsito de Campo Grande nos últimos anos.

As duas licitações abertas pela prefeitura de Campo Grande, em que estão previstas a troca de praticamente todos os semáforos da cidade, além da reativação dos radares e lombadas eletrônicas, terão a missão de resgatar, no curto prazo, o respeito às leis de trânsito em ruas e avenidas onde o caos está instalado. Quem circula pelas vias da Capital - mesmo as mais movimentadas - percebe facilmente que a regra passou a ser o descumprimento da legislação de trânsito. A exceção, neste mundo invertido criado pela ausência de fiscalização, é o respeito à lei.

Atire a primeira pedra o motorista que nos últimos meses trafegava em via com sinal verde e não parou, ao menos uma vez, para permitir que um infrator passasse em sinal vermelho. É impossível que alguém, uma vez na vida, não tenha visto alguém estacionar em vagas  reservadas para idosos ou deficientes nas ruas de Campo Grande. E quanto ao excesso de velocidade? Quem nunca viu um carro ou uma motocicleta praticamente destruídos em avenidas de grande ciculação de veículos, como Gury Marques, Duque de Caxias, Ministro João Arinos, Eduardo Elias Zahran, entre outras?

Não é difícil constatar que o trânsito de Campo Grande virou uma terra de ninguém. Onde não há controle, o caos prevalece. A expectativa das autoridades é que com a instalação dos equipamentos eletrônicos e reforma do sistema semafórico, é de que acidentes e mortes no trânsito sejam menos frequentes.

Há os que falam que radares, lombadas eletrônicas e sensores que flagram o avanço do sinal vermelho sejam parte de uma famigerada “Indústria da Multa”. Não há como negar que as multas são destinadas aos cofres públicos. Esta é uma de suas finalidades. A outra, que poucos lembram ao criticar, é que elas são uma punição para os que infringem as leis de trânsito. Não quer ser multado? Cumpra as regras. É simples.

Também não há como negar que os recursos arrecadados com as penalidades aplicadas aos motoristas infratores são importantes para financiar a organização de trânsito. Certamente, esta será uma das fontes para se pagar os R$ 75 milhões que serão investidos nos semáforos e nos radares e lombadas.

As ruas ainda precisam de mais. Mais sinalização horizontal e vertical e, de preferência, melhores condições de trafegabilidade nas pistas. Desde 2013, o excesso de buracos nas vias transformou a circulação nelas em uma grande aventura.