Domingo, 19 de Novembro de 2017

Futebol

Elano agrada santistas em caso Lucas Lima, mas é reprovado por 'invenções'

14 NOV 2017Por FolhaPress07h:44

A decisão de Elano em substituir Lucas Lima logo no início do segundo tempo na derrota por 2 a 0 do Santos contra a Chapecoense, nesta segunda-feira (13), em Chapecó, agradou dirigentes e grande parte da torcida santista. Nos bastidores da Vila Belmiro, integrantes da cúpula alvinegra alegam que o "novato treinador" foi mais corajoso que seus antecessores: Dorival Júnior e Levir Culpi.

"Eu trato todo mundo por igual. Fiz uma mudança técnica. Nada contra o Lucas Lima. Ele sabe disso. Não tem nada direcionado. Achei que era a melhor maneira", afirmou Elano.

Esta ala dentro do clube paulista acredita que Lucas Lima precisava há tempos de uma espécie de "disciplina técnica". Eles, inclusive, já haviam aprovado a bronca de Elano no camisa 10 em entrevista coletiva após a derrota para o Vasco.

Elano também tem o apoio da torcida quando o assunto é vetar Lucas Lima. Os torcedores estão engasgados com o camisa 10 por ele não ter respondido a proposta de renovação feita pelo presidente Modesto Roma em abril deste ano. O dirigente ofereceu R$ 600 mil mensais e mais luvas por um contrato de três anos.

A situação piorou na semana passada, quando Lucas Lima provocou os torcedores na derrota para o Vasco por 2 a 1. Por ter dado uma bela assistência a Ricardo Oliveira, o camisa 10 se virou para o setor das cativas da Vila Belmiro e levou a mão ao ouvido, ironicamente, pedindo mais vaias.

INVENÇÕES

Se Elano agrada no caso Lucas Lima, ele é reprovado em suas decisões técnicas e táticas. Há dirigentes, conselheiros e torcedores que acreditam que o ex-meia tem exagerado nas invenções. Elano comandou o Santos em três partidas desde a demissão de Levir Culpi. Para eles, o treinador inventou nos três jogos, inclusive, em sua única vitória neste período: 3 a 1 diante do Atlético-MG.

Neste caso, o treinador escalou Bruno Henrique do lado direito do ataque. A estratégia foi repetida na derrota para o Vasco na rodada seguinte. É unanimidade no clube que o camisa 27 rende muito mais atuando do lado esquerdo do ataque.

Para este grupo, Elano repete um erro já corrigido por Dorival Júnior, ex-treinador do Santos e hoje no São Paulo. Bruno Henrique foi escalado do lado direito em sua chegada ao clube e não conseguiu se firmar como titular neste setor. No entanto, Dorival inverteu o atacante de lado e viu o jogador se tornar o artilheiro santista na temporada.

Se não bastasse, no mesmo jogo, Elano fez uma substituição considerada ousada por alguns, mas demasiada por outros. O treinador sacou o atacante Arthur Gomes para a entrada de Daniel Guedes. Com isso, Victor Ferraz passou a atuar como meia centralizado e Lucas Lima deslocado para o lado direito do ataque.

No jogo seguinte, na derrota para o Vasco, Elano sacou Ricardo Oliveira para a entrada de Copete, quando a equipe vencia por 1 a 0, e a entrada de Kayke no lugar de Alison, após o time sofrer o gol de empate. No final, o Vasco venceu, de virada, por 2 a 1.

Nesta segunda-feira, Elano voltou a inovar -para os seus fãs- ou inventar -para os críticos-. A mudança mais visível foi a escalação do lateral direito Victor Ferraz na esquerda, posição que atuou somente em 2015 no clube. Os principais nomes da equipe também sofreram as mudanças do treinador.

Lucas Lima foi um deles. O jogador viveu a melhor fase no clube atuando centralizado, com liberdade para inverter posicionamento com o próprio Victor Ferraz e o atacante que atua aberto pelo lado direito.

Elano optou por incumbir Renato da função de armar as jogadas, mais próximo aos atacantes, e deixou Lucas Lima aberto pela direita para suprir a ausência do atacante Bruno Henrique. A tática não funcionou e ambos tiveram atuações apagadas.
 

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