Sábado, 01 de Outubro de 2016

Mais uma medalha

É tetra! Com golaço de Ricardinho, Brasil bate o Irã e é campeão no Fut 5

17 SET 2016Por Globoesporte.com19h:30

O grito precisou ser contido até o apito soar pela última vez. A torcida, porém, preparou a festa logo no primeiro tempo, seguindo as ordens de um craque. Ricardinho, com um golaço aos 12 minutos de jogo, abriu caminho para o ouro do Brasil no Futebol de 5. Na tarde deste sábado, em um jogo tenso e disputado até o fim, a seleção bateu o Irã por 1 a 0 e garantiu seu quarto título em Jogos Paralímpicos.

A vitória também mantém a invencibilidade do Brasil em Jogos Paralímpicos. Em quatro edições, são 17 partidas no total, com 14 vitórias e três empates.

Brasil tentou ser agressivo em um primeiro momento. Nos minutos iniciais da partida, ocupou mais o campo de ataque, explorando as jogadas com Jefinho e Ricardinho. O Irã apostava nos contra-ataques e na força e habilidade de seu camisa 10, Zada. Foi ele quem levou perigo ao gol brasileiro, aos seis minutos, mas a bola sobrou limpa para o goleiro Luan.

O Brasil respondeu minutos depois. Ricardinho fez linda jogada e sofreu falta. Na cobrança, jogada ensaiada, mas o goleiro Meysam fez a defesa. A seleção seguiu pressionando, e o gol saiu. Ricardinho fez mais uma grande jogada, se livrou de dois marcadores e chutou forte, por debaixo das pernas de Meysam, aos 12 minutos.

Apesar da vantagem, o Brasil seguiu pressionando. Ricardinho, que havia saído logo após marcar para a entrada de Nonato, voltou no lugar de Jefinho e quase fez o segundo. Ao se livrar da marcação, chutou forte. A bola desviou em Meysam e explodiu no travessão. Nonato também quase marcou em dois ataques, mas o goleiro do Irã voltou a salvar seu time.

O Irã voltou ao segundo tempo tentando pressionar, mas foi o Brasil que quase marcou, em uma bomba de Nonato no início. Os donos da casa seguiram no ataque, mas com uma atenção maior à defesa. Àquela altura, Cássio, com uma série de desarmes em sequência, era o maior destaque da equipe.

Em jogada confusa no ataque, o Irã chegou a ameaçar, mas mandou a bola para fora. O Brasil, por outro lado, quase ampliou em uma bomba de Nonato. Nos dez minutos finais, o jogo ganhou em rispidez. Os dois times passaram a brigar muito por cada posse de bola, dificultando as jogadas de ataque.

A torcida ficou apreensiva, e o Irã chegou perto do empate. Zada venceu a marcação e chutou forte. Luan, porém, fez grande defesa. A dois minutos do fim, Nonato teve duas chances em sequência, com duas bombas, para fora. Jefinho também chegou perto de marcar. A bola, porém, cismou em não entrar. Não fez diferença. Com a vitória garantida no apito final, a torcida, enfim, soltou o grito: "É tetra!".

 

A MODALIDADE

O futebol de 5 entrou no programa paralímpico em Atenas 2004. O jogo tem dois tempos de 25 minutos, sendo que os dois últimos de cada tempo são cronometrados, ou seja, o tempo para quando a bola sai pela linha de fundo. O intervalo entre os dois tempos é de dez minutos. Existe também uma pequena área de onde o goleiro não pode sair para realizar defesa nem pegar na bola; o arqueiro, por sinal, é o único vidente, ou seja, não tem deficiência. Após a terceira falta de uma equipe, é cobrado um tiro livre da linha de oito metros ou do local onde foi sofrida a falta. Ao se deslocarem em busca da bola, os jogadores precisam gritar "voy", vou em português, na tentativa de evitar choques.

A bola, como a de futsal, tem guizos que ajudam os jogadores a encontrá-la e também a manterem o seu domínio. A quadra tem a metragem de 40 x 20. Assim como no goalball, modalidade paralímpica exclusiva, no Fut 5 o silêncio é fundamental. Só assim os jogadores conseguem ouvir as orientações dos técnicos e dos chamadores, além dos goleiros, e também ouvir o guizo que fica dentro da bola e os ajuda. A torcida só pode vibrar e fazer barulho na hora do gol, em faltas, linha de fundo, lateral, tempo técnico ou qualquer outra paralisação da partida.

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