Economia

"bolha" no mercado

Venda de caminhões recua 31% e cenário é de mais queda

Situação foi provocada por "bolha" no mercado, decorrente da facilidade do crédito dos últimos anos

DA REDAÇÃO

26/04/2015 - 00h00
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Vendas de caminhões em Mato Grosso do Sul tiveram queda de 31,7% no primeiro trimestre deste ano em relação ao mesmo período do ano passado, segundo dados da Federação Nacional das Distribuidoras de Veículos Automotores (Fenabrave).

O índice de redução é quase o dobro do total registrado para todos os segmentos — entre janeiro e março, deixaram de ser emplacados no Estado 2.221 veículos, decréscimo de 14,3% em comparação a igual período de 2014. No caso do segmento de caminhões, foram 143 emplacamentos a menos. 

Para representantes de transportadoras, principal clientela do setor, não há perspectivas de recuperação do volume de vendas em curto prazo, porque há veículos em excesso no mercado, resultado de uma “bolha” de crescimento incentivada por oferta de crédito excessiva pelo governo federal. Concessionárias já projetam redução de 50% nas vendas até o fim do ano, principalmente de caminhões pesados (acima de 13 toneladas), e preparam-se para reduzir custos e investir em pós-venda, mão de obra e serviços, à espera de reação do mercado.

De acordo com Cláudio Cavol, presidente do Sindicato das Empresas de Transporte de Cargas e Logística de Mato Grosso do Sul (Setlog-MS), para explicar a paradeira do mercado de caminhões é necessário voltar ao ano de 2009, época em que o mercado estava mais ou menos equalizado, com oferta de veículos e de fretes e o governo federal, para ajudar na compra de caminhões, lançou por meio do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) o Finame (o programa Financiamento de Máquinas e Equipamentos) com juros de 2,5% ao ano, prazo de quase 100 meses e um ano de carência para pagar.

(*) A reportagem, de Daniella Arruda, está na edição de hoje do jornal Correio do Estado.

 

INVESTIMENTO

BNDES aprovou R$ 13,4 bilhões para Mato Grosso do Sul em três anos

Maior parte dos recursos foi aplicada na indústria, mas também há R$ 2,3 bilhões para rodovias e barcaças

05/03/2026 08h10

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O Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) aprovou, desde 2023, R$ 13,4 bilhões em investimentos diretos em Mato Grosso do Sul, e quase a metade deste valor (R$ 6,2 bilhões) deve beneficiar a indústria local.

O banco de fomento ainda liberou volumes bilionários para investimento em infraestrutura (R$ 3,56 bilhões), além de uma única operação para aquisição de barcaças para a LHG Mining, de R$ 3,7 bilhões.

Infraestrutura

Dos investimentos em infraestrutura liberados pelo BNDES desde 2023, o maior dos créditos foi para o governo de Mato Grosso do Sul, que está usando o recurso a que teve acesso para a pavimentação de rodovias, a maioria delas, no Vale da Celulose.

Nesses investimentos diretos de infraestrutura do banco de fomento federal também há um crédito de R$ 288 milhões para a Energisa MS, que usará os recursos para a modernização de sua rede.

Também há R$ 694,4 milhões para a Way-306, para financiar obras de ampliação da rodovia em poder da concessão, a MS-306.

Há ainda o crédito de R$ 118,5 milhões para a Anastácio Transmissão, empresa sob o guarda-chuva da Axia Energia, a antiga Eletrobras. O valor será investido em linhas de transmissão.

Um crédito de R$ 98,25 milhões foi repassado à Sanesul para a ampliação da rede de esgoto. O empréstimo do BNDES vai ajudar nas obras de universalização, atualmente em parceria público-privada.

Um dos municípios atendidos será Itaquiraí, onde até o ano passado a cobertura de esgotamento sanitário estava próxima de zero.

Para finalizar a rubrica dos investimentos, há ainda R$ 60 milhões da modalidade Finame para a MRV Prime Engenharia, recurso aplicado na construção civil.

Indústria

O BNDES já aprovou R$ 6,2 bilhões para a indústria no estado de Mato Grosso do Sul desde 2023. Os recursos integram o Plano Mais Produção (P+P), braço de financiamento da Nova Indústria Brasil (NIB), política de desenvolvimento industrial do governo de Lula.

Para a região Centro-Oeste, o volume total aprovado do P+P foi de R$ 35,4 bilhões no mesmo período.

Em MS, a maior parte dos recursos foi destinada para área de produtividade (R$ 5,7 bilhões), seguida de inovação (R$ 364 milhões) e indústria verde (R$ 80,9 milhões).

Até dezembro deste ano, o BNDES vai destinar mais R$ 70 bilhões para a NIB. Os novos recursos serão aplicados após o banco ter alcançado, ainda em dezembro de 2025, a meta de destinar R$ 300 bilhões.

Nesta modalidade, o maior investimento único foi para a Cooperativa Agrícola Sul Mato-Grossense (Copasul), localizada em Naviraí, e que teve crédito de R$ 800 milhões aprovado para a implantação de uma nova unidade de processamento de soja na cidade onde está sediada.

Em outra iniciativa, o BNDES planeja aportar até R$ 175 milhões em um novo Fundo de Investimento em Direitos Creditórios (FIDC), em parceria com a AGI Brasil, empresa que atua na fabricação de equipamentos para armazenagem de granéis, e com a gestora de recursos Opea Capital.

A nova unidade industrial da Copasul, cujo investimento total chega a R$ 1,4 bilhão, terá capacidade de processar até 988 mil toneladas de soja ao ano.

Também há investimentos para bioenergia, como os repassados para a usina Laguna, em Batayporã, que atingiram R$ 170,4 milhões, e para a usina Santa Helena (R$ 62,4 milhões).

Há recursos do BNDES aportados em grandes indústrias, como a Suzano, e em cooperativas, como a C.Vale. O crédito atende unidades em Mato Grosso do Sul e também em outros estados.

“Sob orientação do governo de Lula, o BNDES tem sido um dos principais instrumentos para a construção de um setor produtivo brasileiro inovador, competitivo e sustentável. Com apoio do BNDES, o Brasil está desenvolvendo novos medicamentos e projetos de inteligência artificial, implantando e expandindo centros de pesquisa e desenvolvimento, ampliando a exportação e a oferta de energia renovável e de biocombustíveis e levando conectividade a milhares de brasileiros. As empresas que receberam recursos da NIB tiveram um ganho de produtividade de 27,83%. Crédito que chegou para negócios de todos os tamanhos. Em Mato Grosso do Sul, 40,9% dos recursos foram para micro, pequenas e médias empresas”, afirmou Aloizio Mercadante, presidente do BNDES.

Barcaças

O maior investimento do BNDES no Estado é para a compra de barcaças para transportar minério na hidrovia do Rio Paraguai.

Trata-se de financiamento de R$ 3,7 bilhões para a LHG Logística Ltda., destinado à construção de 400 balsas e 15 empurradores para o transporte hidroviário de minérios de ferro e manganês pelo Rio Paraguai, em território brasileiro, e também pelo Rio Paraná, em território argentino.

O projeto permitirá a ampliação do escoamento na logística de minérios que são extraídos em Corumbá e carregados nas barcaças, atravessando 2.500 km pela hidrovia, cruzando o Paraguai, até chegar ao terminal marítimo de Nova Palmira, no Uruguai, onde são carregados em navios de longo curso.

*Saiba

Um único contrato com a LHG Mining, gigante de mineração do grupo J&F, terá desembolso de R$ 3,7 bilhões do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social. 

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Economia

Volkswagen prega equilíbrio e mostra cautela sobre expandir produção no Brasil

No ano passado, as vendas da montadora no Brasil tiveram crescimento de 9% - três vezes mais do que o resultado de toda a indústria -, enquanto as exportações subiram 29%

04/03/2026 21h00

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Com todas as fábricas operando a plena capacidade, o comando da Volkswagen no Brasil demonstra cautela em relação à ideia de expandir a produção, dado o ambiente de incertezas econômicas e de concorrência crescente dos carros chineses.

No ano passado, as vendas da montadora no Brasil tiveram crescimento de 9% - três vezes mais do que o resultado de toda a indústria -, enquanto as exportações subiram 29%. A produção teve alta de 17%, para 538,7 mil carros.

Nesta quarta-feira, 4, durante a apresentação desses números a jornalistas, o presidente e CEO da Volkswagen no Brasil, Ciro Possobom, disse que só não vendeu mais porque não foi possível produzir mais automóveis.

Isso não deve ser lido, porém, como uma indicação de que a montadora está disposta a abrir novos turnos de produção.

A Volks, como explicou Possobom, obteve um de seus melhores resultados financeiros no País reduzindo estoques nas concessionárias ao menor nível possível.

Sem excesso de automóveis nos pátios, não precisou queimar margens em vendas fechadas a clientes frotistas, como locadoras de automóveis, com descontos fora do comum.

Assim, a empresa não quer mexer no equilíbrio entre volume e rentabilidade que trouxe mais lucro nos últimos anos. Segundo Possobom, é preciso estar muito seguro de que a economia brasileira vai crescer para expandir a produção.

Essa convicção, entretanto, torna-se mais difícil frente a incertezas em um País que se aproxima das eleições, o que significa indefinição política, com juros, como classificou o CEO, "extremamente altos" prejudicando setores dependentes de crédito.

Fora isso, acrescentou, existe a questão sobre até onde vão as marcas chinesas. Ainda que não tenham sido renovadas as cotas que permitiam trazer sem imposto de importação carros híbridos e elétricos cuja produção é finalizada em fábricas no Brasil, Possobom frisou que a pressão por novos benefícios continua.

"Se continuar dando isenções, também não ajuda o negócio", disse o executivo.

As vendas de carros importados no Brasil, que no passado rodavam em torno de 200 mil unidades, chegaram a 500 mil no ano passado.

Conforme Possobom, incentivar modelos de produção de baixa nacionalização é como abrir as portas a um Cavalo de Troia: pode parecer positivo à primeira vista, mas no longo prazo tem consequências econômicas e sociais profundamente prejudiciais.

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