Economia

Juros rotativo

Taxa de juros do cartão de crédito
rotativo fica em 399,1% ao ano em julho

Segundo o Banco Central, foi o segundo avanço seguido

G1

24/08/2017 - 19h00
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A taxa média de juros do cartão de crédito rotativo para pessoas físicas avançou pelo segundo mês seguido em julho, quando atingiu a marca de 399,1% ao ano, segundo informações divulgadas pelo Banco Central nesta quinta-feira (24). No mês anterior, o juro do cartão rotativo estava em 380,8% ao ano.

A taxa avançou apesar das novas regras para o cartão de crédito. Julho foi o quarto mês de vigência destas normas, pelas quais o rotativo só pode ser usado até o vencimento da fatura seguinte. Se na data do vencimento o cliente não tiver feito o pagamento total do valor da fatura, o restante terá que ser parcelado ou quitado. Entenda a regra aqui.

Já os juros médios cobrados pelos bancos nas operações com cheque especial registraram pequena queda, passando de 322,6% ao ano, em junho, para 321,3% ao ano, em julho.

A modalidade de crédito do cartão rotativo, e também do cheque especial, de acordo com especialistas, só deve ser utilizada em momentos de emergência e por um prazo curto de tempo - devido ao seu alto custo.

A taxa média de juros das operações de crédito das instituições financeiras, com recursos livres (sem contar BNDES, crédito rural e imobiliário) avançou 0,4 ponto percentual em julho nas operações com pessoas físicas, para 63,8% ao ano, segundo dados divulgados pelo Banco Central.

Também subiu, em julho, a taxa média de todas as operações (pessoas físicas e jurídicas), para 46,6% ao ano, contra 46,2% ao ano em junho. No caso dos empréstimos para as empresas, também com recursos livres, a taxa somou 25,3% ao ano em julho, com alta de 0,5 ponto percentual na comparação com o mês anterior (24,8% ao ano).

A alta dos juros bancários acontece em momento de recuo da Selic, a taxa básica de juros da economia, fixada pelo Banco Central, que influencia a chamada "taxa de captação" dos bancos, ou seja, quanto eles pagam pelos recursos.

Em sua última reunião, realizada no fim de julho, Comitê de Política Monetária (Copom) do Banco Central reduziu a taxa Selic de 10,25% para 9,25% ao ano. Foi o sétimo corte seguido nos juros básicos da economia.

'Spread' bancário

O chamado "spread bancário" - ou seja, a diferença entre o que os bancos pagam pelos recursos e o que cobram de seus clientes - cresceu em julho para 37,6 pontos percentuais, contra 36,6 pontos percentuais em junho.

No caso das operações com pessoas físicas, o "spread" avançou de 53,6 pontos percentuais em junho para 54,5 pontos percentuais em julho deste ano. Esse índice ainda é elevado quando comparado à média praticada pelos bancos em outros países.

O "spread" é composto pelo lucro dos bancos, pela taxa de inadimplência, por custos administrativos, pelos depósitos compulsórios (que são mantidos no Banco Central) e pelos tributos cobrados pelo governo federal, entre outros.

Dados do BC mostram que os quatro maiores conglomerados bancários - Itaú-Unibanco, Bradesco, Banco do Brasil e Caixa Econômica Federal - detinham, no fim de 2016, 78,99% de todas as operações de crédito feitas por instituições financeiras no país e também 78,48% dos depósitos.

Taxa de inadimplência

Dados do Banco Central mostram que a taxa de inadimplência ficou estável em julho deste ano. No mês passado, a taxa de inadimplência geral, nas operações com recursos livres (exclui crédito imobiliário, rural e do BNDES), pemaneceu inalterada em 5,6%.

Considerando a inadimplência com recursos livres para pessoas físicas, porém, houve recuo no mês passado, de 5,8% em junho para 5,7%. No caso das operações com empresas, a taxa de inadimplência subiu de 5,3% em junho para 5,5% em julho.

GÁS DO POVO

Em MS, 461 mil pessoas são beneficiadas com gás de cozinha gratuito

142 mil famílias podem procurar 409 estabelecimentos de revenda credenciados para adquirir o benefício

28/09/2026 12h00

Botijão de gás GLP

Botijão de gás GLP GERSON OLIVEIRA

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Dados divulgados pelo Ministério do Desenvolvimento e Assistência Social, Família e Combate à Fome (MDS) apontam que 142.056 famílias – 461.268 pessoas foram atendidas pelo programa Gás do Povo, do Governo Federal, no mês de setembro de 2026.

O programa oferece gás de cozinha gratuito à famílias de baixa renda.

Atualmente, há 409 estabelecimentos de revenda credenciados ao programa. No Brasil, 4.230.776 vales foram distribuídos e há 26.920 revendas credenciadas.

O MDS não divulgou o valor investido em reais neste mês.

GÁS DO POVO

O programa Gás do Povo oferece botijões de gás (GLP 13kg) gratuitos para famílias de baixa renda. O vasilhame/botijão vazio não está incluso.

O benefício garante a recarga gratuita de um botijão de 13 kg diretamente nas revendas credenciadas, ao invés do depósito em dinheiro.

De acorodo com o MDS, têm direito ao benefício:

  • famílias inscritas no CadÚnico
  • ter renda per capita de até meio salário-mínimo
  • ser beneficiário do Bolsa Família
  • ter uma família de no mínimo duas pessoas

Famílias com 2 a 3 pessoas recebem até 4 recargas/ano e famílias com 4 ou mais pessoas recebem até 6 recargas/ano.

Os vales são disponibilizados no dia 10 de cada mês.

As famílias podem consultar no App Meu Social se são beneficiárias do Programa Gás do Povo, acompanhar a situação do benefício e acessar outras informações relacionadas ao vale.

Pelo aplicativo, é possível verificar a disponibilidade, o período de vigência e o histórico de uso, localizar revendas credenciadas e conferir orientações sobre como utilizar o benefício.

Agricultura

Produtor rural segura milho e vendas chegam a só 50% após supersafra em MS

Colheita está praticamente encerrada, com produção de 16,25 milhões de toneladas, mas metade do cereal ainda não foi negociada

28/09/2026 07h55

Foto: Marcos Maluf/Aprosoja-MS

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Mato Grosso do Sul está encerrando uma das maiores safras de milho de sua história, mas o cereal ainda não saiu das mãos dos produtores. Com 99,5% da área colhida, apenas metade da produção havia sido comercializada até o dia 21, segundo levantamento do Boletim Casa Rural, elaborado pela Associação dos Produtores de Soja de Mato Grosso do Sul (Aprosoja-MS). 

O movimento ocorre justamente em um momento de valorização da commodity, o que reforça a estratégia de parte dos agricultores de postergar as vendas e aguardar melhores condições de mercado.

De acordo com o Centro de Estudos Avançados em Economia Aplicada (Cepea), a postura reduz a disponibilidade de lotes para negociação e contribui para a sustentação dos preços no mercado interno. O comportamento das cotações no exterior também favorece esse cenário. 

A segunda safra 2025/2026 está estimada em 16,254 milhões de toneladas, volume 16,7% superior ao do ciclo anterior. A produtividade média chegou a 122,79 sacas por hectare, conforme o boletim semanal da Casa Rural. O levantamento, realizado pelo Sistema de Informações Geográficas do Agronegócio (Siga MS), já alcançou 18% da área para revisão da produtividade. 

Ao mesmo tempo, a saca de 60 kg alcançou R$ 54,83 no dia 21, alta de 0,92% em apenas uma semana. Na média entre os dias 14 e 21 deste mês, ficou em R$ 54,40, 6,4% acima dos R$ 51,13 registrados no mesmo período de 2025. Em relação a agosto, quando a cotação média era de R$ 49,17, a valorização chega a 11,5%. 

Conforme dados da Granos Corretora, na sexta-feira, a saca era cotada a R$ 55,17, valor 7,7% acima da cotação de R$ 51,19 aferida na mesma data do ano passado. 

VENDAS

Os dados indicam que o produtor não está simplesmente deixando de vender. A comercialização avançou 6,5 pontos porcentuais desde o levantamento de 27 de agosto, quando 43,5% da safra havia sido negociada. Ainda assim, o porcentual atual está 2,5 pontos abaixo do registrado no mesmo período de 2025. 

Ainda conforme os dados da Granos Corretora, o mercado vem pagando mais pelo cereal. Em Dourados, a cotação chegou a R$ 56 por saca. Chapadão do Sul, Maracaju e São Gabriel do Oeste registraram R$ 55, enquanto Campo Grande e Sidrolândia ficaram em R$ 54. São Gabriel do Oeste teve a maior valorização entre os municípios acompanhados, de 3,77% no período. 

O comportamento pode indicar que parte dos produtores está administrando o estoque à espera de condições mais favoráveis. A decisão de vender depende da combinação entre preço, necessidade de caixa, capacidade de armazenagem, custo de transporte, demanda regional e expectativa de mercado.

Com uma produção estimada em 16,254 milhões de toneladas, o Estado terá um volume expressivo de milho para comercializar ao longo dos próximos meses. O atual porcentual de vendas significa que aproximadamente metade da safra ainda precisa encontrar comprador.

A própria estimativa de produção ainda pode sofrer ajustes. O boletim informa que os dados foram obtidos a partir de amostragens que cobrem 18% da área cultivada e que a produtividade e a produção podem ser revisadas à medida que o levantamento avance. 

A supersafra também ajuda a explicar a cautela comercial. Conforme já informou o Correio do Estado, a projeção atual está 45,9% acima da estimativa inicial, que apontava produção de 11,139 milhões de toneladas. O aumento ocorreu principalmente pela produtividade observada nas áreas colhidas. 

ETANOL

Um fator que mudou a dinâmica da comercialização em Mato Grosso do Sul nos últimos anos foi o avanço da indústria de etanol de milho. Estudo divulgado recentemente pela Aprosoja-MS aponta que o Estado passou de nenhuma usina de etanol de milho em operação para três unidades, instaladas em Dourados, Sidrolândia e Maracaju. Uma quarta planta está em implantação em Nova Alvorada do Sul. 

A expansão cria uma alternativa de venda dentro do Estado, reduzindo a dependência exclusiva das exportações e das fábricas de ração.

Na safra 2024/2025, 2 milhões de toneladas de milho de MS foram exportadas, enquanto as usinas passaram a absorver uma parcela crescente da produção. Para a safra 2025/2026, a produção de etanol de milho no Estado é estimada em 2,128 bilhões de litros, equivalente a cerca de 20,9% da produção nacional, segundo o estudo da entidade. 

Para o analista de economia da Aprosoja-MS, Linneu Borges Filho, a expansão das plantas representa uma nova alternativa de comercialização para o produtor.

“A instalação das usinas acrescenta um novo comprador de grande porte dentro do próprio Estado, criando uma terceira alternativa de comercialização para o grão”, avalia.

Além do etanol, as usinas produzem DDG ou DDGS (farelo de milho), óleo de milho e CO industrial. O DDG, subproduto utilizado principalmente na alimentação animal, também ganhou espaço nas exportações sul-mato-grossenses. Em 2025, foram produzidas 1,4 milhão de toneladas, das quais 1,15 milhão de toneladas foram exportadas. 

Esse modelo amplia a participação do milho na economia estadual. Dados do Ministério da Agricultura e Pecuária citados no estudo mostram que o milho apresentou alta de 88,1% no Valor Bruto da Produção (VBP) agropecuária de Mato Grosso do Sul em 2025, passando a representar 16,8% do VBP estadual.

LOGÍSTICA

A logística é outro componente que pode influenciar a escolha do produtor entre vender agora ou aguardar. De acordo com a Aprosoja-MS, cerca de 80% da produção agrícola do Estado é transportada por rodovias.

Em operações destinadas à exportação, o frete pode representar uma parcela relevante do valor recebido pelo produtor. 

“A proximidade entre as lavouras e as indústrias pode reduzir a distância percorrida pelo milho e, consequentemente, a exposição aos custos logísticos das operações de longa distância”, analisa Borges.

Isso muda a conta de comercialização. O preço nominal da saca não é o único indicador que determina a rentabilidade. O produtor precisa considerar quanto efetivamente receberá depois de descontar frete, armazenagem, taxas e demais custos da operação.

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