Quinta, 21 de Setembro de 2017

CREDIBILIDADE EM XEQUE

Operação 'Carne Fraca' pode mudar perfil de consumo do brasileiro

Grandes empresas podem perder espaço para frigoríficos menores

19 MAR 2017Por RENATA PRANDINI05h:00

A operação Carne Fraca pode influenciar diretamente no padrão de consumo do brasileiro. Com a credibilidade colocada em xeque, grandes empresas podem perder, mesmo que temporariamente, espaço para pequenas empresas ou e para a carne vinda de frigoríficos de menor porte.

A expectativa é que o consumidor reduza a aquisição de carne embalada à vácuo ou processada e, mesmo que seja temporária, a resposta foi rápida. Conforme o empresário Ronald Kanashiro de Alem, dono de uma casa de carne no Mercadão, já pela manhã de ontem, ele viu alguns clientes que haviam se distanciado retornando. “Não se falou em outra coisa e nós vimos alguns clientes retornando, preocupados com a origem da carne. Mesmo sendo em estados diferentes, o impacto [da operação] é geral. Este é um segmento globalizado”, disse.
 

Kanashiro informou que um dos reflexos da operação para os pequenos empresários, sejam de abate ou venda da carne, será a estabilização do mercado, mas descarta possibilidade de expansão. “A proporção de venda está relacionada ao poder de compra do consumidor, que hoje está muito retraído por conta da crise. Então, acredito que a possamos ter agora é uma venda mais consolidada. Mas, a tendência é que a preocupação do consumidor, a partir de agora, seja além do preço, também foque em qualiade e origem”, disse. 

RECUPERAÇÃO

De acordo com o empresário, a operação também pode abrir espaço para a retomada de frigoríficos menores. “Uma das estratégias da JBS foi comprar frigoríficos menores, muitas vezes para fechar a unidade. Com isso, o produtor perdeu opção de vender para outra unidade, ficou refém dos preços da empresa”. 

A carne ofertada no estabelecimento comercial de Kanashiro vem de São Gabriel do Oeste. No frigorífico, é feito somente o abate e as medidas de resfriamento (exigências da vigilância sanitária). 

Para João Pereira, 71 anos, o maior prejudicado com a operação pode ser o produtor rural, uma vez que, se suspensas as exportações, haverá aumento da oferta no mercado interno e, consequentemente, queda nos preços. “

O contador conta que não tem o hábito de consumir carne processada ou embalada. “Não tem como saber se já conservantes, se está vencida. Prefiro comprar assim, fresquinha. Mas, se [os países] suspenderem a importação, vai impactar muito no mercado”. 

Michelle Oliveira Gonçalves, 34 anos, também prefere a carne fresca, mas ficou preocupada com a operação. “A gente acaba comprando algumas coisas como salsicha, linguiça e frango, acreditando que é de boa procedência pela marca que tem”. 

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