Economia

ONDE ESTÁ O DINHEIRO?

Moeda de um centavo some do bolso, mas não dos preços

Banco Central deixou de fabricá-la há uma década, porém, 3,1 bilhões delas ainda estão por aí

DA REDAÇÃO

17/08/2014 - 17h50
Continue lendo...

Embora o Banco Central afirme que no Brasil circulem em torno de 3,1 bilhões de moedas de um centavo, o dinheiro, pela pouca importância dada por comerciantes e consumidores, desapareceu da praça há pelo menos dez anos, período em que a espécie deixou de ser fabricada. O assunto é tema de reportagem na edição deste domingo (17) do jornal Correio do Estado.

O pequeno valor, contudo, causa prejuízos, ainda que pouco percebidos, tanto para quem compra quanto aos vendedores na hora de negociar o troco.

“Se o cliente reclama, arredondo o valor para não provocar briga. Aqui, às vezes, aparece um ou outro que exige o centavo, são poucos”, disse Luciane Ribeiro, dona de panificadora no Bairro Dom Antônio Barbosa, em Campo Grande.


Moeda de um centavo é coisa rara no comércio ecausa transtornos (Foto: Gerson Oliveira)

Em casos de discórdia pelo centavo, Luciane (foto abaixo) afirma que assume o prejuízo. “Se o troco exigir três centavos, por exemplo, dou cinco. Brigar para quê?”, aconselhou a comerciante.

Já Ednalda Teixeira, caixa de supermercado na região central da cidade, contou que raramente o consumidor se queixa pela falta do centavo, mas quando isso acontece, ela, a empregada, é quem fica no prejuízo.

“A máquina [registradora do dinheiro que entra e sai do caixa] não tá nem aí se tem ou não os centavos, soma tudo. O certo é que no fim do dia tenho de acertar as contas com o patrão. Já tive de pagar R$ 2, R$ 3 e até R$ 5 porque o cliente quis os centavos e dei um troco maior”.

A história narrada por Ednalda, entretanto, rotineiramente tem desfecho contrário. Se o cliente não reclama, ela pode sair no lucro. “Sim, mas se aparecer sobras no fim do expediente ficam com o patrão e não comigo”, rebateu a caixa.

A soma da compra no comércio, principalmente nos supermercados, quase sempre cai no centavo, segundo o carpinteiro João Lúcio Alvarenga ao jornalista do Correio do Estado Celso Bejarano, autor da reportagem.

“Tudo resulta no centavo, na compra do pão, do presunto, da carne, sempre tem aquela virgulinha indicando que tem uns quebrados para pagar. Eu não exijo troco porque um centavo não compra nem bala, mas de um em um centavo nosso prejuízo é grande no final, mas fazer o quê, reclamar pra quem?” queixou-se o rapaz.

Pelos cálculos do carpinteiro, ele perde uma média de cinco centavos por dia nas compras do pão, leite e frios. Somando, a perda de Alvarenga alcançaria em torno de R$ 1,50 no mês, quantia pequena, mas, se acrescentada aos milhares de campo-grandenses que vão às padarias e aos supermercados e ficam sem o troco certo, o valor atingiria valores expressivos.  

Sem demanda

A moeda de um centavo não é mais fabricada pelo Banco Central desde 2005, segundo informou ao Correio do Estado a assessoria da instituição, em Brasília. 

O motivo para a paralisação na produção seria a falta de demanda no País. Ou seja,  na avaliação do sistema, os 3,1 bilhões de um centavo circulando por aí seriam suficientes para o mercado financeiro.


Hoje, fabricar um centavo custa R$ 0,9, segundo o Banco Central, ou seja, fazer a moeda tem custo superior ao valor dela. 

ENERGIA ELÉTRICA

Energisa adia decisão sobre reajuste na conta de luz

Aneel recomendou aumento de 12,61% e análise que seria na terça-feira foi retirada de pauta

03/04/2026 13h30

Energisa aceitou adiar em uma semana a análise do processo que tramita na Aneel

Energisa aceitou adiar em uma semana a análise do processo que tramita na Aneel Foto: Divulgação

Continue Lendo...

Com o intuito de tentar reduzir o impacto do reajuste da energia elétrica que em média deve ser de 12,61%, a Energisa MS aceitou adiar em uma semana a análise do processo que tramita na Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel). A diretoria da autarquia iria analisar em reunião colegiada o aumento tarifário na próxima terça-feira, mas retirou de pauta.

No mês passado, a Aneel solicitou que a Energisa MS se manifestasse sobre esta possibilidade de postergar a decisão, atendendo pedido feito pela  Secretaria Nacional de Energia Elétrica do Ministério de Minas e Energia, que comunicou a Aneel que o “Governo Federal encontra-se, neste momento, conduzindo análises e tratativas institucionais voltadas à avaliação de possíveis medidas relacionadas a reajustes tarifários, “destacando que “o objetivo dessas discussões é examinar alternativas que possam mitigar os impactos dos reajustes tarifários para os consumidores, buscando soluções que preservem o equilíbrio regulatório sem impor ônus excessivo à população”.

Com a apresentação desses argumentos pelo ministério, a diretora-relatora do processo de reajuste da Energisa MS na Aneel, Agnes Maria de Aragão da Costa, considera, com base em parecer técnico, que  a “ANEEL não pode promover o diferimento tarifário sem a anuência da concessionária, por configurar alteração unilateral das cláusulas econômicas do contrato de concessão, notadamente aquelas que definem a respectiva equação econômico-financeira”.

Por esse motivo, no dia 24 do mês passado Agnes da Costa encaminhou oficio à Energisa solicitando seu posicionamento sobre o reajuste. No documento afirma que “considerando o pleito do Ministério de Minas e Energia e diante da relevância e sensibilidade do tema, solicito que a EMS (Energisa) se manifeste quanto ao seu interesse e indique a alternativa que entenda mais adequada para o tratamento de sua tarifa no âmbito do presente processo, de modo a subsidiar a deliberação desta Agência, em observância aos limites legais e contratuais aplicáveis.”

Ontem, após a autarquia já ter apresentado estudos com o percentual de reajuste, a Energisa MS apresentou ofício comunicando que aceita o adiamento em uma semana, “com intuito de contribuir com a avaliação de possíveis alternativas destinadas a mitigar os impactos de reajustes tarifários aos clientes”, enfatizando que “concorda com a postergação da homologação do Reajuste Tarifário Anual a ser deliberado no dia 07 de abril de 2026 para o dia 14 de abril de 2026.”

No documento deixa claro que “que o efeito financeiro decorrente da não aplicação das novas tarifas entre o dia 08 de abril de 2026 e a data de publicação da nova Resolução Homologatória, seja compensado e devidamente corrigido no cálculo das tarifas de 2026”.

Com este posicionamento, a diretoria da Aneel retirou ontem o processo do reajuste tarifário da pauta da reunião do dia 7. Agora, o processo deve ser analisado no dia 14 deste mês, com a possibilidade dos índices de reajuste caírem. 

O reajuste médio da tarifa de energia elétrica dos 1,15 milhão de consumidores em 74 municípios sul-mato-grossenses atendidos pela Energisa MS foi definido pela área técnica em 12,61% em média. A Superintendência de Gestão Tarifária e Regulação Econômica (STR) da autarquia apresentou no processo de reajuste percentuais diferentes para as tarifas residências e industriais.  

Os consumidores de baixa tensão deverão pagar 12,49% a mais pela energia consumida, enquanto os de alta tensão devem ter um aumento maior, de 12,88%, segundo  a planilha apresentada  no dia 30 de março, às 17h57min pela STR. Estes percentuais podem sofrer alterações no relatório a ser votado.

Assine o Correio do Estado

CASO VORCARO

Banco de Brasília pede que delações reservem recursos para cobrir prejuízos

BRB pediu ao Supremo Tribunal Federal (STF) que seja garantida a reserva de dinheiro para cobrir os prejuízos com fraudes envolvendo as operações realizadas com o Banco Master

03/04/2026 11h35

Banco Master teve sua liquidação extrajudicial decretada pelo Banco Central em novembro de 2025

Banco Master teve sua liquidação extrajudicial decretada pelo Banco Central em novembro de 2025 Divulgação: MPC-MS

Continue Lendo...

O Banco de Brasília (BRB) informou nesta quinta-feira (2) que pediu ao Supremo Tribunal Federal (STF) que seja garantida a reserva de dinheiro para cobrir os prejuízos do banco com as fraudes envolvendo as operações realizadas com o Banco Master.

Em comunicado enviado ao mercado financeiro, o BRB solicitou que os acordos de delação premiada que estão em discussão com a Polícia Federal (PF) a Procuradoria-Geral da República (PGR) levem em conta o ressarcimento das partes lesadas.

“A medida judicial visa, especificamente, à eventual reserva, segregação e vinculação de bens, valores, ativos, créditos e fluxos financeiros que venham a ser identificados, recuperados, bloqueados, repatriados ou ofertados no contexto de investigações em curso, inclusive no âmbito de eventuais acordos de colaboração premiada”, informou o banco.

Até o momento, o banqueiro Daniel Vorcaro, dono do Master, e o cunhado ele, Fabiano Zettel, negociam acordo de delação premiada. Ambos estão presos.

As fraudes são apuradas pela Operação Compliance Zero, deflagrada para investigar a concessão de créditos falsos pelo Master, incluindo a tentativa de compra da instituição financeira pelo BRB, banco público ligado ao governo do Distrito Federal.

 

Assine o Correio do Estado

NEWSLETTER

Fique sempre bem informado com as notícias mais importantes do MS, do Brasil e do mundo.

Fique Ligado

Para evitar que a nossa resposta seja recebida como SPAM, adicione endereço de

e-mail [email protected] na lista de remetentes confiáveis do seu e-mail (whitelist).