Domingo, 24 de Setembro de 2017

MERCADO FECHADO

Ministro da Agricultura vai a Washington
tentar retomar exportação de carne

No Estado, a venda para o exterior representa 22% do volume de comércio

16 JUL 2017Por AGÊNCIA SENADO, COM DA REDAÇÃO16h:26

O ministro da Agricultura, Pecuária e Abastecimento, Blairo Maggi viaja hoje (16) para os Estados Unidos. Ele tem um almoço de trabalho agendado para segunda-feira (17) com o secretário de Agricultura do governo norte-americano, Sonny Perdue, em Washington, quando será discutida a retomada de exportações de carne para os Estados Unidos.

O ministro viaja acompanhado do secretário de Relações Internacionais do Agronegócio, Odilson Silva.

A agenda da comitiva inclui, ainda na segunda-feira pela manhã, reunião com o embaixador do Brasil em Washington, Sérgio Amaral, e o adido agrícola do Brasil nos Estados Unidos, Luiz Claudio de Caruso e Santana.

Na terça-feira pela manhã, o ministro reúne-se com o Conselho Empresarial Brasil-Estados Unidos, antes de embarcar de volta ao Brasil no fim da tarde. A chegada a Brasília está prevista para quarta-feira (19) pela manhã.

A visita ocorre após a suspensão, no fim de junho, de todas as importações de carne fresca do Brasil, devido a preocupações recorrentes sobre a segurança dos produtos destinados ao mercado dos Estados Unidos.

Foram 17 anos de negociações para que o Brasil conseguisse exportar carne fresca para os Estados Unidos, o que se concretizou em setembro do ano passado.

No total, 15 plantas frigoríficas exportavam carne in natura para os Estados Unidos e acumularam, de janeiro a maio, US$ 49 milhões com esse comércio. Entre elas está a unidade da JBS que fica em Campo Grande, além de outras quatro que ficam em Mato Grosso do Sul.

VACINAÇÃO

Para o ministério, os problemas comunicados pelo governo norte-americano são decorrentes da vacinação contra a febre aftosa, o que poderia causar inflamações. A aparência fica comprometida, segundo o ministério, mas o produto não oferece nenhum risco à saúde.

O Brasil exporta para os Estados Unidos a parte dianteira inteira do boi, local onde o gado recebe a vacina contra a febre aftosa. Mesmo que não esteja aparente, alguma inflamação pode ser detectada quando a peça é cortada.

Para solucionar a questão, o Ministério da Agricultura determinou que os frigoríficos brasileiros passassem a exportar para os Estados Unidos carnes in natura de cortes dianteiros apenas na forma de recortes, cubos, iscas ou tiras, o que permitiria a retirada dessas partes.

Seis entidades do agronegócio propuseram outra solução: pediram ao governo federal, nesta semana, uma mudança na composição da vacina contra febre aftosa aplicada em todo rebanho bovino.

A alteração seria necessária para evitar esses abscessos. O ministério já havia anunciado que investigaria os lotes de vacinas contra febre aftosa aplicadas nos animais.

SITUAÇÃO ESTADO

No ano passado, os EUA representaram 0,34% das exportações da carne sul-mato-grossense, com 426 toneladas do produto. Apesar do pequeno volume de exportações, setor teme que embargo possa provocar reação de outros países importadores.

“Num primeiro momento, o impacto sob o ponto de vista quantitativo, não altera significativamente o mercado. O problema maior é o impacto subjetivo. A percepção de uma não qualidade da carne brasileira é o maior impacto. A suspensão da importação dos EUA não vai travar a pecuária brasileira, mas a questão subjetiva é o problema”, afirmou o secretário de Estado de Meio Ambiente, Desenvolvimeto Econômico, Produção e Agricultura Familiar, Jaime Verruck, em entrevista recente.

As vendas externas desse setor são lideradas pela China, com 20,93%, seguido pelo Chile (18,55%), Rússia (11,06%), Irã (7,32%), Egito (7,21%), Holanda (6,09%) e Arábia Saudita (4,69%).

Para a pecuária do Estado, o mercado externo representa 22% das vendas, sendo os 78% restantes da produção absorvidos pelo mercado nacional.

“Para o mercado pecuário local a situação preocupa, ainda que o volume seja baixo. Temos cinco plantas credenciadas para exportar para os EUA. Não estamos num bom momento, com queda de preço, de demanda e de exportação”, afirmou Verruck.

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