Sábado, 24 de Junho de 2017

NEGOCIAÇÕES

J&F confirma assinatura de acordo com chilena para venda da Eldorado

A possibilidade de venda de ativos da J&F tem despertado interesse

18 JUN 2017Por RENATA PRANDINI, COM AGÊNCIAS09h:52

A J&F, empresa dos irmãos Joesley e Wesley Batista, confirmou ontem a assinatura de um acordo de confidencialidade com a Arauco sobre as negociações entre os dois grupos envolvendo a produtora de celulose Eldorado, que tem uma fábrica em Três Lagoas.

“A J&F Investimentos confirma a assinatura de acordo de confidencialidade com Arauco para análise de eventual transação envolvendo a Eldorado Brasil Celulose S.A.”, informou a holding dos Batistas em nota encaminhada à imprensa.

Antes, a Arauco já tinha comunicado a assinatura do acordo de confidencialidade, na esteira da notícia publicada pelo Valor Econômico de que o grupo chileno teria feito oferta superior a R$ 11 bilhões, incluindo dívida, para comprar a Eldorado.

Os dois irmãos estão negociando pessoalmente a venda de parte de seus ativos. Com exceção da Vigor, que tem o Bradesco e o Santander contratados pela família, investidores interessados em outros negócios da companhia - que incluem desde Alpargatas até ativos da área de energia -, têm falado diretamente com os dois controladores do grupo. 

Fontes próximas ao JBS ouvidas pela reportagem afirmaram que os irmãos Batista não descartam vender uma parte dos ativos do grupo nos Estados Unidos, onde estão concentradas as operações de carne.

Mas, o objetivo, segundo essas mesmas pessoas, é preservar ao máximo essa divisão de negócio, que deu origem à companhia e responde por mais de 80% do faturamento do grupo, de R$ 170 bilhões em 2016.

Desde que vieram à tona as delações dos irmãos Batista, há um mês, o valor de mercado do JBS caiu 30%, para R$ 18 bilhões, de acordo com levantamento da Economática. 

Desde as delações premiadas e a possibilidade de venda de ativos da J&F, a fábrica de celulose tem despertado interesse de empresas concorrentes. Porém, a chilena, que, no Brasil, atua no ramo de madeira, teria saído na frente, ao oferecer mais de R$ 11 bilhões pela fábrica.

A Celulose Arauco y Constitución disse, em fato relevante, que está avaliando a Eldorado, “uma empresa dedicada à produção de celulose, através de seu ativo mais importante, isto é, uma planta com capacidade de produção de 1,7 milhão de toneladas anuais de celulose de fibra curta”.

“A companhia firmou preliminarmente um acordo de confidencialidade, com o fim de explorar um possível investimento na Eldorado”. 

A empresa apresentou a proposta à Joesley e Wesley Batista, donos da J&F, na quarta-feira e contratou a assessoria dos escritórios de advocacia Mattos Filho e Simpson Thacher & Bartlett.

Dois dias depois, a Eldorado Brasil enviou fato relevante à Comissão de Valores Imobiliários (CVM), onde informa que sua controladora, J&F, assinou um acordo de confidencialidade com a Arauco “para análise de eventual transação envolvendo a companhia”. A J&F investimentos informou que não comenta o assunto. 

Inaugurada em dezembro de 2012, a Eldorado Brasil contou com um investimento inicial de R$ 6,2 bilhões, sendo R$ 2,7 bilhões do Banco Nacional de Desenvolvimento econômico (BNDES) – os financiamentos do BNDES para empresa dos Batista são alvo de investigação hoje. A capacidade inicial era de 1,3 milhão de toneladas de celulose ao ano.

Porém, esta produção já chega a 1,7 milhão/ano. Em maio, a fábrica atingiu marca de 156.384 toneladas de celulose produzidas, em uma média diária de 5.045 toneladas de celulose.

Somente nos cinco primeiros meses de 2017, a fábrica havia produzido 730 mil toneladas do produto, volume, segundo a companhia, 12% maior que do mesmo período de 2016. A fábrica tem uma dívida estimada em R$ 8 bilhões.

Em nota, a Fibria, que inaugura, em setembro, a sua segunda linha de produção, negou o interesse na fábrica concorrente. “A Fibria não pretende comprar a Eldorado e, não comenta rumores de mercado”.

NEGOCIAÇÃO

A Eldorado Brasil, no entanto, não é a única empresa a estar na mesa de negociação dos Batista. Os donos do grupo JBS estão negociando diretamente a venda de parte dos seus ativo.

Com exceção da Vigor, que tem o Bradesco e o Santander contratados pela família, investidores interessados em outros negócios da família, que vão desde Alpargatas até ativos de energia, têm feito como a empresa chilena e falado diretamente com os dois controladores do grupo. 

A família tem pressa para vender. Além de ter cerca de R$ 3 bilhões em dívidas que vencem a curto prazo, a companhia teria de levantar recursos para arcar com o acordo de leniência, fechado em, R$ 10,3 bilhões. 

Somente em Mato Grosso do Sul, além da fábrica de celulose, os batista têm oito frigoríficos de abates de bovino, sendo um deles (em Coxim) fechado, e o outro com as atividades suspensas temporariamente, além de plantas para abate de aves. 

Fontes ligadas aos empresários informaram ainda que não está descartada a possibilidade de venda de ativos nos Estados Unidos, onde estão concentradas as operações de carne.

Mas, o objetivo seria preservar ao máximo essa divisão de negócio, que deu origem à companhia e corresponde a 80% do faturamento do grupo, de R$ 170 bilhões em 2016.

Desde que vieram à tona as delações dos irmãos Batista, há um mês, o valor de mercado do JBS caiu 30%, para R$ 18 bilhões, de acordo com levantamento da Economática. (com informações de Valor Econômico e Estadão)

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