Sábado, 10 de Dezembro de 2016

SELIC

Copom reduz juro para 13,75% ao ano, menor nível em um ano e meio

Após PIB negativo, BC faz 2º corte seguido e confirma previsão do mercado

30 NOV 2016Por G117h:37

O Comitê de Política Monetária (Copom) do Banco Central reduziu a taxa básica da economia brasileira pela segunda vez seguida nesta quarta-feira (30), de 14% para 13,75% ao ano, um corte de 0,25 ponto percentual. A decisão veio após a confirmação de que o Brasil ainda continua em recessão.

Com a decisão do BC, os juros recuaram ao menor patamar desde o início de junho de 2015, quando estavam em 13,25% ao ano, ou seja, em cerca de um ano e meio. Entretanto, segundo levantamento feito pelo MoneYou e pela Infinity Asset Management (veja mais abaixo), o país ainda permanece na liderança do ranking mundial de juros reais.

A decisão do BC confirmou a expectativa da maior parte dos economistas do mercado financeiro, que reduziram, nas últimas semanas, a previsão para o tamanho do corte: de 0,50 para 0,25 ponto percentual (que se confirmou). O motivo foi a vitória de Donald Trump nas eleições dos EUA, que espalhou incertezas nos mercados, gerou alta do dólar e queda da bolsa nas economias emergentes.

O que diz o Banco Central
O Copom informou que entende que a "convergência da inflação" para a meta central de 4,5% no horizonte relevante para a condução da política monetária, que inclui os anos de 2017 e 2018, é "compatível com um processo gradual de flexibilização monetária [corte de juros]".

Acrescentou que a "magnitude da flexibilização monetária e a intensificação do seu ritmo" [de redução da taxa básica] dependerão das projeções e expectativas de inflação e da evolução dos fatores de risco.

"Nesse sentido, o Copom destaca que o ritmo de desinflação nas suas projeções pode se intensificar caso a recuperação da atividade econômica seja mais demorada e gradual que a antecipada. Essa intensificação do processo de desinflação depende de ambiente externo adequado", acrescentou a autoridade monetária.

Inflação X atividade
O Banco Central reduz os juros quando julga que as estimativas de inflação, para os próximos anos, estão em linha com as metas predeterminadas pelo Conselho Monetário Nacional (CMN).

Juros mais baixos, por sua vez, podem ajudar a estimular a economia brasileira, que passa por um período de baixo nível de atividade e alta do desemprego, além de resultar em uma despesa menor com os juros da dívida pública.

Nesta quarta-feira, o o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) informou que o Produto Interno Bruto (PIB) recuou 0,8% no terceiro trimestre deste ano, em relação ao trimestre anterior. É a sétima retração seguida nessa base de comparação - a mais longa de toda a série histórica do indicador, que teve início em 1996.

Apesar do corte dos juros, a taxa segue elevada para padrões internacionais, e não tem caído mais rápido para evitar pressões inflacionárias. Com juros elevados, o objetivo é encarecer o crédito e reduzir o consumo no país e evitar a alta dos preços. O efeito secundário é justamente a contenção da atividade econômica.

Metas e previsão para a Selic
Para 2016, 2017 e 2018, a meta central é de inflação determinada pelo Conselho Monetário Nacional é de 4,5%. Entretanto, o sistema prevê um piso e um teto, que é de inflação em 6,5%, em 2016, e em 6% em 2017 e 2018.

O mercado estima um IPCA de 6,72% para este ano - acima do teto de 6,5% - e de 4,92% para 2017, neste caso acima da meta central de 4,5%. A previsão dos economistas atinge 4,5% somente em 2018, mas o BC já avisou que buscará cumprir este objetivo já no ano que vem.

Apesar de a previsão de inflação ainda estar acima da meta central de 4,5% em 2017, e do BC tomar suas decisões sobre a taxa de juros olhando para os próximos anos, os economistas preveem que o Copom continuará a reduzir a Selic nos próximos meses, chegando a 10% ao ano em abril de 2018.

Juros reais e poupança
Mesmo com a redução de juros promovida pelo Copom nesta quarta-feira, o Brasil ainda permanece na liderança disparada do ranking mundial de juros reais (calculados com abatimento da inflação prevista para os próximos 12 meses), compilado pelo MoneYou e pela Infinity Asset Management.

Com os juros básicos em 13,75% ao ano, a taxa real soma 8,53% ao ano. Com isso, permanece bem acima do segundo colocado, que é a Rússia, com 4,46% ao ano, seguida pela Colômbia, com 3,61% ao ano. Nas 40 economias pesquisadas, a taxa média está negativa em 1,9% ao ano.

De acordo com cálculos da Associação Nacional dos Executivos de Finanças, Administração e Contabilidade (Anefac), mesmo com a redução dos juros para 13,75% ao ano, os fundos de investimento continuam mais atrativos do que a poupança, ganhando em rendimento na maioria das situações.

A poupança continua atrativa somente para fundos com taxas de administração acima de 2,5% ao ano. Isso ocorre porque o rendimento dos fundos de renda fixa sobe junto com a Selic. Já o rendimento das cadernetas, quando a taxa de juros está acima de 8,5% ao ano, como atualmente, está limitado em 6,17% ao ano mais a variação da Taxa Referencial (TR).

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