Domingo, 25 de Junho de 2017

Operação

Operação Carne Fraca traz estagnação
e temor à pecuária estadual

Frigoríficos, como o JBS, estão revendo escalas de abate bovino

21 MAR 2017Por RENATA PRANDINI06h:00

Os desdobramentos da Operação Carne Fraca obrigaram frigoríficos de Mato Grosso do Sul a reajustarem suas grades de abates. Segundo o presidente a Associação de Criadores de Mato Grosso do Sul (Acrisul), Jonathan Barbosa, o processo de suspensão temporária de abates teve início já nesta segunda-feira e atingiu a praticamente todas as unidades do Estado. 

“Somente a JBS teve um prejuízo de R$ 5 bilhões desde que a operação foi divulgada. Ela não está mais abatendo . Consequentemente, o produtor rural não tem como vender. Tem produtor nos procurando desesperados e o mais grave, com isso, os preços vão cair. Toda a cadeia produtiva vai sofrer os impactos dessa operação”, destacou.

Barbosa explicou que, à categoria, as unidades informaram que a suspensão dos abates será temporária, para a reajuste da grade. “O problema é que esse tempo [em que os abates permanecerão suspensos] é que ninguém sabe. Eles estão tendo um prejuízo enorme. O frango que iria para Hong Kong voltou do o Porto de Paranaguá para Curitiba e está aguardando. Tem um navio lotado de carne brasileira, incluindo de Mato Grosso do Sul com destino para a China”. 

SEM PREÇOS

Com a paralisação dos abates, o gado ficou praticamente sem precificação no mercado, segundo explicou Chico Maia, pecuarista. “A JBS não tem escala de abate hoje, ou seja, o boi que eu vendo hoje não tem preço porque o maior comprador não compra. E eu, produtor, tenho compromisso, tenho que pagar minhas contas. Para o frango é ainda pior, tem prazo de cerca de 40 dias para abater e vender. O porco também. Não é como o gado que ainda pode esperar no pasto”, completou Maia.

O ex-presidente da Acrissul enfatizou que “demoramos 20 anos para conseguirmos aumentar o nosso mercado internacional, o EUA abriu mercado agora, para chegar agora e fazerem uma irresponsabilidade dessa. É um tsunami na nossa economia. é o único segmento que temos competitividade nacional, é o agronegócio”, lamentou.

O Brasil, concluiu, exporta para 166 países ao todo. Mato Grosso do Sul tem participação em todos eles, sendo a China o maior destino da carne sul-mato-grossense e que 50% da carne consumida no Chile é do Estado.

*A reportabem completa está na edição de hoje do jornal Correio do Estado.

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