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Três Lagoas pode "tomar" porto seco de Campo Grande

Projeto vem sendo debatido desde 2009; obra está atrasada há oito anos

Sarah Minini, de Três Lagoas

14/12/2015 - 00h00
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A liberação da Receita Federal para a implantação da Estação Aduaneira do Interior (EADI), ou chamado Porto Seco em Três Lagoas, pode estar próxima de ser realizada. De acordo com a prefeita Márcia Moura, ainda não ocorreu a assinatura do documento que permite o processo de abertura de concorrência para a alfândega, porém, no mês passado, durante a Rota do Desenvolvimento, realizada pelo Sebrae, no município, o Secretário de Desenvolvimento Econômico e Meio Ambiente do Estado Jaime Verruck, anunciou que já ocorreu a decisão de implantação em Três Lagoas e não em Campo Grande, que também disputava essa modalidade logística. 

O movimento para que a estação aduaneira fosse implantada em Três Lagoas começou em 2009, depois que a Fibria deu início ao seu projeto com a primeira linha de produção de celulose do local. O município que já contava com um distrito industrial bastante desenvolvido, e, dessa forma, exportador significativo do setor têxtil e siderúrgico, passou também a exportar grande volume de celulose. 

Em 2012, quando a outra gigante da celulose a Eldorado Brasil foi inaugurada, a prefeitura elaborou um estudo de viabilidade da implantação em Três Lagoas, que apontou a alfândega no município como solução para diversos gargalos logísticos do Porto de Santos, principalmente no que se refere a custos de descanso. 

MAIOR RELEVÂNCIA 

Desde então, de acordo com o diretor de indústria e comércio de Três Lagoas Diógenes Marques, a Costa Leste do Estado, região em que Três Lagoas é cidade polo, é a de maior relevância na balança comercial, por conter a maior concentração de indústrias do Estado. “Além de a maior parte dessas industrias da Costa Leste estarem estabelecidas em Três Lagoas, cujo grande estaque é ter o segundo maior PIB (Produto Interno Bruto do Estado)”, explicou.

O diretor ressalta a complexidade logística de Três Lagoas, também como fator preponderante para que o porto seja construído naquele município, alertando sobre as condições intermodais, tanto no que se refere a transporte como energia e grande fonte de água, o que possibilitou e possibilita a concentração dessas industrias na região. Desta forma ele lembra que Três Lagoas está dentro do fluxo no transporte rodoviário, ao passo que a Capital estaria no antefluxo. 
“Em número simples as vantagens são claras e grandes sobre Campo Grande. De Três Lagoas a Santos existem 734km, já de Campo Grande a Santos são 1.070km. Ou seja: usando o terminal caso fosse em Campo Grande a empresa levaria mais tempo e teria mais custo, já que ela teria que a mercadoria teria que ir para Campo Grande, depois faria o mesmo caminho de volta até o porto de Santos, seriam 672km desnecessários, que proporcionaria um aumento no percurso de 91%, conforme o Estudo de Viabilidade. Desta forma, dentro da estratégia logística de cada empresa ela teria a alternativa de usar estações mais próximas de Santos dentro do estado de São Paulo, não usando como alternativa Campo Grande”, afirmou. 

TEMPESTADES

Com 147mm, Capital já recebeu 85% da chuva prevista para fevereiro

Previsão é que chuva intensa de trégua amanhã, mas retorne com trovoadas e raios na próxima quinta-feira

03/02/2026 11h30

Semana terá chuva, com possibilidade de tempestade em MS

Semana terá chuva, com possibilidade de tempestade em MS Foto: Gerson Oliveira / Correio do Estado

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Fevereiro chegou e trouxe com ele chuvas intensas para a capital sul-mato-grossense. Em três dias, Campo Grande já registrou mais da metade do que estava previsto para o mês todo. Com previsão de chuva para toda a primeira semana do segundo mês do ano, até agora já foram 147,6 milímetros registrados.

Segundo o meteorologista Natálio Abrahao, a previsão para o segundo mês do ano era de 174 milímetros de precipitação, o que no ritmo de intensidade e constância, há chances de ultrapassar a quantidade estimada.

Nesta terça-feira, Campo Grande amanheceu novamente sob nuvens pretas e tempo nublado. Em registros do Instituto Nacional de Meteorologia (Inmet), somente pela manhã foram registrados 32,2 milímetros.

De 1º de fevereiro até hoje, a Capital teve chuvas intensas, com 81,4 milímetros na região sul do universitário; 104,4 milímetros na região central; 101,4 milímetros na região do bairro Carandá Bosque; e 109,6 milímetros no Jardim Panamá.

A previsão é que a chuva de trégua na intensidade na próxima quarta-feira, mas retorne com raios e trovoadas já na quinta-feira. Para hoje, a previsão é que a chuva continue pelas próximas horas.

Interior

Em Costa Rica, o volume foi de 48 milímetros no centro, e 78,6 milímetros somente na área rural do município. Em Chapadão do Sul e Paraíso das Águas, a chuva também deu as caras em maior quantidade na área rural, com 17,8 milímetros em Chapadão para 35 milímetros na área rural; e 56 milímetros em Paraíso das Águas, para 73,8 milímetros na área rural.

Em São Gabriel do Oeste foram 92,2 milímetros registrados, caracterizando um volume expressivo, assim como em Corguinho, cidade a menos de 100 quilômetros de Campo Grande, que durante os três dias de fevereiro ultrapassou a previsão estimada para o mês todo.

Na cidade, estavam previstos 172 milímetros para fevereiro, e já foram registrados 242 milímetros.

CUIDADOS

O tempo chuvoso requer cuidados aos sul-mato-grossenses, como:

  • Em caso de chuva: não enfrentar pontos de alagamento ou enxurradas; procurar rotas alternativas no trânsito e dirigir devagar;
  • Em caso de raio: evitar locais abertos; não ficar debaixo de árvores; não ficar próximo a cercas de metal; ficar calçado e desligar eletroeletrônicos da tomada;
  • Em caso de granizo: deve-se tomar cuidado no deslocamento após chuva de granizo, pois o chão fica escorregadio.
  • Em caso de vendaval: permaneça em local abrigado; evite se abrigar debaixo de árvores.

TRANSPARÊNCIA

SEMED ignora mais de 600 denúncias de crimes e assédio e vira alvo do MPE

Ouvidoria da Prefeitura de Campo Grande tem irregularidades na transparência e deixa denúncias de lado com sistema instável

03/02/2026 10h48

SEMED vira alvo de MPE após falta de transparência em mais de 600 denúncias de crimes e assédios deixados de lado

SEMED vira alvo de MPE após falta de transparência em mais de 600 denúncias de crimes e assédios deixados de lado Gerson Oliveira / Correio do Estado

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Por meio do Diário Oficial desta terça-feira, o Ministério Público do Estado de Mato Grosso do Sul (MPE) divulgou uma série de recomendações para a Secretaria Municipal de Educação (SEMED) após mais de 600 denúncias de crimes e assédio constarem em registros sem andamento ou qualquer outro tipo de atitude por parte do órgão municipal.

A publicação aponta a Ouvidoria com "irregularidades em sua operacionalização", e tira dela o seu papel de funcionalidade de atendimento por uma educação inclusiva, o que de acordo com o texto, compromete diretamente o acesso do canal de "escuta, reclamação e denúncia, essenciais à tutela dos direitos educacionais de crianças, adolescentes assim como dos pais".

Entre as irregularidades apresentadas devido a "equívocos e falhas estruturais da Ouvidoria", a falta de transparência da Prefeitura de Campo Grande e Secretaria Municipal de Educação foi o que colocou o órgão municipal na mira do MPE.

No texto, também foi apontado a não padronização de fluxos para resolver as reclamações e denúncias; a irrastreabilidade após protocolamento; ausência de independência do canal; e inexistência de integral acesso dos usuários às denúncias que protocolizaram.

Ainda de acordo com o documento, a consulta dos processos das denúncias pode ser feita por meio do Painel 'Resolveu', em que a Ouvidoria do município está vinculada e deve ser atualizada diariamente. Porém, na última quarta-feira (28), o MPE acessou ao site com direcionamento para o canal de denúncias da Prefeitura de Campo Grande e verificou mais de 600 manifestações direcionadas a SEMED, com matérias sensíveis de crimes e assédios na educação, mas nenhuma possui registros de resposta, arquivamento ou mesmo encaminhamento para tomar alguma medida.

Segundo o texto, a situação foge da dinâmica de transparência da administração pública quanto ao que condiz com a funcionalidade e eficácia da Ouvidoria Municipal. Diante disso, uma série de exigências foram feitas a SEMED, sendo elas:

Transparência e acesso à informação

  • Assegurar acesso claro e compreensível às informações relativas à manifestação ao usuário que a registrou, incluindo o teor integral do registro efetuado, resguardados os dados legalmente protegidos por sigilo;
  • Disponibilizar mecanismo que permita ao usuário acompanhar o andamento da manifestação, com indicação do setor responsável, status do tratamento e conclusão adotada.

Padronização e rastreabilidade dos fluxos

  • Instituir e formalizar fluxograma padronizado para o recebimento, triagem, encaminhamento, acompanhamento e encerramento das manifestações, com critérios objetivos definidos;
  • Garantir a correta geração, comunicação e correspondência dos números de protocolo, evitando erros formais que comprometam a rastreabilidade das demandas.

Diferenciação de naturezas sensíveis

  • Estabelecer procedimentos específicos para o tratamento de denúncias sensíveis, especialmente envolvendo supostas irregularidades praticadas por gestores escolares ou integrantes da cadeia hierárquica da SEMED;
  • Estabelecer a necessidade do encaminhamento obrigatório às instâncias administrativas competentes (corregedoria, autoridade superior ou setor jurídico), quando cabível, com registro formal do encaminhamento e da comunicação deste ao denunciante.

Proteção ao denunciante

  • Adotar medidas institucionais voltadas à proteção do denunciante, inclusive contra retaliações institucionais diretas ou indiretas, assegurando o sigilo e a confidencialidade das informações, quando solicitado ou necessário;
  • Orientar os servidores quanto à existência e ao correto funcionamento dos canais de denúncia, reforçando a cultura de integridade e controle interno.

Plataforma tecnológica adequada

  • Efetivar a alimentação dos dados na plataforma Fala.BR.

Capacitação e monitoramento

  • Promover capacitação periódica dos servidores lotados na Ouvidoria da SEMED, com foco na legislação aplicável, padronização de procedimentos e atendimento humanizado;
  • Instituir mecanismos de avaliação periódica do funcionamento da Ouvidoria da SEMED, com indicadores de desempenho e qualidade.

Ouvidoria-Geral

Além das exigências feitas a SEMED, ainda foram direcionadas à Controladoria-Geral do Município outras exigências, como adoção de providências administrativas em que a Ouvidoria-Geral se vincula para que tenha verificação e regularização das manifestações; apuração dos motivos de inconsistência; fiscalização das unidades responsáveis pela atualização dos dados no sistema; implementação de medidas imediatas referentes a transparência das denúncias quanto a rastreabilidade.

Ainda foi exigido a comprovação por meio de documentação as providências tomadas, e encaminhamentos realizados de outras 604 denúncias registradas na Plataforma Fala.BR durante 2025 que também não há registros de transparência.

Para isso, foi dado aos órgãos municipais o prazo de 30 dias para devolutiva com as medidas que serão implementadas.

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